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20190711

AOS QUATRO CANTOS

 Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)

11 de julho de 2019 – Dia de São Bento.
Jesus enviou os seus discípulos em missão e lhes disse: “Em seu caminho, anunciem: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios”.
O envio dos doze apóstolos é uma página missionária da Igreja. Os doze representam a nossa comunidade, comunidade que nasceu do trabalho missionário de Jesus. Essa referência aos doze mostra uma comunidade organizada, em continuidade com o povo do Antigo Testamento. A missão é de todo o povo de Deus, com seus líderes à frente. E o envio dos doze é para que anunciem o Reino de Deus. O Reino é o reinado de Deus em nossas vidas e em nosso mundo. O reinado de Deus supera e vence o reinado do mal, por isso os missionários recebem poder sobre o demônio e sobre a doença. A doença é a cara do sofrimento que o mal e a morte espalham.
O Reino é um dom, é a libertação da dominação do mal e da morte, para estarmos como filhos e filhas na comunhão com o Senhor nosso Deus. Não é o resultado de uma estratégia bem montada pelos missionários. Eles são simples instrumentos. É obra de Deus. Aliás, o Reino é de Deus e o que os enviados conseguem realizar é pela sua força, pelo seu poder. Por isso a recomendação: “Não levem ouro nem prata nem dinheiro nos seus cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bastão”.
Bastão ou cajado é um sinal de defesa e segurança. Devem renunciar a isso. Deus é sua segurança. Sacola representa a confiança nos bens, nos instrumentos. O Reino não é uma estratégia. É um dom. Também não devem levar ouro, nem prata, nem dinheiro. A missão não depende de dinheiro, depende do testemunho e do amor do missionário. É preciso confiar na Providência. Nem duas túnicas, duas mudas de roupa. A proteção necessária é a de Deus. Tudo isso é simbólico, para dizer: o missionário deve por sua confiança em Deus.
O envio não é apenas uma ordem de Jesus, é uma experiência concreta que os enviados vêm fazendo, desde o início. É um caminho que muitos já percorreram, em obediência ao mandato do Senhor e às suas recomendações. Em São Bento, o santo de hoje, podemos ver tudo isso: no meio de muitas privações e provações, ele fundou uma bela comunidade de pessoas consagradas a Deus, vivendo do trabalho e da oração. Seu exemplo e a regra de sua comunidade continuam influenciando a vida religiosa e missionária da Igreja.
Guardando a mensagem
A missão é de todos. E a missão é comunicar que o Reino de Deus chegou com Jesus. É sugerir às pessoas que abram o seu coração, abram as portas de suas vidas para acolhê-lo. O Reino de Deus ou o seu reinado é a vitória sobre o mal no mundo e o pecado, gerando uma família de filhos livres e amados.  O Reino não é o resultado de uma intensa propaganda de massa. É um segredo facilmente compreensível pelos simples e humildes. E não se implanta pela força ou pelo prestígio de alguém. Não somos um exército impondo uma nova ordem. O Reino supõe a liberdade. Se não abrirem as portas, o Reino não entra. Não é uma invasão. A gente só bate à porta, não a arromba. Por isso, o missionário precisa se despojar de qualquer pretensão de grandeza ou de segurança puramente humana.
Não levem ouro nem prata, nem dinheiro nos seus cintos (Mt 10, 9)
Rezando a palavra
Senhor Jesus,
Demoramos a compreender que estamos sendo enviados em missão, que somos responsáveis pelo anúncio do Reino de Deus em nossa casa, no lugar onde trabalhamos, em nossos ambientes de convivência, em todos os setores da sociedade. Proclamar o Reino é testemunhar que fomos alcançados pelo amor de Deus, amor gratuito e misericordioso que se manifestou em ti, Senhor Jesus. Não é um produto destinado a ser um sucesso de vendas. É uma boa notícia que muda a nossa vida, e dela, somos apenas portadores e testemunhas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vivendo a palavra
Em seu momento de oração, hoje, reze por todas as lideranças da Igreja: catequistas, animadores, ministros ordenados, missionários, comunicadores cristãos. Que você, eu e todos nós sejamos missionários do jeito que Jesus mandou no evangelho de hoje.
A gente se reencontra hoje, às 10 da noite, no facebook.
Pe. João Carlos Ribeiro – 11 de julho de 2019.

Obs: FOTOS - Juventude Salesiana em Missão em Gravatá, PE, fotos de 10 de julho de 2019.

20190106

O QUE VOCÊ TROUXE DE PRESENTE?

Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)



06 de janeiro de 2018.


Toda criança, no seu nascimento, ganha presentes. Ganha fralda, mamadeira, sabonetes, brinquedinhos... Tios, avós, padrinhos, conhecidos cada um traz uma coisa. Sinal de satisfação pela chegada do bebê e reforço nos laços de amizade com a família da criança. O menino Jesus também ganhou presentes, no seu nascimento. Estranhos viajantes chegaram em Belém para visitá-lo. Depois de reverenciá-lo, deram-lhe presentes. Na verdade, presentes de pouca utilidade imediata, mas tudo bem.

Hoje é o dia da festa da visita dos magos ao menino Jesus, o domingo da epifania, celebrada popularmente como festa de reis. A cena está narrada no evangelho de São Mateus. Os magos do Oriente viram surgir uma estrela e chegaram em Jerusalém procurando “o recém-nascido rei dos judeus”. Depois de idas e vindas, consultas aos sábios e uma conversa com o rei Herodes, seguiram para Belém. A estrela voltou a aparecer e os conduziu ao local onde estava o bebê. Depois da visita, seguindo orientação de um sonho, voltaram por outro caminho, não dando ao rei a informação do endereço da criança. 

O evangelho não nos diz o significado dos presentes que o menino ganhou: ouro, incenso e mirra. A tradição, porém, nos tem oferecido muitas indicações. O ouro, mineral nobre e valioso, pode significar o reconhecimento de Jesus como Rei, como filho de Davi. O incenso, uma resina cheirosa usada no culto, pode representar o reconhecimento de Jesus como Deus. A mirra, uma substância perfumada usada para embalsamar os corpos dos falecidos, pode significar o reconhecimento de Jesus como Homem, sujeito à morte. 

O certo é que mesmo ainda hoje, existe o costume de, ao se fazer uma visita a uma pessoa importante, levar um presente. Na Bíblia, há também muitos exemplos disso, especialmente quando se trata de um visitante do Oriente. Lembre o caso da Rainha de Sabá que foi a Jerusalém fazer uma visita ao rei Salomão. Está no segundo livro das Crônicas que “ela deu ao rei quatro mil e duzentos quilos de ouro e grande quantidade de especiarias e de pedras preciosas”. Esses presentes são o reconhecimento da rainha do Oriente à grandeza e à sabedoria do rei Salomão.

A partir desse exemplo da rainha de Sabá e de muitos outros na Bíblia e na história dos povos antigos, é possível entender que os presentes dados a uma personalidade são sinal de aliança e submissão. Os magos do Oriente, ao abrirem seus cofres e oferecerem presentes ao menino estavam demonstrando amizade ao futuro rei e reconhecendo sua supremacia sobre eles. Ofereceram aquilo que de mais precioso os representava. Suas regiões eram produtoras de riquezas e especiarias. Incenso e mirra eram produtos valiosos transportados por comerciantes dessas regiões. 

Por outro lado, vemos, à distância, que os presentes antecipam a boa acolhida que os pagãos dariam à pregação do evangelho. Com os magos, compreendemos que Jesus é o salvador de toda a humanidade. 

Guardando a mensagem

Os presentes oferecidos no nascimento de uma criança reforçam os laços de amizade com sua família. Os presentes dos magos mostraram a adesão das nações pagãs ao Salvador, que veio para todos. Os magos ajoelharam-se diante do menino e o adoraram. E ofereceram-lhe algo de precioso que representaram consideração, submissão e aliança com o novo rei. O ouro pode representar suas posses, suas rendas, sua riqueza. O incenso pode representar sua religiosidade, suas crenças. A mirra pode representar o cuidado com a vida, o corpo e sua preocupação com a imortalidade. Se os presentes dos magos podem representar submissão e aliança com o novo rei recém-nascido, podemos nos perguntar que presentes representam hoje nossa adesão a Jesus, nosso Deus e Salvador. 

Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes (Mt 2, 11)

Rezando a palavra 

Senhor Jesus, 

Os presentes dos magos, por um lado, revelaram o reconhecimento deles em relação à tua realeza, à tua divindade e à tua humanidade. Por outro lado, os presentes foram sinal de sua adesão à tua pessoa, de submissão ao teu senhorio e de aliança contigo. Que presentes poderíamos trazer a ti, como compromissos neste início de ano, Senhor? O ouro pode representar nossos ganhos, nossa sobrevivência, nossas posses. O dízimo pode ser o nosso ouro. O incenso pode representar nossa vivência religiosa, nossa adoração. A missa dominical pode ser o nosso incenso. A mirra pode representar nosso compromisso com a vida ameaçada, com as crianças pobres, com os desempregados. Nosso empenho na campanha da fraternidade deste ano pode ser a nossa mirra. Recebe, então, Senhor, os nossos presentes. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém. 

Vivendo a palavra 

Primeiro, leia em sua Bíblia, o evangelho de hoje: Mt 2,1-12. Segundo, leia o texto desta meditação (se ainda não o fez). 

Pe. João Carlos Ribeiro – 06.01.2018

20180712

AS QUATRO TAREFAS DA MISSÃO


Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)
12 de julho de 2018.
Jesus percebe a situação de sofrimento e abandono do seu povo. E  procura organizar o seu grande grupo de discípulos, nomeando doze líderes. Chamou doze, porque estava simbolicamente reorganizando todo o rebanho de Deus, o povo das doze tribos, que fora liderado por doze patriarcas. E Jesus enviou os doze em missão. É urgente que o rebanho conte com bons pastores, com boas lideranças. Pastores que cuidem das ovelhas estropiadas, que recuperem as desfalecidas, que lavem as sujas, que as defenda dos lobos.
A missão é anunciar a proximidade do Reino, que é o que Jesus já estava fazendo. “Em seu caminho, anunciem: o Reino dos céus está próximo”. Na realização desta missão, Jesus deu aos doze quatro tarefas: Curar os doentes; Ressuscitar os mortos; Purificar os leprosos; e Expulsar os demônios. Você sabe, quatro é um número de totalidade.  Quatro é tudo, pois quatro são os pontos cardeais. A missão de anunciar a chegada do Reino de Deus mostra-se nestas quatro ações.
Vamos dar uma olhada nessas tarefas. A primeira foi curar os doentes. Jesus tinha um carinho especial pelos doentes. Basta lembrar a cena da sogra de Pedro ou do paralítico descido em sua maca diante dele. Cuidar dos doentes é uma forma de anunciar o Reino de Deus. Deus está perto de quem está sofrendo. Deus é a força de quem está debilitado. Estamos diante do tema da SAÚDE. Assistir os doentes e sofredores, rezar por eles, rezar com eles, acompanhá-los em seu tratamento são formas de mostrar o amor de Deus, a proximidade do Reino. Curar os enfermos.
A segunda tarefa foi ressuscitar os mortos. Jesus ressuscitou a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, o seu amigo Lázaro. Em todos esses episódios, vemos como Jesus deu atenção às famílias enlutadas, como ele ajudou as pessoas a crerem em Deus e na ressurreição que ele nos promete. Estamos diante do tema da VIDA. Na parábola do bom samaritano, o homem estava caído, semimorto, na beira da estrada. Acudir quem está caído, quem está em situação de morte é ressuscitar os mortos. Hoje, temos muita gente que está em situação de morte: pela droga, pela exploração do trabalho, pela fome... Trabalhar pela recuperação dos dependentes químicos, salvar do suicídio quem perdeu o sentido da vida, por exemplo, são também formas de anunciar a proximidade do Reino. Ressuscitar os mortos.
A terceira tarefa foi purificar os leprosos. Os leprosos, no evangelho, têm a ver com a impureza em relação à Lei. Pela impureza, a pessoa estava apartada de Deus e de sua comunidade. A lepra é uma imagem do pecado. Estamos diante do tema da RECONCILIAÇÃO. Purificar os leprosos é ajudar a pessoa a se aproximar de Deus e alcançar o perdão dos seus pecados. Fomos reconciliados com Deus, por Jesus Cristo que morreu por nós. Trabalhar pela conversão, aproximar as pessoas do Sacramento da Confissão são formas de anunciar que o Reino está vizinho, próximo. Purificar os leprosos.
A quarta tarefa foi expulsar os demônios. Jesus venceu as tentações. E libertou muitas pessoas possuídas pelo mal. Estamos diante do problema da LIBERDADE. Muita gente está possuída, escravizada pelo preconceito, pelo sentimento de inferioridade, pela ignorância, por ideologias totalitárias, pela inveja, pela dependência cultural... são numerosas as formas de dominação do mal sobre as pessoas! Contribuir para a superação desses males, ajudar as pessoas a se libertarem dessas forças de opressão são formas de realizar o anúncio do Reino de Deus. Expulsar os demônios.
Vamos guardar a mensagem
Jesus, diante do seu povo sofrido e humilhado, enche-se de compaixão. Vê que aquele é um rebanho sem pastor. Realizando sua missão de reorganizar o povo de Deus disperso, nomeia doze lideranças para o seu movimento. Ele envia os doze em missão. Eles devem, como Jesus, anunciar a proximidade do Reino de Deus. Para servir o seu povo cansado e abatido, Jesus providencia pastores que cuidem das ovelhas estropiadas (os enfermos), que recuperem as desfalecidas (os mortos), que lavem as sujas (os leprosos), que as defenda dos lobos (os demônios). A missão dos doze é a missão de todo o povo de Deus. A minha, a sua também.
Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios (Mt 10, 8)
Vamos rezar a palavra
Senhor Jesus,
Aos teus missionários de ontem e de hoje, estás instruindo que todos estamos em missão. E que a missão não depende de contarmos com muitos recursos (ouro, prata, dinheiro). O que temos para oferecer não tem preço, nem são coisas que estamos distribuindo. Somos testemunhas do Reino que chegou com tua presença redentora. Estás insistindo, Senhor, que precisamos manter a postura de missionários, de viajantes, evitando a busca de benefícios pessoais (não levar sacola) e a busca de segurança ou bem-estar (duas túnicas, sandálias, bastão). Ajuda-nos, Senhor, a realizar, ao teu lado, a grande tarefa da evangelização. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra
Dedique uma prece especial, hoje, pela missão da Igreja, pedindo que todos, leigos, consagrados e ordenados, estejamos em missão, como Jesus mandou.

Pe. João Carlos Ribeiro - 12.07.2018

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