19 outubro 2017

SABER PARA VIVER E AJUDAR


Ai de vocês, mestres da Lei, porque tomaram a chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e ainda impediram os que queriam entrar (Lc 11, 52)
Uma acusação muito forte, esta, feita por Jesus. Uma acusação contra os mestres da Lei. Quem eram os mestres da lei do tempo de Jesus? Gente que tinha estudado muito as Escrituras Sagradas. Pessoas que tinham frequentado grandes mestres, como Paulo que estudou com um professor muito famoso, Gamaliel. No meio daquela grande confraria que eram os fariseus e também entre os saduceus (duas alas religiosas muito influentes), um grupo tinha muito conhecimento das Escrituras e as explicavam ao povo. Eram os mestres da Lei. Eles tinham muita influência sobre as pessoas, pois conheciam bem os textos sagrados e instruíam o povo sobre como se devia praticar as tradições religiosas.
Jesus logo percebeu que aquela sabedoria toda daqueles homens era usada em vantagem própria: era fonte de muito prestígio para eles e de muito poder sobre o povo. Por isso, teceu muitas críticas sobre eles. Denunciou que eles exibiam santidade, mas por dentro eram violentos e interesseiros. Mais de uma vez, Jesus os chamou de sepulcros caiados. Jesus igualmente chamou a atenção dos seus discípulos para a vaidade e o exibicionismo de suas esmolas, de suas orações em público, de seus jejuns. Eles impunham um grande peso nas costas do povo, com tantas normas a serem cumpridas. Mas, eles mesmos nem de longe as praticavam.
Tanto conhecimento, tanta ciência.... mas, não em vantagem do Reino de Deus, do crescimento do povo, mas, sim, utilizados para manterem-se como uma elite, desfrutando privilégios e desclassificando os mais pobres de iletrados e ignorantes.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Jesus bateu de frente com os mestres da Lei do seu tempo. Denunciou que, com o seu grande saber religioso, eles estavam não só se esquivando do anúncio do Reino de Deus, mas também obstruindo a adesão do povo. É necessário que os nossos ministros estudem e estudem muito para servir ao povo de Deus, com qualidade, com conhecimento, com a segurança da doutrina e a pedagogia de mestres de espírito. Mas, há sempre o perigo desse muito estudo acabar por constituir uma elite apartada da comunidade, disputando privilégios e fazendo desse conhecimento uma fonte de opressão sobre as pessoas. Pior ainda se, pelos títulos acadêmicos conseguidos, o evangelizador chegar a desprezar a fé dos simples e suas expressões religiosas. Aí realmente fica valendo esse “ai de vós” profético de Jesus.
Ai de vocês, mestres da Lei, porque tomaram a chave da ciência. Vocês mesmos não entraram, e ainda impediram os que queriam entrar (Lc 11, 52)
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece
Senhor Jesus,
O teu compromisso com a boa notícia do amor de Deus e com os destinatários dessa boa nova te levaram a anunciar o Reino de Deus especialmente pela proximidade das pessoas. Esse é o mistério da tua encarnação. Tu és o verbo de Deus que se abaixou para nos encontrar em nossa condição frágil e pecadora. Por isso, não querias que os teus missionários confiassem mais nas estratégias do que na força da mensagem. E denunciaste os pregadores que usavam de sua ciência e de seus muitos conhecimentos para reforçarem seus privilégios e destituírem o povo de sua condição de povo amado de Deus. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.  
Vamos procurar praticar a palavra de hoje
O conhecimento da fé é um direito sagrado de todo cristão, não é só competência de um pequeno grupo.  Para vencer uma certa passividade em relação ao conhecimento da fé, deixo-lhe aqui uma sugestão: procure hoje ler ou ouvir alguma coisa a mais sobre a fé cristã.

Pe. João Carlos Ribeiro – 16.10.2016/19.10.2017