10 março 2017

Um novo Moisés

E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no!” (Mt 17, 5).

E chegamos ao segundo domingo da Quaresma.  No primeiro domingo, subimos com Jesus ao Monte das Tentações. Ali, ele enfrentou o Tentador e venceu as tentações. Com ele, entramos no novo tempo em que o pecado de Adão foi superado pela obediência do novo homem, Jesus. Então, no primeiro domingo da Quaresma, Jesus foi comparado com Adão. Ele é o vencedor da tentação, do pecado.   

Nesse segundo domingo da Quaresma, subimos com Jesus à montanha da transfiguração.  A Lei e os Profetas, os livros santos de Israel representados por Moisés e Elias, nos dizem quem é esse Jesus. Ele é o novo Moisés, libertador do povo, restaurador da aliança. E o próprio Deus intervém, como no tempo do Sinai, para dizer que Jesus é o seu filho amado e para nos recomendar que o escutemos.


O cenário é o do Sinai, no tempo de Moisés. O povo, em sua peregrinação pelo deserto, acampou aos pés do Monte Sinai. Moisés subiu com três colaboradores e os líderes do povo. No Sinai, Moisés encontrou-se com Deus, no meio de muitas manifestações da grandeza de Deus, que assombraram o povo. Naquela ocasião, uma nuvem cobriu o Monte. Foi de lá que Deus falou com o seu servo Moisés. E lhe deu a Lei para o povo se conduzir em aliança com ele.

Esse evangelho da transfiguração evoca os acontecimentos do monte Sinai. Jesus sobe a uma alta montanha, com três discípulos. Lá, eles o vêm transfigurado, glorioso: o rosto brilhando com o sol, as roupas alvas como a luz.  Veem o próprio Moisés e o Profeta Elias conversando com Jesus. Querem até fazer tendas, com aquelas do povo acampado no tempo do Êxodo. E a nuvem luminosa baixou no monte. E da nuvem ouviu-se a voz de Deus: “Este é o meu filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no”. É uma grande revelação de Deus aos discípulos: Jesus é seu filho amado. Ele é o novo Moisés que restaura a aliança de Deus com o seu povo.  A Lei e os Profetas (as Escrituras de Israel), representadas por Moisés e Elias, nele encontram o seu cumprimento e a sua plenitude.

A experiência da Montanha termina. Os discípulos estavam assustados, com medo, de cabeça baixa. Jesus toca neles, os encoraja. A visão tinha passado. E Jesus manda que não contem nada daquilo a ninguém, até que ele ressuscite dos mortos. Essa experiência foi uma visão antecipada de sua condição de ressuscitado, e a revelação de quem ele era e qual era a sua missão. Ele é o filho amado do Pai, o novo Moisés, que comunica a Lei do Reino de Deus e está restaurando a aliança com o seu povo. Ele está constituindo um povo em comunhão com Deus. A sua palavra é a nova Lei. A sua peregrinação humana e a paixão que se aproxima ganham sentido na esperança de sua ressurreição, de sua glorificação pelo Pai. Essa experiência da glória de Jesus há de sustentar os discípulos na hora da paixão e em todas as horas de dificuldade.

Vamos guardar a mensagem de hoje:

O grande apelo na Quaresma é a conversão: acertar o passo com Jesus. No horizonte, está a páscoa do Senhor, onde renascemos vencedores do pecado e do mal. Quem é esse Jesus, do qual somos seguidores? É o novo Adão, vencedor do pecado (nos disse a liturgia do primeiro domingo da Quaresma). É o novo Moisés, o construtor de um povo em aliança com Deus, o portador da nova Lei (nos diz a liturgia desse segundo domingo da Quaresma). O próprio Pai nos revela que ele é o seu filho amado e nos recomenda que o escutemos, que acolhamos a sua Palavra, a nova Lei.

E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutem-no!” (Mt 17, 5).

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB - 10.03.2016
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