20 março 2018

CONFIANÇA EM DEUS NO SOFRIMENTO E NA PROVAÇÃO

Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado (Jo 8, 29).

20 de março de 2018.

É, estava difícil. Por mais que Jesus explicasse, eles não queriam entender, não queriam aceitá-lo. O clima de resistência e rejeição vai crescendo em torno de Jesus. Está chegando a hora da paixão. No fim, os seus próprios discípulos estarão em dúvida e irão deixá-lo só.

Na passagem de hoje, no evangelho de São João, mesmo num clima tão adverso, Jesus afirma sua confiança no Pai que o enviou, que o sustenta, que estará sempre ao seu lado. “Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. E Jesus está certo do apoio do Pai, porque ele está sempre em comunicação com ele pela oração e porque está sempre fazendo a sua vontade.
Ainda assim, você pode pensar: mesmo com toda confiança em Deus, na cruz, Jesus se sentiu só e abandonado. Na cruz, pelas três da  tarde, gritou em alta voz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”. É uma palavra que impressiona, uma oração no meio da agonia da asfixia e das dores lacerantes naquela cruz, depois de uma noite de flagelação e maus tratos e de um dia de humilhações e sofrimento físico. Também ali na cruz, ele está em oração. É uma oração que brota de sua dor e de seu sentimento humano de quem se sente traído, evitado, execrado. Sofre pelas dores físicas, sofre ainda mais pelo que a crucifixão representa: a condenação de sua vida, o abandono dos seus amigos, o medo que dispersa o seu pequeno rebanho. Ele se sente só e abandonado. Mas, ali, ao pé da cruz, está um grupo de mulheres fiéis e o discípulo mais jovem.  Ali está também a sua mãe. O Pai o assiste, silencioso, ele sabe disso, num silêncio doloroso.
A oração de Jesus não é uma oração de revolta, mas uma oração de confiança. Reclama ao Pai, porque o sabe presente. Ainda mais que essas suas palavras brotam do Salmo 21 (22). E, apesar desse refrão tão forte – Meu Deus, porque me abandonaste – este salmo celebra a defesa que Deus faz do seu servo sofredor e a confiança nele.
Vamos guardar a mensagem
Nós - seguidores de Jesus, seus irmãos e irmãs - também passamos por muitas dificuldades, problemas, fracassos, perseguições. Nós nos encontramos, por vezes, na mesma condição de Jesus, que foi incompreendido e perseguido. Se nossas provações forem vividas em comunhão com Deus e se estivermos de fato fazendo a vontade de Deus, então essa confiança de Jesus no Pai pode ser também a nossa. E de onde vem essa confiança de Jesus? Jesus faz referência permanente a Deus, o seu Pai. Ele confere o seu caminho, permanentemente,  pela oração. Conhece o Pai, sabe que ele é fiel, que o ama, que sempre estará ao seu lado. Você também pode ter os mesmos sentimentos de Jesus, como São Paulo nos recomendou. Fortaleça, no seu coração, a convicção que Deus, na sua imensa misericórdia, por causa do seu filho Jesus, ama você, é eternamente fiel e sempre estará ao seu lado.
Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado (Jo 8, 29).
Vamos rezar a Palavra
Rezemos com as palavras do salmo 21(22):

Meu Deus! Meu Deus!
Por que me abandonaste?

Por que estás tão longe de salvar-me,
tão longe dos meus gritos de angústia?
Meu Deus!
Eu clamo de dia, mas não respondes;
de noite, e não recebo alívio!
Tu, porém, és o Santo,
és rei, és o louvor de Israel.
Em ti os nossos antepassados
puseram a sua confiança;
confiaram, e os livraste.
Clamaram a ti, e foram libertos;
em ti confiaram, e não se decepcionaram.
Tu, porém, Senhor, não fiques distante!
Ó minha força, vem logo em meu socorro!
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Vamos viver a Palavra
Neste momento, em vários lugares do nosso país, há claros sinais de perseguição à Igreja. Reze por esses irmãos, bispos, padres e leigos, para que, nesta provação, permaneçam firmes e fiéis.

Pe. João Carlos Ribeiro – 19.03.2018

Nenhum comentário: