04 outubro 2017

O ARADO E A GRAÇA DAS GRAÇAS


Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus (Lc 9, 62)
Nos evangelhos, encontramos textos maravilhosos em que aparece a generosidade de pessoas que foram chamadas a seguir Jesus e largaram tudo para atender ao seu convite.  É Jesus quem chama. Seguir Jesus é uma expressão para indicar a condição de ser seu discípulo, sua discípula. Caminhar com ele, ao lado dele, como muitos faziam, era uma espécie de escola, de tempo de formação e um modelo para toda a vida. Mesmo não andando com Jesus o tempo todo, o discípulo ou a discípula tinha sempre em mente estar caminhando com ele, seguindo os seus passos.
Generosos foram os primeiros discípulos, como narrado nos evangelhos. Aqueles pescadores largaram o barco, o mar, a família e passaram a acompanhar Jesus em suas andanças missionárias. Levi, sentado na coletoria de impostos, deixou tudo, ao ouvir o convite ‘Segue-me’. Mas, nem sempre a resposta foi pronta e generosa por parte de quem foi chamado.
É assim que lemos, no texto de hoje, três casos em que os convidados mostraram-se reticentes e pouco generosos diante do convite para seguir Jesus. Note que, nesse texto, o verbo “seguir” ocorre exatamente três vezes. São três exemplos negativos.
A um que se apresentou para segui-lo, Jesus, por alguma razão, disse-lhe: “As raposas têm tocas. Os pássaros têm ninhos. Mas, eu não tenho nem onde deitar a cabeça”. Está claro. O discípulo não está atrás de segurança e de comodidades. Deve acompanhar Jesus em seu despojamento. Esse tal, pela conversa de Jesus, não estava disposto à vida nômade e sem conforto que Jesus levava.
A um outro, Jesus chamou diretamente: “segue-me”.  E ele arrumou logo uma desculpa para retardar o seu engajamento no movimento de Jesus: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Isso quer dizer que ele adiaria o seu seguimento de Jesus para depois que o seu pai se fosse.  Aí, sim, ele estaria livre, desimpedido... Não, meu amigo, o chamado é pra hoje. “Deixe que os mortos enterrem os seus mortos, mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Anunciar o Reino de Deus é comunicar ao povo uma boa nova, uma notícia maravilhosa. É anunciar a vitória da vida sobre a morte e o mal. O pai dele precisava exatamente desta boa notícia. Não de um ajudante de coveiro.
O terceiro também estava disposto a seguir Jesus, mas queria já uma licença para ir se despedir de sua família. Já estava começando mal. O Reino de Deus pede prioridade e exclusividade.  ‘Busquem em primeiro lugar o Reino de Deus’, ensinava Jesus.  “Quem põe a mão no arado e olha pra trás não está apto para o Reino de Deus”.“Por a mão no arado e olhar para trás” lembra o trabalhador que em vez de olhar pra frente quando está arando a terra, fica olhando para trás e calculando que já fez bastante, que está precisando descansar um pouco pelo muito que já fez, que não sabe se chega até o fim.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Nos evangelhos, são narrados muitos exemplos de pessoas que, sentindo-se chamadas para o seguimento de Jesus, deixaram tudo e prontamente aderiram ao convite do Senhor. O evangelho de hoje, curiosamente, traz três exemplos de convidados que não foram generosos e prontos na resposta. O primeiro estava preocupado com a segurança e as comodidades. Precisava entender o despojamento de Jesus e imitá-lo. O segundo condicionava sua adesão ao convite de Jesus ao final da vida do seu pai. Precisava entender que seguir Jesus é participar da experiência e do anúncio da vida nova, com plenitude e sentido. Esse era o bem maior a fazer ao seu pai. O terceiro pareceu por a família na frente do seguimento de Jesus. Precisava engajar-se no caminho de Jesus com pleno foco. Não ficar olhando pra trás.
“Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”.(Lc 9, 62)
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece
Senhor Jesus,
Esse teu ensinamento sobre ser discípulo, com resposta pronta e generosa tem hoje um exemplo muito especial. É o santo de hoje, São Francisco de Assis. Ele, para seguir o chamado que puseste no seu coração, renunciou o nome de família, renunciou aos seus bens, entregando-se a uma vida de austeridade e anúncio do evangelho com simplicidade e fraternidade. Dom Hélder dizia com propriedade: “Começar é uma graça. Mas, graças das graças é perseverar”. Então, te pedimos, Senhor, essa graça das graças: para não interrompermos o que começamos com tanto entusiasmo em nossa vida cristã, em nossa caminhada de batizados. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 03.10.2017

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