13 setembro 2017

EU NÃO QUERO FICAR DE FORA

Bem-aventurados vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês! (Lc 6, 20)

Jesus anuncia o Reino de Deus. É uma boa notícia, uma excelente notícia. O que Deus tinha começado com a aliança com a comunidade Israel, agora entrava num novo capítulo. Deus se aproximou ainda mais e ficou bem pertinho do seu povo. No seu filho, feito homem, abriu as portas de sua casa para todos os seus filhos. Em Jesus, Deus está integrando na comunhão de sua casa, todos os que ficaram pelo caminho, os que se afastaram de casa, os que foram deixados do lado de fora. Um tempo novo está começando.



Jesus dá esse aviso ao povo. Chegou o Reino de Deus. Para comunicar isso ele conta parábolas a esses filhos de Deus dispersos. Eles são as ovelhas perdidas da casa de Israel. São os filhos mais jovens que largaram a família e estão se dando mal num lugar distante. São os famintos atraídos por sua amizade, por sua palavra e por seu pão. São os enfermos que querem tocar nas suas vestes para alívio de seus sofredores. Esses são os filhos de Deus dispersos. Chegou o Reino de Deus para eles.

Todo tempo novo tem seu manifesto. Num certo momento, Jesus proclamou o manifesto do Reino. São as bem-aventuranças. Delas, temos duas versões, a de Mateus e a de Lucas. Na que lemos hoje, a de Lucas, há uma lista de 4 tipos de bem-aventurados e 4 tipos de mal-aventurados. Quatro, na Bíblia, é um número de totalidade. Todos estão contemplados nessas listas. Nós também.

Os bem-aventurados são os cidadãos do Reino de Deus, aqueles que não tinham sido convidados, mas agora estão sendo convocados e reunidos das praças e de todos os caminhos. Eles têm quatro representantes: os pobres, os famintos, os entristecidos, os perseguidos. Esses são os cidadãos do Reino. O Reino para eles é mudança completa de sua condição. É a sua herança, a fartura de pão, a festa da alegria, a recompensa de profeta.

Os mal-aventurados são os convidados que não compareceram à festa de casamento do filho. Eles se excluíram. Todos esses estão representados por quatro categorias: os ricos, os fartos, os gozadores, os aplaudidos. São falsos profetas. Vai ser muito ruim pra eles terem rejeitado a oferta do Reino de Deus. Ai de vocês, diz Jesus, à moda dos velhos profetas de Israel. Vocês se fecharam à novidade do Reino. Vocês estão consolados, fartos, felizes, aplaudidos. Preferiram a segurança da própria situação ao Reino. Mas, essa é só uma máscara. A verdade definitiva é o amor de Deus, o seu Reino.

Nessas bem-aventuranças de Lucas, Jesus diz “felizes vocês...” e “ai de vocês”. Então, os bem-aventurados e o mal-aventurados estão ali presentes. Estão aqui presentes. O convite está feito. A adesão é possível para quem se faz como criança, disse Jesus em outra ocasião. Despojar-se de toda grandeza, de toda auto-suficiência, de todo apego ao prestígio e ao poder. Isso é o que ele falou desde o início: a conversão.

Vamos guardar a mensagem de hoje

As bem-aventuranças são o manifesto do Reino de Deus. Nelas, Jesus define, com clareza, quem são os cidadãos do Reino. E quem não lhe pertence. A condição de necessitado, de carente, de perseguido já lhe põe na porta da Casa do Pai. O Reino é a sua riqueza, a sua alegria, a sua recompensa. Já está fora quem está satisfeito com a própria riqueza e a própria fartura. Não tem fome de Deus. Não tem fome de fraternidade.


Bem-aventurados vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês! (Lc 6, 20)

Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece

Senhor Jesus,
Dividiste os teus ouvintes em dois grupos, o dos bem-aventurados e o dos mal-aventurados. Entendi que na condição de autossuficiência, me excluo do Reino, porque não me parece necessário o amor do Pai, o seu pão, a sua festa, a sua recompensa. Na minha condição de grandeza, não preciso do irmão, do seu pão, do seu respeito, do seu amor. Fico fora do Reino. E isso é não quero. Ajuda-me, Senhor, a tomar o caminho do filho pródigo que, reconhecendo sua indigência, foi acolhido com o caloroso abraço do Pai. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 12.09.2017 
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