Meditação da Palavra

07 junho 2017

O Shemá e o Próximo

Tu não estás longe do Reino de Deus  (Mc 12, 34)

Nem todas as perguntas feitas a Jesus vinham de gente maldosa e mal intensionadas. Dessa vez, parece que o mestre da Lei estava querendo, de verdade, uma opinião de Jesus. O que ele queria saber era o seguinte: Qual era o primeiro de todos os mandamentos? Os mestres da lei tinham uma lista de centenas de mandamentos, era coisa que não se acabava mais. E era próprio daquele período, os círculos de discussão sobre a Lei, em torno de um figurão, um mestre da Lei. Basta você lembrar que Jesus, quando tinha doze anos, acabou ficando no Templo, e não seguiu com a família na volta da peregrinação da Páscoa. Claro, ficou entretido nas rodas de discussão com os mestres da Lei. Ele mesmo fazia perguntas. Bom, a pergunta era sobre o primeiro dos mandamentos. Vamos ver o que Jesus respondeu.

Jesus, como bom judeu, recitou um texto do livro do Deuteronômio. O primeiro mandamento é este: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”. É a oração do Shemá que todo judeu recitava diariamente. E Jesus acrescentou: O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Também este mandamento estava na Escritura. Não existe outro mandamento maior do que estes.

O que será que o mestre da Lei achou da resposta de Jesus? Bom, antes de considerar esse ponto, vamos pensar mais no que Jesus falou. A pergunta qual era? Qual era o primeiro dos mandamentos, o mais importante. E Jesus respondeu com dois mandamentos. O primeiro e o segundo, notou?  Amar a Deus e amar o próximo. Aproximou os dois, juntou os dois. Uma coisa não pode ser desligada da outra. Como escreveu São João na sua primeira carta: “Quem diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê, é um mentiroso”.  Podemos dizer que o fundamento disso é que Deus nos ama, infinitamente. É o que explica o seu relacionamento com Israel. Deus ama o seu povo, o protege, o livra dos inimigos, o guia. Deus fez uma aliança com o seu povo. Uma aliança de amor.

Agora, vamos ver a reação do mestre da lei que fez a pergunta. Ele ficou satisfeito com a resposta de Jesus.  “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”.  Ele estava de acordo com a resposta de Jesus. E tirou logo uma conclusão:  Quem ama assim a Deus e ao próximo faz uma coisa maior do que o culto feito com os sacrifícios no Templo.

Jesus ficou admirado com o mestre da Lei. “Tu não estás longe do Reino de Deus”. Reconheceu que ele estava no caminho do Reino de Deus, do evangelho que ele estava anunciando. De fato, a pregação de Jesus era sobre o amor de Deus pelos seus filhos.  O verdadeiro culto a Deus tem a ver também com o amor aos irmãos. Lucas contou que Jesus uma vez deu uma explicação sobre quem é o próximo e como amá-lo, a parábola do samaritano bom. Naquela historia, os homens que oficiavam o culto do Templo, oferecendo os sacrifícios e  holocaustos de animais, passaram ao largo quando viram o homem necessitado caído na estrada. O samaritano, alguém que não frequentava o Templo, realizou o maior culto a Deus, amando o seu próximo, acudindo o homem necessitado caído na estrada.

Vamos guardar a mensagem de hoje

O mestre da Lei queria saber qual era o maior mandamento. Amar a Deus e amar o próximo. Um leva ao outro. Deus nos ama. Nós, em resposta, o amamos e amamos o nosso semelhante. O mestre da Lei pensava igual a Jesus. Os dois mandamentos se completam, são interfaces da mesma realidade.  O culto no Templo e o serviço na rua. A oração e o serviço. É pra você hoje, essa palavrinha de Jesus hoje: “Tu não estás longe do Reino de Deus”.

Senhor Jesus,

Hoje vamos recitar contigo, o Shemá, a oração diária do teu povo: “Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força”.
Amém.


Pe. João Carlos Ribeiro - 07.06.2017