27 março 2018

MESTRE, SEREI EU?


Combinaram, então, trinta moedas de prata (Mt 26, 15)
28 de março de 2018.
Judas Iscariotes negociou com as autoridades do Templo. Fechou um preço com os inimigos de Jesus, aquele grupo seleto de anciãos, sumo-sacerdotes e mestres da Lei que estavam no controle do Templo e lideravam o povo de Deus. O serviço era entregar Jesus. Havia uma decisão do Sinédrio de prender e matar Jesus. A dificuldade era que ele estava sempre cercado de multidões que reagiriam a uma eventual prisão. Os soldados do Templo, um corpo militar local  a serviço do Sinédrio, já tinham tentado, mas desistiram. Eles mesmos, ao tentar executar a prisão, ficaram inseguros diante de uma pessoa tão mansa e tão humana quanto Jesus. E além do mais, ele andava sempre com aqueles doze homens, seus apóstolos. E ultimamente não se hospedava na cidade, mas pernoitava fora da cidade, em lugar de acesso difícil e, ao que parece, ao ar livre. Daria certinho, um dos doze o entregaria aos soldados do Templo, à noite. Não haveria reação. O povo nem tomaria conhecimento. Preço ajustado para o serviço: 30 moedas de prata, propriamente 30 ciclos de prata.
Trinta moedas de prata é uma cifra simbólica. No livro do Êxodo, estava previsto o preço de um escravo: 30 moedas. Então, não foi à toa a escolha dessa cifra, Judas vendeu Jesus pelo preço de um escravo. Na carta aos Filipenses, Paulo escreveu que Jesus não se apegou à sua condição divina, mas esvaziou-se tornando-se homem e servo, e fazendo-se obediente até à morte de cruz. Ele abaixou-se à condição de servo, de escravo. O evangelista João, ao narrar a ceia da páscoa, narrou que Jesus lavou os pés dos seus discípulos. Era o escravo, o servo que lavava os pés dos seus senhores e de suas visitas. Judas e os homens do Templo acertaram, mesmo sem querer. Jesus fez-se servo, escravo. E o seu serviço maior seria dar a sua vida por nós.
A negociação de Judas lembra uma figura muito especial da história do povo de Deus, a história de alguém muito parecido com Jesus. Você pode ir  fazendo a comparação. José era o mais novo dos doze filhos de Jacó. Andou sonhando que o seu feixe de trigo ficava em pé, enquanto os feixes dos seus irmãos se inclinavam para ele. Os irmãos entenderam o recado. Ele seria um líder, a quem eles obedeceriam. Começaram a discriminá-lo. Como era o mais jovem, o Pai o amava ainda mais do que os outros filhos. E lhe deu de presente uma túnica bordada, muito bonita. Por isso, os irmãos começaram a odiá-lo. Um dia, o pai mandou José saber como ia o trabalho dos irmãos no campo. Quando os irmãos o viram, queriam matá-lo. Terminaram vendendo-o como escravo. O preço da venda: 20 siclos de prata. E mandaram a túnica manchada de sangue para o pai. Anos mais tarde, o jovem escravo José tornou-se o vice-rei do Egito. E salvou seu pai e seus irmãos da fome que castigou Canaã. Você notou alguma coisa parecida com Jesus? Os 12 filhos – os 12 discípulos, a sua bela túnica – a túnica sem costura de Jesus, a traição dos irmãos vendendo-o como escravo – a traição de Judas, a reviravolta na história do escravo que o tornou vice-rei. E o preço da venda como escravo. A venda por 30 moedas, por Judas, está nos dizendo que a ele foi dado o preço de um escravo. E, que, como na história de José, sua humilhação, sua morte serão superadas pela ressurreição. Passando por essa humilhação, esse escravo chegará a ser o Senhor.
Vamos guardar a mensagem
Os discípulos combinaram com Jesus a celebração da Páscoa. Eles falavam de “comer a páscoa”, pois tratava-se da ceia de páscoa em que seu povo fazia memória da libertação do Egito, a refeição em que se comia o carneiro assado. Acertaram a casa de uma pessoa e preparam tudo. À mesa, Jesus anunciou que seria traído por um deles. Ficou todo mundo assustado. O próprio Judas, com cara de santinho, perguntou a Jesus: “Mestre, serei eu?”. Ele tinha combinado com as autoridades do Templo que entregaria Jesus por 30 moedas de prata. Todo mundo fez a mesma pergunta. Você também deveria fazer esta pergunta, porque todos temos culpa no cartório. A morte de Jesus é culpa de todos e de cada um de nós.
Combinaram, então, trinta moedas de prata (Mt 26, 15)
Vamos rezar a Palavra
Senhor Jesus,
Tu escolheste Judas para ser teu discípulo. Foi uma manifestação de confiança e de amizade muito grande para com ele, como o foi para com os outros onze discípulos. E, mesmo vendo, que aos poucos, Judas estava se afastando de teus ensinamentos, em suas pequenas infidelidades, continuaste prestigiando e estimando teu discípulo. Não o cassaste da função de cuidar da bolsa comum, de ser o tesoureiro do grupo. Não o denunciaste na ceia, como traidor. Ofereceste-lhe um pedaço de pão, como o farias depois com os outros, quando o destes como teu corpo. Até o fim, Jesus, tu foste um amigo fiel. Mas, Judas preferiu guiar-se pelos seus interesses pessoais, e dar-te as costas, aliando-se aos teus inimigos. Livra-nos, Senhor, de agir como Judas Iscariotes. Dá-nos a graça de acolher o teu amor e de imitar a tua paciência e a tua fidelidade para com os pecadores.  Seja o teu santo nome bendito, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Judas Iscariotes vendeu Jesus por 30 moedas de prata. Você poderia, hoje, simbolicamente em reparação, fazer uma lista de 30 palavras sobre Jesus, no seu diário espiritual.

Pe. João Carlos Ribeiro – 27.03.2018