19 setembro 2017

É ASSIM QUE VOCÊ TEM QUE SER


Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo (Lc 7, 16)
Jesus entrou na cidade de Naim. Chegou acompanhado dos discípulos e de muita gente que o seguia. Encontrou um enterro saindo da cidade. Uma situação de dor e sofrimento: uma viúva que perdera seu único filho, um jovem. Consolou a pobre senhora. Parou o enterro, mandou o moço levantar-se. Comoção, júbilo, festa. Deus visitou o seu povo: concluiu a multidão. E a voz espalhou a alegria do Reino que estava chegando como saúde, inclusão, solidariedade, vida. Nessa breve cena do Evangelho de Lucas, estão ao menos três qualidades do cristão, do seguidor de Jesus de ontem e de hoje. Cristão é o que segue os passos do Mestre, o que o imita em seu caminho humano.
A primeira qualidade do cristão hoje é ter um espírito missionário. Jesus não foi um profeta com um endereço fixo. Nesse episódio de Naim, ele aparece chegando a essa pequena cidade. Ele circulava por todo o país, indo ao encontro do povo nos povoados, nas cidades, nos sítios. Participava com o seu povo das peregrinações a Jerusalém. Buscava a ovelha que se perdeu, até encontrá-la. E essa tem que ser a postura do cristão: alguém que superou o egoísmo e está voltado para os outros, para o mundo, não mais centrado em si mesmo; alguém que vive uma atitude missionária de abertura ao encontro com o outro. Naquela grande reunião dos bispos da América Latina em Aparecida, o que mais preocupou foi isso: ajudar os cristãos a serem mais missionários.
A segunda qualidade do cristão hoje é a solidariedade. Nessa história do enterro de Naim, isso apareceu claro em Jesus. Ele encheu-se de compaixão, diz o texto, e foi consolar a viúva. Foi a compaixão que o moveu a deixar os planos de descanso e dedicar-se a ensinar aquele povo todo do outro lado do mar. Ele sensibilizava-se pelo sofrimento, deixava-se tocar pela dor dos outros. Tornava viva aquela palavra dita a Moisés, no Monte Sinai: “Ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”. A solidariedade, a compaixão é a marca de Jesus, e tem que ser a marca do cristão também. No meio de tanto sofrimento, de tantos dramas humanos – o desemprego, a solidão, a injustiça, a dependência das drogas, a violência – o cristão há de ter o mesmo coração solidário do Senhor.
A terceira qualidade do cristão hoje é o seu compromisso com a vida. De novo a história de Naim é exemplar. Jesus parou o enterro e devolveu o jovem vivo à sua mãe. Com as obras, realizava o seu mote: “Eu vim para que todos tenham vida”. Todas as histórias do evangelho são histórias de resgate, de inclusão, de defesa da vida, de promoção da dignidade das pessoas. Como ser um seguidor de Jesus e não ter compromisso com a vida, com a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a sustentabilidade do planeta? Compromisso com a vida se traduz concretamente na luta contra o abordo e a pena de morte, contra as drogas, contra a discriminação, em favor do salário digno, da defesa da família, da construção da paz.
Vamos guardar a mensagem de hoje
Jesus chegou à pequena cidade de Naim e encontrou um enterro do rapaz, filho único da viúva. Admiramos no Mestre a sua preocupação com os outros, os seus deslocamentos para encontrar o povo em suas realidades. Um missionário. Vemos como ele teve compaixão daquela viúva e mostrou-se próximo daquela família. Solidariedade. Em atenção àquela situação, ele parou o enterro e ressuscitou o morto. E encheu de alegria a sua mãezinha viúva. Compromisso com a vida. Essas são as três qualidades que o cristão precisa ter hoje: espírito missionário, solidariedade e compromisso com a vida. Imitando Jesus.
Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo (Lc 7, 16)
Vamos acolher a mensagem de hoje com uma prece
Senhor Jesus,
Providencialmente barraste o enterro daquele jovem, em Naim. Infelizmente, um número surpreendente de jovens, hoje, está naquela mesma condição do filho da viúva: tendo  a vida ceifada pela violência urbana, pelos acidentes de trânsito, pelas drogas, pela depressão. Senhor, hoje somos nós que, à tua imitação e com a tua graça, precisamos barrar essa procissão de morte da juventude. Ajuda-nos, Senhor, a sermos missionários, solidários e comprometidos com a vida, como tu. Seja bendito o teu santo nome, hoje e sempre. Amém.

Pe. João Carlos Ribeiro – 13.09.2016 / 18.09.2017