09 julho 2017

OS TRÊS DESVIOS

Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos (Mt 11, 25).

Que bela vocação a nossa, sermos cristãos. Somos discípulos de Jesus, seus seguidores. O domingo, celebração semanal da páscoa com Jesus, é uma bela ocasião para sublinharmos essa nossa sublime vocação. É com Jesus, que nós aprendemos a viver como filhos de Deus. Mas, é triste perceber que nem sempre somos fieis a esse grande amor com que ele nos escolheu. “Não foram vocês que me escolheram, fui eu que escolhi vocês”. Aliás, distanciamento do Evangelho e infidelidade é que não faltam em nosso caminho.

A Palavra de Deus deste domingo (14º domingo do tempo comum) pode nos ajudar a corrigir algumas tendências negativas que estão presentes em nosso comportamento. Elas poderiam ser descritas em três tentações. A primeira, a tentação de só dar valor a gente grande. A segunda, a tentação de apoiar o autoritarismo. E a terceira, a tentação de amar as coisas do mundo. São modos de ser que estão na contramão da vocação cristã, coisa de quem não assimilou o Evangelho.   

Tomemos essa primeira tendência: SÓ DAR VALOR A GENTE GRANDE. Nada mais antievangélico do que essa atitude que cultua a grandeza, a riqueza e o saber humano. No Evangelho de hoje, Jesus louva o Pai exatamente porque ele dá valor ao pequeno. “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25). O pequenino é o que está em desvantagem na sociedade, o doente, o idoso, o marginalizado... O Pai revelou o Reino aos pequeninos, não à elite do povo hebreu. Cristão é o que pensa e age como o Pai: dá valor aos pequenos.

A segunda tendência negativa, presente em nossa vida, é APOIAR O AUTORITARISMO, prestigiar e imitar o exercício do poder dominador. Nesse ponto, o evangelho nos corrige, apontando  exatamente a pessoa de Jesus. O Profeta Zacarias (primeira leitura) narra a vinda do Messias. “Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria da jumenta” (Zc 9,9). O jumento era a montaria do pobre, a montaria dos juízes de Israel, os líderes do tempo das tribos.  Jesus é o nosso líder, por excelência. Ele é o servidor, não o potentado que se serve do povo. Mas, temos sempre uma “queda”, uma inclinação pelas lideranças autoritárias, manipuladoras.  Sentimo-nos assim mais seguros. E os imitamos no estilo de se ser pai ou mãe, de chefiar um setor, de exercer a liderança na comunidade e na sociedade. Cristão é o que pensa e age como Jesus: valoriza e realiza o poder como serviço.

A terceira tendência negativa a corrigir é AMAR AS COISAS DO MUNDO:  apego ao dinheiro e às coisas materiais, a prostituição, a gula, a bebedeira, a vaidade, o consumismo, a ditadura dos instintos... Vem mesmo a propósito esse trecho da Carta aos Romanos (segunda leitura) lido hoje:  “Vocês não vivem segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vocês”. (Rm 8). Viver segundo o Espírito é viver a comunhão com Deus e com os irmãos, construindo fraternidade, solidariedade, vida saudável, alegria e paz. Cristão é o que vive segundo o Espírito Santo: ama as coisas do alto.

A nossa, é uma bela vocação. Atraídos a Jesus, nos inserimos no seio da Trindade. É em Deus que vamos transformando nossa vida, como seguidores de Jesus nesse mundo. Escutemos hoje o seu convite: “Venham a mim, todos vocês, que estão cansados e fatigados sob o peso dos seus fardos, e eu lhes darei descanso” (Mt 11, 28). 

Rezemos com as palavras do Salmo 144:

— Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!
— Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei,/ e bendizer o vosso nome pelos séculos./ Todos os dias haverei de bendizer-vos,/ hei de louvar o vosso nome para sempre.
— Misericórdia e piedade é o Senhor,/ ele é amor, é paciência, é compaixão./ O Senhor é muito bom para com todos,/ sua ternura abraça toda criatura.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.


Pe. João Carlos Ribeiro – 09.07.2017
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