08 janeiro 2018

O PREGADOR E A PALAVRA


MEDITAÇÃO PARA A TERÇA-FEIRA,
09 DE JANEIRO DE 2018.
Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade (Mc 1, 22)
E o povo se admirava da Palavra de Jesus. Era um ensinamento com autoridade. Não era como a palavra dos mestres da Lei. Era uma palavra como a do Criador da primeira página da Bíblia. Ali, Deus falava e tudo acontecia. Disse e tudo foi feito. Ou como explicou Isaías: a palavra de Deus é como a chuva: não volta sem cumprir sua tarefa. A chuva que desce do alto rega os campos, enche as barragens, faz os rios transbordarem. Assim é a palavra de Jesus: realizadora como a palavra do Criador, eficaz como a chuva que vem do alto. O povo de Cafarnaum sentia isto: ele falava com autoridade.
E isso ficou muito mais claro, quando eles viram que o pregador Jesus não só anunciava o Reino. Mas, sua palavra denunciava o mal. E libertava as pessoas dele. Foi assim que um homem em sua Sinagoga, naquele sábado, apareceu possuído por um espírito mau. A palavra de Jesus acaba por revelar o mal, desmascará-lo. Ele está ali escondido, oprimindo a pessoa, sufocando-a, asfixiando-a. A Palavra o desmascara. E é assim que o homem é libertado. Jesus maneja a palavra para libertá-lo: ‘sai, retira-te deste homem’. O povo admirado tem confirmada sua primeira impressão: ele ensina com autoridade. Sua palavra liberta as pessoas.
No tempo de Jesus, o diabo era o culpado por tudo. Uma febre, era um diabo. Uma doença mental, obra do tinhoso. Uma doença, uma possessão. Depois de 21 séculos, a ciência, o bom senso, o conhecimento ensinam que há outras causas para a doença. O diabo não é o culpado de tudo que há de errado. Ele continua a ser uma referência para o mal. Mas, opressão, humilhação das pessoas, preconceito que desrespeita os outros... tudo isso é nossa culpa mesmo.
Há muitas forças que dominam, exploram, oprimem.... pessoas são massacradas, espoliadas, reduzidas... o homem possuído é a imagem deste tipo de pessoas. O mal que possui uma pessoa pode chamar-se droga, preconceito, violência, desrespeito à dignidade humana.
Vamos guardar a mensagem
O que o evangelho continua anunciando é que de todas as opressões, a palavra de Jesus é uma força para nos libertar. Não é simplesmente uma palavra a mais. Ela é a Palavra criadora de Deus que nos recria, nos restaura, nos liberta. É a palavra libertadora de Deus em nossa vida. É triste ver alguns cristãos correndo atrás de milagres, de curas, de exorcismos. Seria mais bonito vê-los, movidos pela força do Evangelho, movimentando-se para  apoiar a organização popular, as lutas dos trabalhadores, as ações de sustentabilidade da vida no planeta. Jesus, nas páginas da Escritura, aparece como o libertador do mal, de todo o mal: do pecado, da morte, do individualismo, da indiferença, da injustiça, da opressão.  É, as pessoas tinham razão. Jesus falava com autoridade. Sua palavra comunicava o amor de Deus que restaura e liberta as pessoas.
Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade (Mc 1, 22)
Vamos acolher a mensagem com uma prece
Senhor Jesus,
Como lemos, na passagem de hoje, tua fama se espalhou por toda parte, por toda a Galileia. Nas sinagogas onde ias aos sábados, as pessoas  te escutavam maravilhadas. Ou também quando as reunias no campo ou à beira mar,  elas escutavam teus ensinamentos com grande prazer. E até comparavam tua palavra com a dos mestres da Lei. Experimentavam que tu ensinavas com autoridade. E ficamos pensando, por que tinham essa impressão? Claro, porque não ensinavas como os mestres que aprenderam nos livros. Falavas a partir de tua vinculação com o Pai, de tua comunhão com ele. E não procuravas agradar com um palavreado difícil e requintado. Contavas histórias, falavas a partir de coisas e fatos do dia-a-dia do teu povo. E mais: tua Palavra libertava as pessoas. Obrigado, Senhor, porque é a tua mesma palavra que pronunciaste ontem na Galileia que nos chega hoje, ecoando forte e calorosa aos nossos ouvidos.  A tua Palavra nos comunica vida. Nos liberta. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver a palavra que meditamos
Vou lhe dar uma dica simples, só para ajudar você a deixar-se iluminar mais pela palavra de hoje. Onde anda sua Bíblia? Hoje, deixe-a bem à mostra. Na sua mesa de trabalho, ou na sua mesa de refeição... ‘desentoque’ a sua Bíblia. E, se por acaso, você não tiver uma boa bíblia, decida adquirir uma o mais breve possível.

Pe. João Carlos Ribeiro – 09.01.2018