24 julho 2016

Senhor, ensina-nos a rezar!

Eles viram Jesus rezando muitas vezes. Queriam aprender a rezar como ele. “Senhor, ensina-nos a rezar”, foi o pedido discípulos. De tudo quanto Jesus ensinou sobre como rezar, as comunidades dos dois evangelistas Mateus e Lucas guardaram elementos que constituem a oração do Pai Nosso. Lucas anotou cinco pedidos ao Pai. Mateus, certamente com a vida de sua comunidade mais desenvolvida, anotou sete pedidos no mesmo Pai Nosso.  

Com o Pai Nosso, Jesus não só ensinou uma oração, mas apresentou aos discípulos um modo de rezar. Resumindo os ensinamentos de Jesus sobre a oração, a partir desse texto (Lucas 11, 1-13), vemos quatro características na oração dos discípulos do Senhor.

A primeira característica é que é feita com INTIMIDADE e CONFIANÇA EM DEUS. Não se trata de uma audiência de um servo com seu patrão. Trata-se do diálogo amoroso entre pai e filho ou filha. Por isso, Jesus ensina a invocar a Deus como “pai”, “Pai Nosso”. Esse modo de falar com Deus era inteiramente novo na história do seu povo. Falar com Deus com intimidade e confiança. No sermão da montanha, Jesus chamou a atenção dos discípulos para não imitarem os fariseus, nem os pagãos. Em contraposição ao exibicionismo dos fariseus e mestres de lei, Jesus os orientou a proceder como um filho que conversa com seu pai ou sua mãe, de portas fechadas no seu quarto. “Entra no teu quarto e fecha a porta e ora ao teu Pai que está lá na intimidade”. INTIMIDADE E CONFIANÇA EM DEUS. É a primeira característica.

A segunda característica da oração cristã, sublinhada nesse evangelho, é que ela busca, EM PRIMEIRO LUGAR, A GLÓRIA DE DEUS. É quando a oração vira louvor, adoração. Os primeiros pedidos do Pai Nosso, segundo Mateus, referem-se a Deus, buscando a sua honra e a sua glória. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. São três pedidos, todos dirigidos à glória de Deus: a santificação do seu nome, a vinda do seu Reino, a realização de sua vontade. Buscar, em primeiro lugar, a GLÓRIA DE DEUS. É a segunda característica.

A terceira característica da oração cristã é o pedido a Deus pelo NOSSO BEM TEMPORAL E ESPIRITUAL. É o que nós precisamos para viver com dignidade e em santidade. No Pai Nosso, são quatro os pedidos em nosso favor. “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O pão de cada dia, o perdão dos pecados, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal. O ‘pão de cada dia’ compreende o emprego, o trabalho, refeição,  a segurança..  São as necessidades de nossa sobrevivência. Mas, nem só de pão vive o homem. Também precisamos do perdão dos pecados e da restauração da vida, a partir da conversão e do crescimento do homem novo. Igualmente, precisamos da vitória sobre a tentação e a libertação do mal. Buscar O NOSSO BEM TEMPORAL E ESPIRITUAL é a terceira característica.

A quarta característica da oração cristã é a PERSEVERANÇA  e o COMPROMISSO.  Jesus contou a história do homem que importunou o seu vizinho, pedindo-lhe pão para os seus hóspedes. Tanto insistiu na solicitação naquela hora da noite, que alcançou o que queria. Perseverança. Mas, também é necessário o Compromisso. Nisto, Maria é Mestra. Nas bodas de Caná, ela disse a Jesus “Eles não têm mais vinho”. Jesus entendeu o seu pedido e explicou que não era possível resolver isso, pois ainda não tinha chegado a sua hora. Maria não se deu por vencida, nem acomodou-se àquela resposta negativa. Pelo contrário, mobilizou os garçons para realizarem uma ordem de Jesus. É disso que eu estou falando: da oração comprometida, isto é, de eu me mexer, com confiança em Deus. PERSEVERANÇA E COMPROMISSO.

Quatro características da oração cristã: intimidade e confiança; busca da glória de Deus; busca do nosso bem temporal e espiritual; Perseverança e Compromisso.


“Senhor, ensina-nos a rezar”(Lucas 11, 1)