Meditação da Palavra

26 março 2014

Meu pai é alcoólatra

Tenho aqui o email de um adolescente de 16 de anos. Ele quer um conselho. Ele tem um pai alcoólatra e quer fazer alguma coisa por ele. Pede uma orientação. Um adolescente preocupado com a situação da família, especialmente com o pai que bebe muito e apronta. Viciado no álcool, o pai chega bêbado em casa, sai quebrando as coisas, tratando mal os filhos, a esposa. Este adolescente angustiado com a situação, quer um conselho, está procurando uma forma de ajudar.

Esse é, infelizmente, um problema de muitos lares, e dos grandes.  O álcool gera pessoas dependentes, gera pessoas doentes. O vício da bebida alcoólica é uma doença, essa é a primeira coisa que a gente precisa dizer. E a segunda coisa a dizer é que a  solução da bebida tem que ser procurada não somente na boa vontade das pessoas. Na verdade, a cura precisa ao menos de duas coisas: a vontade do dependente de sair dessa situação e um grupo de apoio. O melhor grupo de terapia e apoio, nesse caso, é a Associação de Alcoólicos Anônimos, o AAA. Algum remédio nessas circunstâncias pode também valer, pois o doente, o dependente químico precisa desintoxicar o seu organismo. Então, se não se contar com a sua boa disposição, a vontade de parar, nada feito. Mas, é aí que a família pode entrar de maneira especial.

Os familiares podem ajudar o dependente do álcool a querer mudar, e isso só se consegue com amizade, compreensão. Ele precisa ter a sua autoestima elevada. A família pode ajudar demonstrando afeto, companheirismo, proximidade. O diálogo com ele só é possível quando ele estiver sóbrio. Esse pode ser um começo de mudança. E depois é preciso vencer a raiva, as mágoas, os dissabores, e demonstrar carinho e afeição.  A rejeição tão comum de vários membros família não ajuda. O desprezo, a frieza, a indiferença, tudo isso pode reforçar a dependência e empurrá-lo ainda mais para o vício.

E o que dizer ao adolescente preocupado com o pai alcoólatra? Bom, você meu amigo, você e sua família que tanto sofrem pelo vício do chefe da casa, precisam ficar ainda mais unidos e assim conjuntamente lutarem pela recuperação dele, amá-lo ainda mais, demonstrar carinho e compreensão. Esse é o primeiro passo. É preciso encontrar um jeito de dialogar com ele sobre o seu problema, tantas vezes quanto necessário. Esse é o segundo passo. Assim vocês estarão criando possibilidades para despertar nele vontade de lutar, vontade de vencer a dependência do álcool, vontade de parar. Essa é o terceiro passo.  É claro que ele não depende só de vocês, mas depende também. Sem vocês por perto, sem o amor de vocês demonstrado, ele fica mais frágil, mais jogado à própria sorte, lá onde já caiu por más companhias, ou quem sabe pela apreensão com os problemas, os débitos ou outras frustrações da existência.

Se o terceiro passo for dado, isto é, se despertar nele a vontade de querer parar, então é preciso encaminhá-lo para um grupo de terapia e apoio. Esse é o quarto passo. E não se trata apenas de ajudá-lo a evitar o primeiro gole, mas de apoiá-lo numa vida saudável e feliz.

E se todas as tentativas falharem? Bom, pelo menos terão a consciência tranquila de que tentaram, de que fizeram o possível, não se omitiram. Mas, ainda assim não lhes pode faltar o amor que faz família e que nos marca com cristãos; e a fé e a confiança em Deus, para o qual nada é impossível.


Pe. João Carlos