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29 março 2019

AS DUAS MÃOS DO AMOR


O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo!  (Mc 12, 31)
29 de março de 2019.
E a quaresma vai prosseguindo. Você lembra, quando começamos esse tempo litúrgico, nos falaram de três exercícios importantes para o nosso crescimento cristão, nesse período: a oração, a penitência e a caridade. Hoje, o evangelho desenvolve esse ponto da caridade.
Um Mestre da Lei perguntou a Jesus qual era o primeiro de todos os mandamentos. Os Mestres da Lei tinham uma lista de centenas de mandamentos, era coisa que não se acabava mais. Vamos ver o que Jesus respondeu. Jesus, como bom judeu, recitou um texto do livro do Deuteronômio. ‘O primeiro mandamento é este: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”. É a oração do Shemá que todo judeu recitava diariamente. E Jesus acrescentou: ‘O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo!’ Também este mandamento estava na Escritura. ‘Não existe outro mandamento maior do que estes’, disse Jesus.
O que será que o Mestre da Lei achou da resposta de Jesus? Antes de considerar esse ponto, vamos pensar mais no que Jesus falou. A pergunta, qual era? Qual o primeiro dos mandamentos, o mais importante. E Jesus respondeu com dois mandamentos. O primeiro e o segundo, notou?  Amar a Deus e amar o próximo. Aproximou os dois, juntou os dois. Uma coisa não pode ser desligada da outra. Como escreveu São João na sua primeira carta: “Quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é um mentiroso”. Podemos dizer que o fundamento disso é que Deus nos ama, infinitamente. É o que explica o seu relacionamento com Israel. Deus ama o seu povo, o protege, o livra dos inimigos, o guia. Ele fez uma aliança com o seu povo, uma aliança de amor.
Agora, vamos ver a reação do Mestre da lei que fez a pergunta. Ele ficou satisfeito com a resposta de Jesus.  “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”.  Ele estava de acordo com a resposta de Jesus. Jesus ficou admirado com o Mestre da Lei. “Tu não estás longe do Reino de Deus”. Reconheceu que ele estava no caminho do Reino, do evangelho que ele estava anunciando. De fato, a pregação de Jesus era sobre o amor de Deus pelos seus filhos.  O verdadeiro culto a Deus tem a ver também com o amor aos irmãos.
Com a quaresma, estamos vivendo a Campanha da Fraternidade, exatamente para nos ajudar a crescer no amor a Deus e ao próximo. Não dá para amar a Deus e não amar os irmãos, os necessitados, os excluídos. E amar, não com palavras, mas com atitudes, obras, compromissos. Por isso, neste ano, o tema é “Fraternidade e Políticas Públicas”. Políticas públicas são programas e ações desenvolvidos pelo Estado para garantir os direitos dos cidadãos: direito à educação, ao trabalho, à saúde, à previdência social, à moradia, à segurança, assim por diante. Todo cidadão consciente pode ajudar na construção de boas políticas públicas, bem como cobrar e acompanhar sua execução pelos Municípios, Estados e pela União.
Guardando a mensagem
O Mestre da Lei queria saber qual era o maior mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. Um leva ao outro. Deus nos ama. Nós, em resposta, o amamos e amamos o nosso semelhante. O Mestre da Lei, nisso, pensava igual a Jesus. Os dois mandamentos se completam, são faces da mesma moeda.  O culto no Templo e o serviço na rua. A oração e a caridade. A Campanha da Fraternidade é uma oportunidade para exercitarmos o amor ao próximo, sobretudo na defesa dos mais frágeis de nossa sociedade.
O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo!   (Mc 12, 31)
Rezando a palavra
Vamos rezar a oração da campanha da fraternidade deste ano:
Pai misericordioso e compassivo,
que governais o mundo com justiça e amor,
dai-nos um coração sábio para reconhecer
a presença do vosso Reino entre nós.
Em sua grande misericórdia, Jesus,
o Filho amado, habitando entre nós
testemunhou o vosso infinito amor
e anunciou o Evangelho da fraternidade e da paz.
Seu exemplo nos ensine a acolher
os pobres e marginalizados, nossos irmãos e irmãs
com políticas públicas justas,
e sejamos construtores de uma sociedade
humana e solidária.
O divino Espírito acenda em nossa Igreja
a caridade sincera e o amor fraterno;
a honestidade e o direito resplandeçam
em nossa sociedade
e sejamos verdadeiros cidadãos
do “novo céu e da nova terra”
Amém!
Vivendo a palavra
No seu caderno espiritual (no seu caderno de anotações) responda a esta pergunta: O que, nesta quaresma, eu posso fazer em favor dos mais sofridos?

Pe. João Carlos Ribeiro – 29.03.2019