29 outubro 2017

A ENCURVADA QUE SE ENDIREITOU

Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)


Era um dia de sábado. Jesus estava pregando numa sinagoga. E curou uma mulher encurvada. O chefe da Sinagoga não gostou. Achou que Jesus estava fazendo um trabalho que não devia ser feito no dia de sábado. E falou ao povo: ‘Em dia de sábado, não. São seis dias de trabalho na semana, venham nesses dias’. Mas Jesus insistia em curar no sábado. Por quê? Bom, a Obra da Criação, que teve seu ponto alto na criação do ser humano, foi coroada com o descanso de Deus, no sétimo dia, no sábado. Mas, o homem, obra prima de Deus foi desfigurado pelo pecado. Então, era preciso libertar o homem para que a glória de Deus fosse realmente completa. E ‘a glória de Deus é o homem vivo’, escreveu Santo Irineu, um dos primeiros teólogos da Igreja. O ser humano de pé é glória para Deus, gente de cabeça erguida, não de cabeça baixa, humilhada, desfigurada. Esse sim manifesta a glória de Deus, de quem é a imagem. O sétimo dia, o sábado da Bíblia, é o dia da glória de Deus, da obra de Deus perfeita, restaurada. É o trabalho de Jesus.

Agora, vamos prestar atenção num detalhe. Há 18 anos, a mulher vivia assim, encurvada. Dezoito anos. E a sua cura foi a vitória de sua dignidade de pessoa, imagem de Deus, como se fora a sua ressurreição. Vamos ver o simbolismo desse número. Jesus ficou três dias no sepulcro. Ressuscitou de cabeça erguida, vencedor do mal, do pecado e da morte. A mulher já estava assim há 18 anos. 18 é 6 x 3. Três, a conta certa, o tempo completo. Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Seis, o falho, o enganoso, o incompleto. 6 x 3. Esgotou-se o tempo. Chegou a ressurreição ao terceiro dia. O homem e a mulher de pé, ressuscitados: essa é a obra de Jesus. Ele veio nos restaurar, nos libertar. De gente alquebrada pela humilhação e pelo sofrimento, nos faz gente de cabeça erguida, gente digna, vitoriosa, feliz.

No texto, está dito que um espírito a fazia doente esse tempo todo. Temos que fazer um desconto: o povo de Jesus achava que toda doença era uma obra de um espírito mal. Mas, de verdade o sofrimento, a humilhação, a violência geram pessoas fisicamente cabisbaixas, encurvadas. O evangelho de hoje está nos ensinando que a obra de Jesus é a restauração da pessoa humana. Ele ‘conserta’ a obra prima de Deus arrebentada pelo pecado (o próprio ou o dos outros). Ele nos liberta de tudo o que tira nossa dignidade de filhos de Deus.

Vamos guardar a mensagem de hoje

Num sábado, numa sinagoga, Jesus cura uma mulher encurvada. As lideranças da comunidade consideram que não se pode fazer esse trabalho em dia de sábado. Mas, Jesus aparece sempre curando no sábado. O sábado é o dia de dar glória a Deus. E a glória de Deus é ver seus filhos libertados e felizes. Jesus está restaurando o homem decaído pelo pecado. A obra de Jesus, o seu trabalho, é esse mesmo: nos conduzir da morte para a vida, nos ressuscitar para vivermos na dignidade de filhos e filhas de Deus. Há muita coisa que oprime as pessoas: a violência doméstica, a falta de oportunidades, o trabalho escravo, a prostituição infantil, o preconceito... Sobre tudo isso, nossa fé em Cristo nos faz vitoriosos. Com ele, trabalhamos para erguer os encurvados.

Jesus colocou as mãos sobre a mulher encurvada, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus (Lc 13, 13)

Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece

Senhor Jesus,
Recordamos-te, hoje, todos os que estão na situação de encurvados, humilhados pelo desemprego, pela miséria, pelo abandono, pela violência. Concede-nos viver, com destemor, a dignidade de filhos e filhas de Deus, em solidariedade com todos os que precisam do nosso apoio, de nossa consciência cidadã, de nossa caridade cristã. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Vamos praticar a Palavra que meditamos

No dia de hoje, tente identificar alguma pessoa “encurvada” no seu convívio e veja se você pode ajudá-la a não perder a esperança e a não se deixar vencer pelo desânimo.

Pe. João Carlos Ribeiro – 29.10.2017