03 dezembro 2017

LIÇÕES DE UM PAGÃO


MEDITAÇÃO
PARA A SEGUNDA-FEIRA,
DIA 04 DE DEZEMBRO
Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa (Mt 8, 8)
Foi isso que o oficial romano disse a Jesus, lá em Cafarnaum. Ele foi falar sobre o seu empregado que estava de cama, na casa dele, sofrendo com uma paralisia. Olha a resposta de Jesus: “Vou curá-lo”. Foi quando o oficial disse que não era digno que Jesus entrasse em sua casa. Bastaria que dissesse uma só palavra e o seu empregado ficaria curado. Jesus se admirou e comentou com os discípulos que ainda não tinha encontrado alguém com tanta fé no meio do seu povo.
A fé demonstrada pelo oficial chamou a atenção de Jesus, que o apontou como exemplo. Ele veio ao seu encontro, contou-lhe a situação do seu servo e não se achou digno que o Mestre fosse à sua casa. Achou que era suficiente uma palavra de Jesus para a cura do seu empregado. Como ele estava acostumado a dar ordens a seus soldados e a seus servos e ser prontamente atendido, assim sabia que Jesus mandando, a doença obedeceria. Uma fé que não precisava de gestos especiais junto ao leito do doente, só uma palavra e à distância.
Agora, olha a humildade deste homem: uma pessoa importante, um centurião romano, com soldados às suas ordens e escravos lhe servindo em casa. E, mesmo sendo um estrangeiro, estando em posição de poder, no comando de forças de ocupação, está pedindo com humildade a Jesus. Nesta narração de Mateus, ele não manda chamar Jesus. Ele vai pessoalmente pedir a Jesus. E ainda reconhece que não é digno de recebê-lo em sua casa.
Jesus admirou-se com a sua fé. E certamente também com a sua humildade. Como romano, ele era um pagão, servia aos deuses do império. Pelas normas religiosas de então, um judeu contraía uma impureza muito séria ao entrar na casa de um pagão. Ele reconheceu, então, nessa atitude, sua condição de pagão, de alguém longe da santidade do Deus de Israel.
“Eu não sou digno que entres em minha casa”. Esta palavra do pagão, nós a repetimos na Santa Missa. Estando para receber a sagrada comunhão - Jesus mesmo presente no sacramento do pão, nos damos conta, como o romano, que não somos dignos, que é grande demais a graça de recebê-lo em nossa própria morada... Com essa oração, manifestamos nossa fé na presença real de Jesus que vem a nós e imitamos o centurião também na sua humildade.
Além da fé e da humildade, com certeza, outra coisa chamou a atenção de Jesus: a compaixão do chefe militar pelo servo doente. Ele foi interceder por seu empregado acamado, sofrendo terrivelmente com uma paralisia. Compaixão era o que Jesus sempre demonstrava pelos sofredores. Foi o que o oficial romano demonstrou também pelo seu servo. Certamente, foi diante dessa solidariedade com o doente, que Jesus se prontificou a acompanhá-lo à sua casa.
Vamos guardar a mensagem de hoje
No encontro do oficial romano com Jesus, admiramos três coisas que devemos imitar e praticar no nosso encontro com o Senhor: a compaixão que ele demonstrou pelo seu servo; a humildade, com que ele reconheceu sua condição de pagão diante da santidade do Deus de Israel; e a fé, pela qual confiava na autoridade de Jesus para curar o seu servo com uma simples ordem. Nos nossos encontros com o Senhor, na oração, seremos atendidos se nos apresentamos com os mesmos sentimentos do oficial: compaixão pelos sofredores por quem intercedemos; humildade, reconhecendo nossa condição de pecadores diante da misericórdia de Deus; e fé pela qual reconhecemos que Jesus é o Senhor e nosso Salvador.
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece
Senhor Jesus, dá-nos a fé daquele centurião romano que te pediu a cura do seu empregado. Elogiaste a sua grande fé, mesmo sendo ele um estrangeiro e pagão. Precisamos dessa fé , dessa confiança ilimitada no teu amor e no teu poder. Dá-nos, também, Senhor, a sua humildade, ele não se achou digno de receber-te em casa. Que saibamos reconhecer a tua misericórdia em nossa vida. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.
Vamos vivenciar a palavra que meditamos
Hoje, em vários momentos do dia, diga a Jesus, inspirando-se no que disse o oficial romano: “Senhor, eu não digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03. 12. 2017