01 abril 2014

Fraternidade e Tráfico Humano

Você já viu o cartaz da Campanha da Fraternidade? O cartaz da Campanha deste ano apresenta várias mãos acorrentadas. As correntes estão sendo rompidas numa faixa iluminada. Tem até uma mão com um símbolo de um órgão humano. As mãos representam as pessoas que, em sua condição de vulnerabilidade são presas do tráfico humano: para o trabalho escravo, a prostituição, o comércio de órgãos. A frase bíblica no cartaz é muito significativa: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). A proposta é clara: a fé em Jesus libertador nos leva a um claro compromisso fraterno com as pessoas que estão sendo vítimas do tráfico humano ou podem cair nessa situação.

Naquela novela “Salve Jorge”, esse assunto do tráfico humano foi tratado, mostrando a atividade de uma quadrilha comandada por Lívia Marini, ajudada por Wanda que aliciava moças no Brasil para serem levadas para Istambul, na Turquia. As jovens eram seduzidas pela promessa de altos salários e muitos benefícios na profissão de Modelo na Europa. Uma dessas jovens aliciadas foi a protagonista da novela, Morena, interpretada por Nanda Costa. Ela, do Complexo do Alemão no Rio, já mãe aos 14 anos, no centro da trama, conta com a ajuda da Polícia Federal, representada pela delegada Helô, personagem de Giovanna Antonelli, responsável pela investigação do tráfico de pessoas. A situação das pessoas traficadas foi retratada abundantemente, mostrando como as moças eram obrigadas a se prostituir e ficavam trancadas em um alojamento pequeno e sujo, no interior de uma boate. Quem assistiu a novela lembra o tratamento desumano, humilhante e violento que Russo, o chefe da segurança, e Irina, a gerente da boate, davam às brasileiras traficadas naquela boate, na Turquia. Elas tinham saído de casa pensando em seguir uma profissão vantajosa, juntar algum dinheiro, ajudar suas famílias... na verdade, foram vítimas do tráfico humano. 

Nessas mesmas condições, são aliciados jovens e pais de família no Piauí, na Paraíba, em Pernambuco e em outros Estados para irem trabalhar no Sudeste, no Norte, nas regiões de fronteira e até fora do País. As promessas são excelentes: salários bons, pagamento da viagem, muitos benefícios.... E pessoas, sempre as mais necessitadas de trabalho, embarcam nesse sonho de oportunidade. No meio da estrada, a coisa já muda de figura. No desembarque, nem alojamento encontram. Ficam logo sabendo que vão descontar as passagens e as despesas de viagem.  Aos poucos dão-se conta que não vão ter carteira assinada, nem direitos trabalhistas assegurados, nem perspectiva de volta.  Na maior parte das vezes, não se vê dinheiro nesses lugares isolados para onde são levados. Viram escravos, trabalhando pra pagar o barracão e pretensos prejuízos do patrão.

E a coisa não fica só no tráfico de trabalhadores para as grandes frentes agrícolas ou de jovens para a prostituição na Europa. São crianças “sequestradas” para adoção ilegal, para comércio de órgãos ou para prostituição infantil. E aí entram meninos e meninas. É a rede de pedofilia, é a pornografia na internet, é um mundo de maldade debaixo do nosso nariz.

E não pense que isso só acontece com os outros e com gente desesperada e sem informação. Abra bem os olhos, porque o seu filho pode estar sendo aliciado pelo computador; e todo cuidado com a sua filha que está se preparando para ir para o estrangeiro: pode ser presa fácil do tráfico para a prostituição internacional. Tem muita criança desaparecida: cuidado com suas crianças na volta da Escola... Só para dizer que o problema não está longe da gente.

E o que quer a Campanha da Fraternidade? Quer que este problema do tráfico humano não esteja longe do nosso coração. Quer que alertemos os outros, ajudemos a libertar quem está n situação de traficado e sejamos cidadãos conscientes e críticos para apoiar e cobrar segurança, investigação e punição dos criminosos e suas quadrilhas. A Campanha da Fraternidade quer, afinal, que sejamos bons seguidores de Jesus, responsáveis uns pelos outros, para assim vivermos bem o mandamento do amor ao próximo.


Pe. João Carlos Ribeiro