05 novembro 2016

Felizes os aflitos!

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. (Mt 5, 4)


 Estamos no início do sermão da montanha, no evangelho de São Mateus. As bem-aventuranças são um grande manifesto do Reino de Deus. Em Mateus, contamos nove bem-aventuranças. Elas traçam o perfil do cidadão do Reino. São felizes em sua condição de sofrimento, pobreza, perseguição, aflição,..  porque é Deus quem lhes assegura todo bem: a terra, a paz, a justiça. Em sua fraqueza, em sua carência, experimentam o poder de Deus que vem em seu auxílio, cumulando-os de todo bem. O Reino é, assim, o dom de Deus na vida de quem se sente pequeno e sofredor.

Essa é a segunda bem-aventurança: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5, 4). Quem são os aflitos? São os que estão desesperados, os que estão se encontrando sem saída, os que chegaram ao seu limite. Não encontram mais solução, não conseguem mais resolver os problemas. Lembra o povo de Deus, perseguido pelos exércitos do Faraó, com o mar pela frente. Não pode voltar, nem pode mais avançar. Está em grande aflição. Eles não têm mais o que fazer. Ali, experimentando sua tremenda fraqueza, o povo faz experiência do poder libertador do seu Deus: o vento forte, durante toda a noite, baixa as águas e eles atravessam aquele braço de mar vermelho, alcançando a liberdade. E a maré volta a encher, para desgraça dos seus perseguidores. Os aflitos foram consolados, libertados.

Os aflitos são bem-aventurados, não porque a aflição seja uma coisa boa. Os aflitos são bem-aventurados, porque experimentam o poder libertador de Deus, ali mesmo no seu limite, na sua fraqueza, na condição de quem não pode mais nada. Enquanto a gente pode fazer alguma coisa, tenta, vai atrás, esperneia.... não sabe, por experiência própria, que afinal, todos os bens desta vida e da próxima, são dons de Deus: a vida, a liberdade, o amor, a paz, a felicidade, a prosperidade, o perdão, a eternidade. Na aflição, a gente descobre isso. Tudo é dom, apesar de nosso esforço e de nossa luta.

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. (Mt 5, 4)

Senhor nosso Deus,
Nem sempre nos damos conta da tua graça em nossa vida. Lutamos, trabalhamos, nos esforçamos... parece que tudo é conquista do nosso suor, de nossa inteligência, de nosso planejamento bem executado. Mas, a vida mesma nos reserva momentos de sofrimento, de impotência diante dos problemas, de fraqueza, de aflição. Aí nos damos conta, que tudo em nossa vida é graça, dom que nos chega por tuas mãos dadivosas. É quando o mar vermelho se abre diante de nós. É quando experimentamos o teu poder libertador protegendo, salvando, restaurando, consolando os teus filhos. Dá-nos, Senhor, aquele sentimento de gratidão que tomou conta do teu povo, do outro lado do mar; aquela reverência ao teu nome santo e poderoso que abre o coração em hinos e cânticos de louvor. Quero, Senhor, que esta certeza habite hoje o meu coração: tudo em nossa vida é dom de tuas mãos, tudo em nossa vida é graça. A ti, Pai Santo, toda honra e toda glória, agora e para sempre. 
Amém.


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