02 setembro 2014

Orientar é preciso

E as eleições estão chegando. E estou vendo muita gente despreocupada com o debate eleitoral. E isso não é bom. Há quem generalize seu desgosto com a política, considerando que todos os candidatos são iguais e corruptos. E gente renunciando a discutir o assunto, apegando-se apenas às pesquisas. Pelo jeito, muita gente vai chegar na hora da votação sem saber em quem votar. Isso tudo mostra despolitização, desinteresse e falta de responsabilidade com o futuro.

A primeira coisa a lembrar é que não se trata apenas de votar para presidente. Presidente é apenas uma das escolhas, mesmo que seja tão significativa. Nas eleições de 5 de outubro, estão em jogo também a escolha de um senador por Estado, deputados federais, governadores e deputados estaduais. Não se pode chegar nessa data sem ter escolhido os seus candidatos e os ter escolhido com critério, com conhecimento, com convicção.


Em várias dioceses, estão circulando recomendações sobre as eleições desse ano. Na Arquidiocese de São Paulo, por exemplo, estão sendo distribuídos mais de um milhão de exemplares de um documento com orientações. Uma delas lembra que é preciso conhecer as propostas do candidato e do seu partido. Voto consciente é dado com conhecimento. O voto tem consequências e revela a vontade do povo e suas aspirações.

É claro que a Igreja Católica tem uma compreensão muito adequada de que cada cidadão deve seguir sua consciência, sendo livre para fazer suas escolhas. A igreja não admite, de nenhuma forma, que suas comunidades se transformem em currais eleitorais. Seus templos não podem ser usados como comitês eleitorais. Mas, isso não quer dizer que a igreja não tenha responsabilidade na educação dos seus membros para a presença crítica e responsável no mundo da política. Aliás, é seu dever formar a consciência moral dos seus fiéis e mesmo de estimular e acompanhar os seus filhos que se sintam vocacionados à militância política nos partidos.   

Entre as recomendações frequentes nas cartilhas de orientação para as eleições desse ano está a atenção à corrupção eleitoral e à lei da ficha limpa. A lei da corrupção eleitoral, de 1999, coíbe o abuso de poder econômico nas campanhas eleitorais e a compra de votos. Sabendo de qualquer coisa, denunciar à justiça eleitoral. A lei da ficha limpa foi uma conquista das comunidades da igreja, junto a outras instituições sérias do país. Ela impede que alguém condenado por crimes eleitorais se candidate ou assuma cargo público. Votar, então, em gente séria, em candidatos comprometidos com o bem comum, não com interesses particulares ou de grupos restritos. Não votar em corruptos, em gente envolvida em escândalos ou candidato que não defenda a vida, a família e o casamento, a superação da violência, a saúde, a educação, o meio ambiente. Como todo mundo tem mais ou menos o mesmo discurso nessa área, é preciso prestar bem atenção para ver como foi a história desse candidato até o presente e dialogar com outras pessoas para chegar a uma conclusão mais esclarecida.

Finalmente, as orientações de vários setores da Igreja é que o cidadão acorde, não deixe que os rumos da história sejam decididos sem sua participação. E que, passado o período eleitoral, cada um continue se interessando pela vida do país, pelos problemas de sua comunidade. É muito importante participar de organizações comunitárias, acompanhar criticamente os eleitos em suas ações, apoiar o que fizerem de bom e desaprovar o que não se considerar correto. E ainda se tem hoje a possibilidade de se participar das leis de inciativa popular, como essa que está chegando da reforma política. É assim que seremos cada vez mais um país de cidadãos e cidadãs conscientes, um país de gente comprometida com o bem comum, um povo digno do evangelho da fraternidade.


Pe. João Carlos Ribeiro – 02.09.2014
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