Meditação da Palavra

12 junho 2017

Os aflitos

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados (Mt 5, 4)
Jesus subiu o monte e sentou-se.  Esse ‘subiu o monte’ evoca Moisés no Monte Sinai. Moisés subiu o monte e conversou longamente com Deus. E Deus escreveu e lhe entregou a Lei da Aliança. O povo de Israel se organizou como povo de Deus, a partir da Lei da Aliança, a Lei de Deus, ensinada por Moisés. Jesus é o novo Moisés que nos ensina a Lei do Reino de Deus.

Jesus subiu o monte e sentou-se. Todo Mestre ensinava sentado. Os discípulos se sentavam ao seu redor, como as crianças na escola, quando a professora está contando uma história. Jesus sentou-se. Assumiu, portanto, a condição de um professor, de um rabino, de um mestre. Ele está organizando e instruindo o novo povo de Deus. O Sermão da Montanha é a nova Lei, completando e aperfeiçoando a Lei do Sinai, a Lei de Moisés.

E Jesus abriu o seu ensinamento com as bem-aventuranças. Na nova Lei, Deus dá o primeiro lugar aos pobres, aos sofredores. Eles são os seus filhos mais amados, os bem-aventurados. As bem-aventuranças são o grande manifesto do Reino de Deus. Em Mateus, contamos nove bem-aventuranças. Elas traçam o perfil do cidadão do Reino. São felizes em sua condição de sofrimento, pobreza, perseguição, aflição, porque é Deus quem lhes assegura todo bem: a terra, a paz, a justiça. Em sua fraqueza, em sua carência, experimentam o poder de Deus que vem em seu auxílio, cumulando-os de todo bem. O Reino é, assim, o dom de Deus na vida de quem se sente pequeno e sofredor.

“Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5, 4). Quem são os aflitos? São os que estão desesperados, os que estão se encontrando sem saída, os que chegaram ao seu limite. Não encontram mais solução, não conseguem mais resolver o problema. Os aflitos lembram o povo de Deus perseguido pelo exército do Faraó, com o mar à sua frente. Não podia mais voltar, nem era possível avançar. Está em grande aflição. Não tem mais o que fazer. Ali, experimentando sua fraqueza, o povo faz experiência do poder libertador do seu Deus: o vento forte, durante toda a noite, baixa as águas e eles atravessam aquele braço do Mar Vermelho, alcançando a liberdade. E a maré volta a encher, para desgraça dos seus perseguidores. Os aflitos foram consolados, libertados.


Vamos guardar a mensagem de hoje

Os aflitos são bem-aventurados, não porque a aflição seja uma coisa boa. Eles são bem-aventurados porque experimentam o poder libertador de Deus, ali mesmo no seu limite, na sua fraqueza, na condição de quem não pode mais nada. Enquanto a gente pode fazer alguma coisa, tenta, vai atrás, esperneia.... não sabe, por experiência própria, que afinal, todos os bens desta vida e da próxima, são dons de Deus: a vida, a liberdade, o amor, a paz, a felicidade, a prosperidade, o perdão, a eternidade. Na aflição, a gente descobre isso. Tudo é dom, apesar de nosso esforço e de nossa luta. Tudo é obra de Deus em nossa vida.

Senhor nosso Deus,

Nem sempre nos damos conta da tua graça, em nossa vida. Lutamos, trabalhamos, nos esforçamos... parece que tudo é conquista do nosso suor, de nossa inteligência, do planejamento estratégico bem executado. Mas, a vida mesma nos reserva momentos de sofrimento, de impotência diante dos problemas, de fraqueza, de aflição. Aí nos damos conta que tudo em nossa vida é graça; é quando o Mar Vermelho se abre diante de nós; é quando experimentamos o teu poder libertador protegendo, salvando, restaurando, consolando os teus filhos.

Dá-nos, Senhor, aquele sentimento de gratidão que tomou conta do teu povo, do outro lado do mar; aquela reverência ao teu nome santo e poderoso que desata o coração em hinos e cânticos de louvor.

A ti, Pai Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre.  Amém.

Pe. João Carlos Ribeiro ´- 12.06.2017