13 março 2013

Aguardando um novo Papa


A renúncia do Papa, a expectativa do Conclave e a sua realização e a eleição do novo Pontífice fazem desse momento da história um tempo muito especial, único. E podemos viver esses momentos de mudança na liderança da Igreja como um momento de graça ou, ao contrário, como um tempo de incerteza e inquietação.

Há um risco de se atravessar esse período de transição como um tempo de suspeitas, desconfianças, especulações eleitorais. E isso é tudo o que a grande mídia quer. Ela trata do assunto com a vulgaridade das disputas eleitorais a qualquer nível de governo, analisando tendências, insinuando divisões, conjecturando os próximos lances de um jogo imaginário.
É verdade que em matéria de humanidade, também a eleição de um Papa tem sua feição política, mesmo contida pela legislação canônica que busca preservar o discernimento da vontade de Deus. Mas essa não é uma eleição de um Presidente de República, em que diferentes projetos político-partidários estão em disputa pelo poder.

A Igreja não é apenas uma sociedade humana, é o povo de Deus conduzido pelo próprio Deus. É o corpo místico de Cristo, cuja cabeça e comando é ele mesmo. A Igreja é o povo redimido por Cristo, cujo animador maior é o Espírito Santo de Deus. Mesmo em sua feição humana e temporal, ela é o mistério maravilhoso da comunhão de Deus com a humanidade que Jesus conquistou por sua morte e ressurreição. É Deus mesmo quem nos dirige pelas mãos dos pastores que ele põe à frente do seu rebanho. Então, esse momento de mudança de Papa tem que ser vivido no mergulho no mistério da Igreja, onde resplandece a presença e a liderança do único pastor, Jesus Cristo.

A eleição de um Papa é um momento de graça. Esse clima da escolha de um pastor universal segundo o coração de Cristo, para ser bem vivido, nos pede oração. Não pode resvalar em um debate eleitoral, como se se tratasse da eleição de um país chamado Vaticano. Trata-se de todos nos colocarmos em condição de escuta, nós e os cardeais do Conclave: escutarmos Deus, darmos a ele a palavra final. Nisso consiste a vida cristã: obediência e acolhimento da vontade de Deus. "Seja feita a vossa vontade, não a nossa".

Então no Vaticano não há problemas? Há problemas em todo grupo humano. Já havia disputas de poder desde o primeiro grupo de apóstolos que Jesus organizou. É a nossa condição humana, frágil, pecadora. Mas, a vitória sempre foi da graça, da santidade de Deus, que nos conduz pelas mãos de frágeis instrumentos humanos. Tem sido sempre assim na história da salvação.

Deixemos esse negócio de pensar a mudança de Papa como um tempo de intrigas, de maledicência e suspeitas lançadas contra nossos próprios pastores pra quem não tem fé, nem amor à Casa de Deus, para quem não vê além do horizonte de nossa pobre humanidade.

Essa hora nos pede maior maturidade, enquanto seguidores de Cristo e membros de sua Igreja. Esse é um tempo de graça, em que tocando a fragilidade de nossa condição humana, nos colocamos nas mãos de Deus, seguros que é ele o nosso Pastor. Não estamos órfãos. "O  Senhor é o Pastor que me conduz, nada me falta". Não nos deixemos enredar nessa forma laica e descomprometida da grande imprensa, louca para reduzir a Igreja a um grupo decadente e desautorizado. Mas a Igreja é infinitamente mais do que a sua organização histórica permite ver. Ela é a grande comunidade dos crentes, a nossa mãe, a barca de Pedro capitaneada pelo próprio Cristo e Senhor.

Pe. João Carlos Ribeiro – 28 de fevereiro de 2013