19 novembro 2016

Ele é o Rei

O ano litúrgico se encerra com a aclamação de Cristo Rei do Universo. Celebramos a realeza de Jesus, o seu senhorio no mundo, ele que veio anunciar o Reino de Deus.

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Falar de Jesus como rei é uma coisa, até certo ponto, perigosa. Perigosa, porque podemos ser levados a associar a imagem de Jesus aos reis deste mundo, aos governantes, aos poderosos. E aí seria um desastre... pois, seria o contrário do que o evangelho testemunha.

A cena do evangelho que melhor descreve a realeza de Jesus é lida nessa oportunidade, em nossas celebrações. Lucas 23. Jesus é apresentado como rei, na sua cruz. Na cruz é que ele é verdadeiramente rei. Vamos entender isso...

Quem levou Jesus à cruz? Bom, formalmente foi uma trama humana que envolveu os chefes do seu povo, os dominadores de plantão e até gente próxima dele, como o seu apóstolo Judas. Mas, no fundo no fundo, foi o nosso pecado, o nosso afastamento de Deus que começou no Jardim do Éden, no Paraíso, com o pecado dos nossos primeiros pais.

Penso que isso esteja demostrado nos que zombavam, insultavam, blasfemavam contra ele, ali aos pés da cruz: os chefes, os soldados, o estado e um dos malfeitores. Quatro representações da humanidade pecadora, quatro, para falar da totalidade. Eu disse “o estado”, para me referir a quem o condenou e mandou escrever na tabuleta: “Este é o Rei dos Judeus”, o império romano acionado pelos líderes do Templo.

Jesus estava na cruz e o letreiro dizia que ele era o rei. Se a gente entender isso, entendeu tudo. Jesus estava na cruz e o letreiro dizia que ele era o rei. Todos os insultos diziam quase a mesma coisa: “Salve-se a si mesmo”. Você sabe que nesse breve texto,  esse verbo “salvar”, insistindo em “salvar-se a si mesmo” aparece 4 vezes!? Impressiona, é um número de totalidade.  Todo mundo cuida de salvar-se a si mesmo. É o óbvio. Cada um trata de resolver primeiro o seu lado. Salvou a outros, curou tanta gente, libertou a tantos... Por que não se salva a si mesmo?  É assim que se é rei, diz a nossa experiência. É assim que se governa. É o que vemos todos os dias nos noticiários: governantes que estão sendo investigados ou presos porque procuraram no poder “salvar-se a si mesmos”, me entende?

Jesus reina diferente, reina salvando os outros, não “salvando-se a si mesmo”. Por isso, está na cruz. Porque não reina como os outros. Porque não pode ser compreendido pelos que estão reinando na base do “salvar-se a si mesmos”. Os chefes, ao condenar Jesus, estavam procurando salvar o controle que eles tinham sobre o povo e sua religião. Os romanos, via Pilatos e seus soldados, estavam salvando-se a si mesmos, defendo o império de rebeldes e insurgentes. O malfeitor crucificado também estava procurando o seu benefício pessoal, salvar-se da morte na cruz.

O outro malfeitor, reconhecendo que eles mereciam aquela pena, pediu a Jesus para que se lembrasse dele quando entrasse no seu reinado. Esse “bom ladrão” reconhece ser pecador, está num processo de conversão. Reconhece que Jesus é rei de verdade. E o rei de verdade, que está na cruz salvando os outros, lhe diz: “ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Jesus estava reinando, na cruz, salvando os outros.

“Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. No paraíso? Mas, não foi do paraíso que o homem foi expulso por causa do pecado? Pois é, na árvore da cruz, que lembra a árvore do jardim do Éden, onde Adão e Eva caíram, Jesus está levando de volta o homem para o paraíso, para a comunhão com Deus. “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Jesus estava reinando, na cruz, dando a sua vida, salvando os pecadores, não salvando-se a si mesmo.


A tabuleta tinha razão: ele é o rei. 

Pe. João Carlos Ribeiro, 19.11.2016
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