15 janeiro 2018

QUANDO O SÁBADO VIRA UM FARDO

MEDITAÇÃO PARA A TERÇA-FEIRA, DIA 16 DE JANEIRO DE 2018.
O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado (Mc 2, 27).
Uma boa lei surge para assegurar um direito, para facilitar a vida das pessoas, para prevenir de coisas ruins. Não é assim? Uma lei, uma norma é uma coisa boa, quando ela vem para isso. Assim são as leis ou normas religiosas. Elas vêm para assegurar o direito das pessoas. No exílio, quando o povo trabalhava feito escravo na Babilônia, enfatizou-se muito a lei do sábado. O povo começou a pensar assim: ‘Deus mandou a gente descansar no sábado. Não podemos trabalhar nesse dia. Repousando no sábado, nós imitamos o próprio Deus que descansou no sétimo dia da criação’.
Na volta do exílio, essa norma foi ficando cada vez mais complicada: nada de andar muito nesse dia, de cuidar da casa, de viajar... e, sobretudo, nada de trabalhar ou fazer qualquer esforço físico. Resultado: o que era uma lei para libertar virou um peso, um fardo, uma coisa limitadora demais... No final das contas, Deus ficou com a imagem de fiscal da lei. O povo pensava:  ‘Foi ele que nos deu esse mandamento. Ele vai ficar muito bravo se a gente não cumprir a sua lei’.
No tempo de Jesus, a lei do sábado era assim, sobretudo pela cobrança dos fariseus, que eram os mais praticantes da lei de Moisés. E eles estavam de olho em Jesus e no seu grupo. Viram, um dia, que, num deslocamento em dia de sábado, os discípulos colhiam algumas espigas de trigo pelo caminho para comer... Pronto, bastou isso. Estavam trabalhando num dia de sábado. Ficaram horrorizados. Estão fazendo em dia de sábado o que não é permitido. Estão ofendendo a Deus e a sua lei.
Jesus era muito paciente. Explicou, com jeito, que Davi também transgrediu a lei, sem culpa. Seus soldados comeram os pães oferecidos a Deus no Templo, coisa proibida. Mas, eles estavam com fome. A necessidade de um ser humano vem antes da norma.  A lei foi feita para o homem. Não o homem para a lei. A lei é para ajudar, para garantir o bem das pessoas, mas, não pode ser absolutizada.  Ao passar do tempo, pode ser que elas percam o seu foco e a sua utilidade e se tornem um fardo desnecessário e opressor. O bem da pessoa humana é que é a referência fundamental. As leis podem ser revistas, repensadas, reeditadas. Deus nos deu inteligência pra isso.
Vamos guardar a mensagem
O sábado, que era uma lei para libertar o povo tornou-se um fardo pesado, oprimindo as pessoas. E tudo em nome de Deus. Mas, Deus não é um carrasco, um legislador autoritário. Deus quer o bem dos seus filhos. As normas foram surgindo pelas necessidades humanas,  mas não somos servidores da norma, da lei. Somos servidores de Deus que quer a felicidade dos seus filhos. A pessoa humana está acima da lei. É verdade, não somos anarquistas. Precisamos de leis. Prezamos a legislação. Mas, precisamos nos empenhar por boas leis. E ficar atentos quando a lei deixa de nos servir para nos oprimir.
O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado (Mc 2, 27).
Vamos acolher a mensagem em prece
Senhor Jesus,
A lei do sábado era uma coisa sagrada, vinha da Escritura e da experiência de todo um povo. Foi feita para libertar as pessoas da exploração do trabalho e do esgotamento de quem trabalha sem parar. Só o trabalho livre e criativo pode ser um louvor a Deus. No teu tempo, Jesus, as pessoas estavam vivendo oprimidas pela lei do sábado. Não era mais para libertar, era para cercear a liberdade, para ser um instrumento de controle da vida das pessoas. Foi aí que tu recolocaste as coisas no lugar: ‘A lei é para o homem, não o homem para a lei’. Hoje, temos a tal Lei do mercado. Sacrifica-se o trabalhador pelo desemprego, submetendo a pessoa humana à Lei do Mercado. Não pode ser. O mercado é para o homem, não o homem para o mercado. Ajuda-nos, Senhor, a sermos senhores das leis, não escravos delas. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver na palavra
Nós cristãos, por causa da ressurreição de Cristo, guardamos o domingo como dia de descanso e oração. O seu domingo tem sido de descanso e oração? Assunto para o seu caderno de anotações ou o seu diário espiritual.

Pe. João Carlos Ribeiro – 16.01.2018

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