09 outubro 2014

Salvar a família para consertar o mundo

É só abrir os jornais ou ler os noticiários para ver que há uma grande preocupação com as guerras, a crise econômica, a corrupção na política. De fato, o avanço do terrorismo do estado islâmico é uma grande ameaça para o mundo. E o desemprego continua a empurrar os jovens em migração em busca de oportunidades em outras terras.  E a corrupção destrói a credibilidade dos governos e enfraquece a confiança das pessoas na política. Mas, talvez haja um problema mais de fundo, uma coisa mais básica e mais vital que esteja em profunda crise. É, não tenha dúvida, a família. Estamos passando por uma profunda mudança cultural que está esfacelando ou ao menos redesenhando a família. A crise do mundo passa pela crise da família.

O Papa Francisco convocou um duplo Sínodo para tratar deste assunto: os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização. Sínodo é uma grande reunião com representantes da Igreja de todo o mundo, para refletir e propor soluções no serviço da evangelização. Após a reunião extraordinária neste ano, o Sínodo volta a se reunir no ano que vem e aí deve tomar decisões importantes, com o Papa, sobre este tema tão candente. Antes do Sínodo, em todas as Dioceses do mundo foi respondido um longo questionário que indagou sobre os problemas da família, o que está acontecendo, o que se está fazendo e o que poderá ser feito melhor. O Sínodo será a grande resposta da Igreja: como nós, missionários do evangelho de Jesus, vamos contribuir para fortalecer a família como uma célula básica da sociedade e da Igreja.

Mas, as respostas não estarão apenas no final do Sínodo. A resposta já está presente no próprio acontecimento sinodal: temos que nos dar conta do que está acontecendo e sair em defesa da família, ajudando-a a realizar bem sua tarefa de escola de comunhão, de cidadania e de fé. O Sínodo já é uma reposta. Precisamos ser gente que escuta a realidade e age para transformá-la. Não podemos ficar de braços cruzados, “vendo a banda passar”, apenas nos lamentando pelo desmonte da família por uma sociedade que estimula o individualismo, o consumismo e a busca de prazer a qualquer custo. O Sínodo é uma grande lição: um espaço  coletivo de discussão, em clima de abertura e franqueza, para conhecer a realidade e o pensamento dos outros e reafirmar nosso compromisso com Cristo para iluminar o mundo com a luz do seu Evangelho.

E as dificuldades para se realizar bem a família são bem conhecidas, porque são feridas em nosso próprio corpo. Perguntei no facebook: qual é o maior problema da família hoje? Centenas de respostas apontaram desunião, falta de diálogo, individualismo; os vícios, a bebida, as drogas; a infidelidade; a falta de respeito e obediência dos filhos; a doença e tantas outras situações causadoras de sofrimento para as pessoas. A família sofre as consequências de um mundo que se afasta dos valores cristãos e se entrega à lógica do mercado.

Mas, o tempo não é apenas de lamentação, requer ação. E nós precisamos nos unir para fazer alguma coisa pela família. E há muito o que fazer. E cada um precisa fazer sua parte. E por onde podemos começar? Iniciemos por onde o Sínodo começou, percebendo que família é um dom de Deus, acolhido com fé. A família já estava no pensamento de Deus, desde o princípio. Somos família, porque fomos criados à sua imagem e semelhança. Vamos começar com uma visão de fé e de confiança nessa obra prima de Deus.  Ela nasceu para dar certo. Ela conta com a força do alto. A família não é apenas uma necessidade para nós, para a sociedade e para a Igreja. Ela é importante também para Deus que a assiste sempre, para que ela seja um lugar de sua bênção e de seu amor. Ter uma visão de fé sobre a família já é um bom começo para nós que estamos mergulhados nesse mundo de guerras, de crise econômica, de corrupção política. Vamos salvar a família, pra consertar o mundo.

Pe. João Carlos /Ribeiro, sdb  -  09.10.2014