16 janeiro 2018

A MÃO E O SÁBADO

MEDITAÇÃO PARA A QUARTA-FEIRA, DIA 17 DE JANEIRO
Jesus lhe disse: Estende a mão. Ele a estendeu e a mão ficou curada. (Mc 3, 5)
Olhe bem pra suas mãos. Olhou? Agora, me responda? O que as mãos representam? Mais uma chance. Olhe bem pra suas mãos... Olhou? E se suas mãos fossem defeituosas, haveria algum problema? Veja se você concorda comigo: As mãos representam a nossa capacidade de trabalhar, de ganhar o pão de cada dia. Claro, elas representam mais do que isso. Mas, com as mãos defeituosas vai ficar muito difícil você construir uma casa, fazer uma limpeza, digitar um texto, dirigir um carro, fazer o almoço... está vendo? As mãos têm a ver com o trabalho.
Se isso é verdade hoje, mais ainda no tempo do povo da Bíblia. O povo trabalhava no campo, na lavoura ou nas criações de gado ou ovelhas, na pesca, no artesanato... Com um defeito nas mãos, a pessoa estava impossibilitada de ganhar o pão de cada dia. Bom, até aqui estamos de acordo. Então, vou lhe fazer outra pergunta: você notou, pela meditação de ontem e pelo que você já sabe, que a lei do sábado, no tempo de Jesus, tinha a ver com o trabalho? Claro, você se lembra. Visava defender o trabalhador da exploração do trabalho e do esgotamento de quem trabalha sem um dia de folga na semana. Claro, que isso tem um sentido religioso. Só um povo senhor do seu trabalho pode render glórias a Deus com a sua vida. O descanso semanal associa o trabalhador ao Criador que trabalhou por seis dias e descansou no sétimo. Então, o sábado tem a ver com o trabalho. A queixa no evangelho de ontem – os discípulos tirando espigas de trigo durante a caminhada – era que eles estavam trabalhando, o que não era permitido em dia de sábado.
Já que estamos nos entendendo, vamos ver o texto de hoje. Jesus está na sinagoga de Cafarnaum. É um dia de sábado, claro, dia do culto. E lá ele encontra um homem com a mão seca. Muita gente está de olho nele pra ver se ele vai curar no sábado. Curar é uma forma de trabalho. Para eles, isso não podia. Jesus fez uma pergunta incômoda. Ninguém respondeu. Ele perguntou se sábado era para fazer o bem ou fazer o mal? Ele sentiu a dureza do coração deles e ficou triste e aborrecido. E curou o homem da mão seca. Até aqui, tudo tranquilo. Agora, vamos prestar bem atenção no que ele disse àquele pobre homem.
Ele disse ao homem três coisas: ‘Levanta-te’ – ‘Fica aqui no meio’ – e ‘Estende a mão’. Essas palavrinhas fizeram toda a diferença. LEVANTA-TE! Você sabe, quando alguém se levanta assume uma posição, é um sinal de tomada de decisão. Ele estava sentado. Sentado é um sinal de passividade, de acomodação. Levantar-se é um sinal de desinstalação. De pé é a condição de Jesus ressuscitado. FICA AQUI NO MEIO! Pra que isso? Jesus podia tê-lo curado, sem tirá-lo do canto dele. Mas não, chamou-o para o meio. No centro da preocupação daquelas pessoas estava o sábado, a lei. Mas, no centro devia estar o homem necessitado. Que bela lição. ESTENDE A MÃO! Ele estendeu a mão e ela ficou curada. Se for a pessoa humana em sua necessidade a estar no centro de nossa preocupação, na religião (representada aqui pelo sábado na sinagoga) atua a força de Deus para devolver a dignidade da pessoa humana.  O homem foi restabelecido na sua capacidade de trabalhar, de ganhar o pão de cada dia com as  suas mãos.
Vamos guardar a mensagem
A ação de Jesus nos ajuda a perceber que é necessário deslocar a preocupação com a instituição ou com a lei para a pessoa humana. A pessoa humana é que deve ser o centro das atenções na religião, na economia, na política, em tudo. Na religião cristã, experimentamos a força de Deus que levanta os oprimidos e sofredores, fazendo-os sujeitos de sua história (Levanta-te!), reconhecendo a prioridade de sua situação (Vem para o meio!) e revelando a sua dignidade de filho de Deus (Estende a mão!). Uma fé comprometida com as pessoas, com os humildes, com os portadores de deficiência, com os doentes. Assim, o nosso culto fica verdadeiro. E nosso Deus, mais satisfeito conosco.
Jesus lhe disse: Estende a mão. Ele a estendeu e a mão ficou curada. (Mc 3, 5)
Vamos acolher a mensagem na prece
Senhor Jesus,
Não podemos entender como, depois de tudo o que fizeste, no final do culto na sinagoga, vários saíram combinando te eliminar. Essas pessoas colocavam a Lei no centro de sua vida social e religiosa e não aceitaram o teu ensinamento sobre colocar a pessoa humana no centro. Às vezes, em casa mesmo, nos esquecemos das pessoas e ficamos mais preocupados com a segurança dos bens que temos. E na escola, alguém se preocupa mais com o conteúdo a ser dado do que com os estudantes que estão aprendendo. E até na Igreja, corremos o risco de colocar no centro os ritos que executamos, nos esquecendo do povo que celebra. Obrigado, Senhor, por tuas lições. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos viver na palavra
Hoje, ao lavar as mãos, olhe bem para elas e tente lembrar a história do homem da mão seca. Aproveite e reze pelos desempregados; e para que eles estejam no centro de nossas decisões na Igreja e na sociedade.

Pe. João Carlos Ribeiro – 17.01.2018

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