09 abril 2016

O Domingo de Pedro

Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21, 17).

Nós estamos vivendo e celebrando o tempo da páscoa, meditando sobre a força da ressurreição de Jesus em nossa vida. Hoje é o terceiro domingo da páscoa. Domingo passado, Tomé era o personagem que chamou a nossa atenção, quando o assunto foi a fé no ressuscitado. “Felizes os que crerem, sem terem visto”.  Se o segundo domingo da páscoa, foi o de Tomé, podemos dizer, que o terceiro domingo é o de Pedro. Basta contar quantas vezes Pedro é citado no texto: 12 vezes. 12 vezes. É de Pedro a iniciativa de pescar; é Pedro quem se veste e se atira ao mar;  é ele quem arrasta a rede para a terra; é com ele, o  diálogo de Jesus. Este é o domingo de Pedro.


E Pedro estava devendo uma conta a Jesus. Ele o negara, por três vezes, naquela noite em que o Mestre foi preso. Mas, coitado, quando Jesus o olhou, Pedro, envergonhado e decepcionado consigo mesmo, chorou amargamente. Pedro, o pecador. Um pecador arrependido de sua falta, precisando consertá-la. Pedro é o líder do grupo de Jesus. Jesus o tinha tirado da pesca para ser pescador de gente, evangelizador como ele. A pesca é uma representação da missão. Pedro e os seus colegas não pescaram nada naquela noite. É uma imagem da ação infrutífera dos discípulos sozinhos. Mas, quando Jesus ressuscitado orienta a pescaria (“Lancem a rede à direita da barca e acharão!”), aí a missão resulta numa pesca abundante (153 grandes peixes).  Peixe é uma palavra que se repete 7 vezes no texto. E 7 é um número de perfeição, de plenitude, a obra perfeita, como a Criação, obra de Deus em 7 dias de trabalho.  A obra missionária é bem sucedida se estiver sob o comando de Jesus.
Tem uma coisa curiosa nesse texto. Diz que “Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu”. Uma vez eu pulei esse pedaço, não li na Igreja. Que observação mais sem graça!  E eles pescavam nus? Certamente, não. E por que o evangelista escreveu isso: “vestiu sua roupa, pois estava nu”? Mas, pensando bem, aqui tem uma coisa muito importante. E eu vou explicar. Quando Adão pecou, no Jardim do Éden, ele ficou se escondendo de Deus, porque estava nu. E Deus lhe perguntou: Quem lhe disse que você está nu? Adão sempre esteve nu, ele e sua mulher Eva, mas o pecado expôs a sua indignidade diante de Deus. Aplique isso a Pedro. Pedro vestiu-se logo porque estava nu, porque o pecado expunha sua indignidade diante de Jesus. O pecado envergonhava Pedro. Mais adiante no texto, está escrito que Pedro ficou triste porque Jesus lhe perguntou se o amava, por três vezes. Ficou triste.

Pedro, não fique triste! Você negou Jesus três vezes. É hora de professar que o ama, por três vezes. Pedro, é o amor que nos redime dos nossos pecados. O amor de Jesus que o levou a morrer por nós. E o nosso amor por Jesus, que nos faz acolher a sua obra redentora de coração aberto. Pedro, é o amor que passa a limpo a nossa vida de erros e pecados. E, mais, Pedro. Jesus é fiel no seu amor. Ele chamou você para ser pescador de gente, pois o está confirmando: “toma conta de minhas ovelhas”. E você, Pedro, só pode mesmo realizar essa missão de pastor se você amar muito a Jesus, se o amar mais do que os outros.

É para você a mensagem desse evangelho, mesmo que você não se chame Pedro. O pecado leva você a se esconder de Deus, a se sentir indigno de estar em sua presença, como Pedro. O amor de Jesus por você, provado na sua morte na cruz, comunica-lhe vida nova, por sua ressurreição. É o amor que passa sua vida a limpo, cancelando as manchas do pecado, e fazendo de você uma testemunha do amor de Deus, um missionário de sua misericórdia, um cuidador do seu rebanho.

Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21, 17).

Pe. João Carlos Ribeiro, SDB – 09.04.2016
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