04 setembro 2017

UM FIEL FREQUENTE

Conforme seu costume, Jesus entrou na Sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura (Lc 4, 14)
O evangelho dá notícia que Jesus ensinava nas Sinagogas da Galileia e era muito elogiado pelo povo. A Galileia é a região onde estava o povoado de Nazaré, onde ele tinha se criado. E é na Sinagoga de Nazaré que ele está, no evangelho de hoje.
Temos, nesse evangelho, uma cena de uma celebração matinal em uma Sinagoga, a de Nazaré. Jesus está presente, faz a leitura e está pregando. O livro santo é um rolo do profeta Isaías. E Jesus lê uma passagem que se refere à sua missão. A primeira reação das pessoas é de admiração pelas palavras de Jesus. Depois, a atitude de comunidade foi de rejeição, infelizmente.
Está escrito que “conforme seu costume, Jesus entrou na Sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura”. Prestemos atenção a essa observação: “conforme seu costume”. Era, então, uma prática habitual sua, um costume, ir à Sinagoga aos sábados participar da celebração. Vindo a esse mundo, nascendo no seio do povo judeu, o nosso Jesus aprendeu com os seus pais e sua família a participar com assiduidade do ritmo religioso do seu povo. Templo, para oferecimento de sacrifícios, só existia um, em Jerusalém. E para lá os fieis se dirigiam em peregrinação em três festas durante o ano, sobretudo na festa da páscoa. Nas cidades e povoados maiores, havia as sinagogas, casas de culto onde os judeus se reuniam, sobretudo para ouvir os textos sagrados, cantarem os seus hinos e fazerem suas orações. O dia santo do povo judeu era o sábado, como recordação da criação do mundo, o dia em que Deus contemplou sua obra e viu que tudo estava bem feito.
E eu estou chamando a atenção de vocês para essa observação do evangelista: “Conforme seu costume, Jesus entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura”. Vemos um jovem comprometido com a sua comunidade de fé, fiel às tradições religiosas do seu povo. E, mesmo sendo o filho de Deus, está integrado numa prática religiosa, valorizando e participando das celebrações de sua comunidade. Claro, nós não somos judeus, embora conservemos no AT os seus livros sagrados. Guardamos o domingo, por causa da ressurreição de Jesus que foi nesse dia, mas conservamos o ritmo de celebrações semanais em nossas igrejas.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Um bom seguidor de Jesus o imita nesse zelo pela participação semanal em sua comunidade religiosa, para ouvir a Palavra de  Deus e celebrar a Ceia do Senhor. Isso tem que ser um hábito, um compromisso semanal. Sem esse ritmo, nossa vida cristã se alimenta vagamente e ocasionalmente. O resultado é uma vida espiritual fraca, apagada e desligada do ritmo litúrgico da Igreja. E isso é pra você. Aprenda com Jesus. Ele não faltava, aos sábados, à reunião da Sinagoga. Observe ainda como ele não apenas era um fiel presente, mas uma pessoa ativa que assumia tarefas na celebração. É o que lemos hoje: Levanta-se para ler, e, depois, comenta a palavra lida, como era costume os leigos fazerem.
Conforme seu costume, Jesus entrou na Sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura (Lc 4, 14)
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece
Senhor Jesus,
Meditando o modo com que habitualmente frequentavas a sinagoga, aos sábados, aprendemos a ter um grande amor pela Igreja onde fazemos parte ou onde devíamos participar. Queremos aprender contigo, Senhor, esse zelo pela Casa de Deus, que é a casa da comunidade e essa fidelidade na presença semanal na celebração. Ajuda-nos, Senhor, a vencer a preguiça e a acomodação. Ensina-nos a amar a palavra Santa de Deus, a respeitar e querer bem aos nossos ministros. Que no Livro da Vida, possa ficar escrito sobre cada um de nós: “Conforme o seu costume, esse filho de Deus (ou essa filha) estava na Igreja todo domingo e participava, inclusive com tarefas na liturgia”. O teu exemplo e a tua graça, Senhor, nos sustentem no caminho do Reino. Amém.
Pe. João Carlos Ribeiro – 03.09.2017