25 abril 2016

O remédio do perdão

Nossa vida em família nos traz momentos de muita alegria e felicidade, mas também é palco de muitos desencontros e problemas:  a infidelidade, o desrespeito, as agressões, o abandono, a desunião, o individualismo.... São feridas abertas. 

As feridas de nosso relacionamento precisam ser curadas. E há para isso um remédio único, maravilhoso, o perdão... o perdão para quem se arrepende, a chance de recomeçar para quem reconhece o seu erro, a porta aberta para quem saiu de casa.  A mulher adúltera ia ser apedrejada, mas Jesus desafiou aquela turba de cínicos: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra”. O Papa Francisco tem insistido: “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão. Deus nos perdoa, saibamos perdoar os outros”.
Jesus perdoou de verdade. Olhou para Pedro e o seu olhar de amigo decepcionado lançou Pedro numa profunda crise. Pedro saiu do pátio do Sumo Sacerdote soluçando como uma criança desesperada. Depois de ressuscitado, Jesus dialogou com Pedro, deu o primeiro passo. Perguntou se lhe queria bem, se o amava de verdade. E fez Pedro responder isso três vezes, cancelando a culpa de suas três negações.  Pedro não fechou o coração ao perdão de Jesus, acolheu sua presença amiga, suas perguntas, seu perdão.
A gente tem sempre que pedir perdão. E só isso já é um bom castigo, um exercício de humildade, de reconhecimento de nossas más ações ou omissões. Pedir perdão é um sinal de humanidade, pois não somos perfeitos, mas estamos dispostos a melhorar, a acertar. Pedir perdão é confessar nossa fraqueza, é pedir pra ser ajudado. É pedir uma segunda chance ou uma enésima chance.
E a gente tem que estar sempre pronto a perdoar. E a razão é simples: é que nós sempre precisamos do perdão dos outros. Nós erramos muito, nos equivocamos, fazemos pré-julgamentos, discriminamos, mostramos indiferença, traímos a confiança. E como erramos muito, precisamos sempre do perdão dos outros. Os outros também precisam do nosso perdão para continuarem seu caminho, para tentarem corrigir seus erros, pra se reconciliarem consigo mesmos.

Se o pedido de perdão é sincero, merece ser acolhido. Se o pedido de perdão é pro forma, pode ser uma chance para um diálogo esclarecedor para que o agressor se dê conta da gravidade do seu ato. Quem ofende, quem trai, quem erra prejudica a outrem e a si mesmo também. O perdão é uma terapia para quem errou, além de uma compensação para a pessoa ofendida. É um acerto de contas consigo mesmo. E com o outro. O perdão é uma grande chance para a família, para sarar as feridas abertas pela traição, pelo abandono, pelas agressões, pelo desrespeito, pela desunião.

O perdão é um remédio maravilhoso.

Pe. João Carlos Ribeiro.

Um comentário:

  1. Linda reflexão sobre o perdão. Tudo que foi escrito diz qual o melhor caminho. Mas mesmo assim ainda acho difícil perdoar e voltar a ser como antes. Na prática o orgulho ou o amor próprio ou o egoísmo torne isso difícil. Mas se se pensar bem perdoar de coração é o melhor

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