02 julho 2017

Pedro, Paulo e os dois desafios

Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mt 16, 18)

Nós temos dois desafios. O primeiro é que o nosso povo batizado conhece pouco a fé cristã, inclusive boa parte nem pisa na Igreja. O segundo é que os que participam se contentam com a Missa de vez em quando, e não se sentem responsáveis pela evangelização dos outros.

Quando houve aquela grande assembleia de bispos da América Latina em Aparecida, em 2007, eles transformaram esses desafios em um compromisso duplo: levar o povo católico a ser um povo de discípulos missionários. Como bons discípulos do Senhor, cada um  conhecer melhor a fé cristã, professá-la com sinceridade e ensiná-la aos outros. Como seus missionários, levarmos o fermento do evangelho ao mundo, levando a boa nova aos afastados, distantes e excluídos.

A solenidade de São Pedro e São Paulo, que celebramos hoje, pode reforçar essa nossa caminhada de formação e compromisso como discípulos missionários. Os dois apóstolos, Pedro e Paulo, são exemplos, modelos de compromisso com o Senhor e com a missão evangelizadora. Eles são igualmente nossos intercessores junto a Deus na animação de comunidades de discípulos missionários, igreja em saída para as periferias humanas. Mesmo os dois apóstolos sendo modelos de cristãos discípulos missionários, podemos olhar para cada um deles e identificar de maneira mais acentuada uma dessas dimensões.


A grandeza de Pedro foi proclamar a fé, em nome dos seguidores de Jesus. Como disse o Mestre, fé que é revelação de Deus, mais do que conhecimento humano. TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO. Disse tudo, disse toda a fé da Igreja, em sua forma mais nuclear.  Cremos que Jesus é o Messias, o ungido, prometido por Deus ao povo de Israel. Esse Jesus, de fato, é o Cristo, tradução grega da palavra hebraica Messias, Ungido. Cremos que Jesus de Nazaré é o próprio filho do Deus vivo, vindo a nós em nossa condição humana, homem e Deus verdadeiro, nosso Salvador. Pedro, como disse Jesus, é essa pedra, esse alicerce, essa fé sobre a qual ele funda a sua Igreja.  

Com Pedro, aprendemos a ser discípulos. Somos discípulos, na medida em que conhecemos a fé da Igreja, a fé de Pedro, acolhendo a revelação de Deus, professando-a e vivendo-a com alegria e simplicidade.

A grandeza de Paulo foi levar a mensagem do evangelho às nações pagãs, ultrapassando as barreiras culturais e religiosas em que o mundo judeu delimitava o povo de Deus. Ele é o apóstolo dos gentios, missionário dos pagãos. Fez quatro grandes viagens por quase todo o mundo conhecido, pregando o evangelho e edificando novas comunidades. Paulo reconheceu:  “O Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ELE FEZ COM QUE A MENSAGEM FOSSE ANUNCIADA POR MIM INTEGRALMENTE E OUVIDA POR TODAS AS NAÇÕES” (2 Tm – 1ª. Leitura de hoje).

Com Paulo, aprendemos a ser missionários. Somos missionários, na medida em que nos preocupamos e nos responsabilizamos pelo anúncio do evangelho em todos os ambientes, em toda a sociedade, especialmente nas periferias existenciais, como gosta de dizer o nosso Papa Francisco.

Vamos guardar a mensagem de hoje

Nossos desafios são dois: conhecer melhor a fé cristã e participar de fato da evangelização.  Em Aparecida, abraçamos um programa de crescimento maravilhoso: vamos nos empenhar para ser melhores discípulos e missionários do Senhor. Pedro inspira nosso compromisso de bons discípulos de Jesus, abraçando e conhecendo melhor a fé cristã. Em sua proclamação de fé, ele é a pedra, sob a qual Jesus edificou sua Igreja. Paulo anima nosso compromisso de missionários entusiastas do Reino. Ele é o homem das viagens missionárias, da evangelização das nações. Paulo inspira o impulso missionário dos discípulos e das comunidades de hoje.


Pe. João Carlos Ribeiro – 02.07.2017
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