10 junho 2014

Precisamos ganhar essa Copa

Mais de 200 milhões: é o tamanho da torcida brasileira.  Preparados ou não, somos os anfitriões dessa Copa. O número de turistas estrangeiros supera os 600 mil previstos. As manifestações e greves nos deixam apreensivos. A CNBB, que congrega os bispos católicos do país, já se pronunciou com preocupação. Copa Mundial num ano eleitoral é uma mistura explosiva.

Qual é a preocupação da Igreja? São várias:  a proteção de vulneráveis contra o turismo sexual e o tráfico de pessoas humanas para a prostituição ou o trabalho escravo; a sorte das famílias que foram removidas para a construção dos estádios e melhorias de acessos. A perda de memória dos superfaturamentos das obras da Copa; a repressão a manifestações legítimas nesses dias.

Mas, ninguém pode negar que a Copa é um grande momento do Brasil. E ninguém de nós está torcendo para que as coisas deem errado. Pelo contrário, estamos na torcida que tudo dê certo, que os turistas e torcedores voltem para casa com o testemunho de que o Brasil fez uma Copa organizada e segura. Esse será o nosso maior troféu. Mas, ninguém pode esconder que muita coisa foi feita de última hora e mal feita. E que o grande faturamento não é do país.

O jornalista Vandeck Santiago publicou, em importante jornal de nossa região, um artigo intitulado “Turista não merece apito”. Ele lembra que “hospitalidade não tem ideologia e os turistas que vêm para a Copa não têm nada a ver com nossas brigas internas”.  “Ser bem recebido é uma das melhores lembranças que podemos levar de algum lugar”. Por isso ele recomenda: receber bem, dar informação, alertar quem estiver em perigo, acolher com o nosso calor brasileiro. Desperdício de dinheiro, superfaturamento de obras, má qualidade de trabalhos devem ser apurados depois. E conclui: “Deixemos o turista de fora dessas pendengas, na esperança de que ele leve daqui a imagem real do Brasil de hoje: a de um país maior que suas próprias divergências internas”.

A Igreja também está oferecendo serviços religiosos em várias línguas. É importante que não mostremos somente nossas praias e nossos pontos turísticos e nossa rica culinária. Mostremos também nossa fé em Deus, nossas igrejas, nossas celebrações. Em muitos lugares, a Igreja está organizando celebrações em inglês, espanhol, alemão ou francês. E estão sendo atendidos os pedidos de grupos linguísticos em seus próprios hotéis. Importante é que onde o turista for, na igreja que ele entrar, seja bem recebido, como irmão e amigo. Isso é acolher bem. Isso é Brasil.

Mais do que torcer pela vitória da seleção, vamos torcer pela Copa, para que tudo saia bem, que todos os percalços de sua preparação não empanem o brilho desta festa mundial de congraçamento e que os brasileiros não percam a sua fama de ser o povo mais acolhedor do planeta. O Brasil, um país organizado e acolhedor: isso é muito mais do que o hexa. Faço votos ainda que depois da Copa, nossa consciência crítica e nossa cidadania façam, com toda a responsabilidade, a grande festa da democracia.

Pe. João Carlos Ribeiro  – 10.05.2014

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