21 janeiro 2017

O Domingo da Grande Luz

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte uma luz brilhou” (Mt 4, 16)

E chegamos ao terceiro domingo do tempo comum. Neste ano, estamos lendo o evangelho de São Mateus (ano A).  Celebramos, há pouco, o batismo de Jesus  (na última segunda-feira) e hoje comtemplamos os primeiros passos do seu ministério público. No evangelho de hoje, talvez tenhamos uma leitura geral do significado de sua missão. Com Jesus, está começando um novo tempo para o povo de Deus e para as nações do mundo. Poderíamos chamar esse domingo de Domingo da Galileia ou Domingo da Luz que chegou para a Galileia. Vamos entender isso...


No tempo de Jesus, chamar alguém de “galileu” era uma ofensa. O povo do sul discriminava o povo da Galileia. Aliás, a discriminação já começava em casa. Natanael perguntou:  “De Nazaré, pode vir alguma coisa boa?“. Por que será que a Galileia era tão mal vista?


Galileia é uma região da terra de Jesus. A terra de Jesus é a Palestina. A Galileia ficava bem ao norte do país. Só pra gente entender melhor, grosso modo, o norte era formado pela Galileia e Samaria, e o sul pela terra de Judá, onde está Jerusalém.  Houve um tempo em que tudo foi um reino só, o tempo de Davi e Salomão. Mas, depois formaram-se dois reinos: o do norte (Samaria e Galileia) e o do sul (Judá). No século VII a.C, o reino do norte foi invadido pelos assírios, que exilaram muita gente daquela região e colonizaram a terra com estrangeiros. Assim, ficou uma região meio misturada nos costumes, na religião, na cultura. Por isso, era chamada de Galileia das Nações, isto é, Distrito dos Pagãos. Até o modo de falar era um pouco diferente.  O povo do sul identificava  o norte facilmente pelo sotaque. Quando Jesus estava preso na Casa do Sumo-Sacerdote, um dos criados da casa identificou Pedro pelo sotaque: “Você fala igual a ele. Você é um galileu também. Você é do grupo dele”.

O profeta Isaías (primeira leitura de hoje), no passado, tinha apresentado uma promessa de Deus: “um dia essa região sofrida, a Galileia, que vive mergulhada na escuridão, vai conhecer uma grande luz”. Lendo o texto: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte a luz resplandeceu”. As comunidades, no tempo do evangelista Mateus, procurando entender a vida de Jesus e a sua missão, perceberam logo a realização dessa promessa de Deus.
Jesus, que era um galileu do povoado de Nazaré, tinha andado pelo sul e entrado em contato com o movimento do Batista. Quando soube da prisão do profeta, voltou para a Galileia . Ao invés de manter-se no anonimato ou voltar pra Nazaré, foi morar em Cafarnaum e aí iniciou sua missão. Começou a pregar. Convocava o povo à conversão, a voltar-se para o Reino de Deus que estava chegando.

Boa parte da missão pública de Jesus se concentrou nesta região castigada e sofrida da Galileia, terra de judeus tidos como de segunda categoria, de gente discriminada, terra onde se cruzavam muitas nacionalidades e cultos. Há que se dizer também que a Galileia do tempo de Jesus foi a parte do país onde aconteceram mais levantes e revoltas contra a dominação do império romano.  A marca daquele povo era sofrimento e resistência.  É nessa região que Jesus concentra grande parte de sua ação e de sua pregação. Circula por suas cidades e vilas. Prega em suas sinagogas.  (Lendo o finalzinho do texto de hoje:)  “Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”.
Então, Jesus concentrou o primeiro período de sua missão na Galileia, uma região sofrida e desprezada. Lá, as pessoas começaram a experimentar que a sua sorte estava mudando. Com Jesus, o Messias, estava começando um novo tempo. A sua pregação anunciava o Reino e convocava o povo à conversão, isto é, à adesão ao reinado de Deus. As curas das doenças e enfermidades concretizavam a sua pregação. Por meio de Jesus, Deus está restaurando o seu povo, libertando os seus filhos, expandindo o seu Reino.

E como é que vamos viver esse evangelho (nesse domingo, nessa semana que está começando?) Vou lhe oferecer duas dicas.  Primeira: acolha Jesus que é essa luz vencendo a escuridão.   “O Senhor é minha luz e salvação”.  É o que rezamos com o salmo 27 (o salmo de hoje).  Ele é a luz que brilha na terra do sofrimento e da resistência. E a segunda dica pra você viver esse evangelho: ouça e atenda o seu chamado “segue-me”. Siga Jesus, como os primeiros discípulos, com generosidade e prontidão.
Acolha a sua luz e seja seu discípulo, sua discípula!

O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte uma luz brilhou” (Mt  4, 16)
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