28 maio 2017

A festa da missão

Portanto, vão e façam discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que lhes ordenei! (Mt 28, 19-20)

A ascensão de Jesus é a festa da missão. Ele veio como missionário do Pai. E retorna ao Pai. E entrega a missão aos seus discípulos. Os discípulos, com a força do Espírito Santo, somos agora suas testemunhas mundo afora.

São três as instruções que ele deixou antes de ser levado ao céu: a evangelização, o batismo e a catequese. Vejamos: ‘Vão e façam discípulos meus todos os povos’ (evangelização), ‘batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (batismo), e ‘ensinando-os a observar tudo quanto lhes ordenei’(catequese).


A quem realmente Jesus entregou sua missão? À sua Igreja, representada no grupo dos onze. Um grupo incompleto (o número 12, você sabe o que lhe aconteceu...). Um grupo falho (na hora da ascensão, alguns ainda duvidaram...). Não foi, portanto, por competência e santidade que ficamos encarregados da missão. Foi por pura misericórdia do Senhor. Na sua bondade, ele nos colocou em linha de frente. A salvação será anunciada por nós, com nossas virtudes ou nossos defeitos. Verdadeiramente, vai depender de nós. Isso é coerente com a dinâmica da encarnação que ele escolheu para si desde o início. É verdade que seremos assistidos pelo Espírito Santo. Mas, ele não tomará o nosso lugar. Ele nos indicará os caminhos, na medida em que formos dóceis. Somos nós os verdadeiros protagonistas deste tempo de missão. Mas, não estamos sozinhos. Jesus está conosco, embora ausente fisicamente. O Pai colocou tudo sob os seus pés e o fez cabeça da Igreja, que é o seu corpo. A Igreja é a responsável pela missão. Nós, que somos a Igreja, somos responsáveis agora pela missão de Jesus.

E a missão é, em primeiro lugar, o anúncio e o testemunho sobre Jesus. Vão e façam discípulos meus todos os povos.  Nós o encontramos. Damos testemunho de tudo o que ele disse e tudo o que ele fez. E assim, convocamos novos discípulos ao seu seguimento. Toda criatura humana neste mundo tem o direito de saber dessa boa notícia, embora possa negar-se a segui-lo ou não se deixe convencer pela fraqueza do nosso testemunho.

Quando alguém aceita o testemunho que damos, isto é quando responde com a fé à evangelização, nós os batizamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Pelo batismo o novo discípulo acolhe a redenção que Cristo nos alcançou: o perdão dos seus pecados e o dom da filiação divina. Pelo batismo, acolhemos novos membros da Igreja, que vão caminhar conosco na santidade de vida e no testemunho de Jesus.

A evangelização não se conclui com a iniciação do novo cristão na vida de santidade dos batizados. O batizado vai precisar de formação cristã, de catequese.  É quando o ensinamos a observar tudo quanto o Senhor nos ordenou. A formação cristã é hoje uma grande preocupação dos pastores da Igreja. Em um mundo marcado pelo pluralismo cultural e religioso, há uma enorme quantidade de discípulos que não conhece e nem pratica os ensinamentos do Senhor. É a grande tarefa da iniciação cristã.

A evangelização, o Batismo, a Catequese – três aspectos da missão de Jesus que a Igreja continua hoje. Nessa grande tarefa, duas forças nos sustentam: a autoridade e a presença de Jesus. ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra’ (a autoridade) e ‘Estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo’ (a presença).

Como disse Pedro na pregação de Pentecostes: ‘Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vocês crucificaram’. Por sua morte e ressurreição, Jesus recebeu toda autoridade no céu e na terra. Ele nos enviou em missão com essa autoridade. Como seus missionários, também participamos de sua autoridade.  Essa é a primeira força que temos no cumprimento da missão. Participamos de sua autoridade.

A segunda força é a sua presença. Eis que estarei com vocês todos os dias até o fim do mundo. Isso é possível pela atuação do seu Espírito que atualiza a sua presença. Ele está conosco. Ele está no meio de nós. A missão é anuncia-lo presente na história, na Igreja, em nossa vida. Presente e atuante, nos libertando, nos resgatando, nos conduzindo.

A ascensão de Jesus é a festa da missão.

Pe. João Carlos Ribeiro - 27.05.2017
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