02 setembro 2017

SEU REINALDO

Como tu foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. (Mt 25, 21)
Você já vendeu rifa, alguma vez? Quem não vendeu, não é verdade. No trabalho de comunidade, tem sempre uma rifa... Uma vez, na comunidade onde eu trabalhava, fizemos uma rifa de um carro. Bom, um carro velho, mas um carro. Estávamos construindo uma Capela. E combinamos essa rifa para levantar recursos para a construção. Fizemos os talões. E saímos convencendo as pessoas de boa vontade a nos ajudarem a vender. Alguém se prontificou a passar 100 bilhetes. A maior parte ficou mesmo com um talão de 50 bilhetes. Mas, seu Reinaldo cismou que só tinha tempo para passar 10 bilhetes. ‘Tudo bem, vamos trabalhar!’ Fizemos muita divulgação, conseguimos até um carro de som para circular nas ruas da comunidade.  Afinal, chegou o dia do sorteio do carro. Bom, dia de prestação de contas. Quem pegou 100 bilhetes trouxe o dinheiro que arrecadou. Vendeu todos os bilhetes. ‘Oh irmão, Deus abençoe você, multiplique seus negócios. Muito obrigado’. Quem pegou 50 bilhetes vendeu tudo... cada um contava sua história de persistência, de convencimento, de conquista. ‘Oh irmã que bênção o seu compromisso com a comunidade. Muito obrigado’. Chegou Seu Reinaldo, aquele que só podia vender 10 bilhetes. ‘Traga o dinheirinho pra cá, Seu Reinaldo’. Seu Reinaldo – oh meu Deus! – trouxe os bilhetes de volta. ‘Não deu, não tive tempo, o povo já está enjoado de tanta rifa’. Na comissão, um olhou pro outro, com ar de reprovação e desencanto. Foi Seu Reinaldo sair da sala, começou a ladainha:  ‘Oh sujeito preguiçoso, meu Deus! Oh cara sem compromisso com a comunidade. Oh que raiva desse Seu Reinaldo!”. Cada um desabafou como pode. Se dependesse de Seu Reinaldo, a Capela não tinha saído. Mas, saiu, ficou bonita. Chamamos o bispo pra abençoar. A inauguração foi um dia de festa e de alegria.
A história que Jesus contou, no evangelho de hoje, bem que se parece com a de Seu Reinaldo. Jesus contou que um homem, antes de viajar para o estrangeiro, confiou seus bens a seus empregados.  Cada um recebeu uma parte do seu capital e devia lhe prestar contas na volta de sua viagem. Um recebeu cinco talentos; outro, dois talentos e outro, um talento. Só para lembrar: um talento é uma boa quantidade de dinheiro. O que recebeu cinco arregaçou as mangas e investiu o dinheiro em novos negócios e conseguiu dobrar a quantia. O que recebeu dois, também. Só o que recebeu um, achou que a coisa era difícil, que não iria dar certo, que era arriscado negociar com dinheiro dos outros, preferiu enterrá-lo no chão, por segurança, para devolvê-lo na volta do patrão.
Na hora da prestação de contas, o patrão ficou aborrecido com esse seu empregado.  Chamou-o de servo mau e preguiçoso. Reclamou muito e o pôs pra fora. Mas, ficou muito satisfeito com o que os outros dois conseguiram: eles trabalharam, se mexeram e conseguiram dobrar a quantia recebida. O patrão elogiou o seu procedimento e confiou-lhes muito mais.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Essa parábola de Jesus é uma representação de nossa vida. Deus nos confiou talentos em quantidades diferentes: qualidades, capacidades, oportunidades. Cabe-nos, com  esforço e fidelidade, investir esses recursos que ele nos disponibilizou,  multiplicar o que recebemos. Afinal, daremos conta do que recebemos. Mesmo que alguém tenha recebido menos que outros, não está certo acomodar-se e enterrar o seu talento. Não fazer como Seu Reinaldo. Ele, com a desculpa de não ter tempo, por medo ou por preguiça, deixou de participar, de oferecer sua parte.
Como tu foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. (Mt 25, 21)
Vamos acolher a mensagem da Palavra com uma prece
Senhor Jesus,
sendo fiéis no pouco, muito mais nos darás. O que nos deste para viver, para enfrentar a vida é o necessário para começarmos. Muitas outras oportunidades,  receberemos se formos fiéis, se estivermos comprometidos em multiplicar o que recebemos de tuas mãos.
Dá-nos, Senhor, viver em espírito de fé, com o coração cheio de gratidão pelo que recebemos e na confiança de que nunca nos abandonas.
Abençoa, Senhor, os irmãos e as irmãs que, nestes dias, vivem em grande aflição… que aprendam a confiar em ti e na Providência Divina; que se sintam hoje protegidos e abençoados por tua Palavra. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre.
Amém.
Pe. João Carlos Ribeiro – 02.09.2017
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