27 fevereiro 2014

Deus te abençoe

A bênção, minha mãe. Deus te abençoe! É a resposta. Mas minha vó paterna respondia sempre: Deus te faça feliz. Uma bela resposta também. Por que os filhos tomam a bênção aos pais? Será que isso é coisa do passado?

O que significa “Deus te abençoe”? O pai, a mãe, o tio, a avó, a madrinha estão pedindo a Deus que abençoe você. Estão fazendo uma oração, estão invocando a Deus para que ponha suas mãos sobre sua vida e lhe dê proteção, saúde, livramento. Estão recomendando ao Senhor que tome conta de você, que lhe assista com sua graça, com seu favor. É isso que significa “Deus te abençoe”.

O costume de abençoar os filhos tem base na história bíblica do povo de Deus. Os patriarcas abençoavam seus filhos, de maneira particular os primogênitos. Basta lembrar a história de Jacó e Esaú que disputaram a bênção do seu pai Isaque. E a bênção que Jacó deu aos seus doze filhos. No livro do Eclesiástico, tem esse ensinamento: “A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (Eclo 3,11).

E pai e mãe têm autoridade para abençoar em nome de Deus? Bom, eles já geraram você, participando do poder criador de Deus. E o próprio Deus completou a obra criando a sua alma. Cuidando de você, protegendo, alimentando, eles representam o próprio Criador e Pai que cuida de nós. Assim, eles como pais têm autoridade sobre nós, pois estão agindo em nome de Deus. Depois dos dois mandamentos que se referem ao Senhor Deus (amá-lo acima de tudo e honrar o seu nome), o terceiro mandamento da lei de Deus fala dos pais. Honrando pai e mãe, estamos honrando o Senhor, que os colocou ao nosso lado para cuidar de nós. Assim, eles têm a autoridade dada por Deus para orientar, aconselhar, acompanhar. Com a autoridade que receberam, invocam a bênção de Deus sobre os filhos.

E outros parentes também podem abençoar? Depois dos pais, a autoridade de abençoar está com os avós, em primeiro lugar, e com os tios, por sua ligação com os pais. Seguem os padrinhos de batismo, pois assumiram uma certa paternidade e maternidade espiritual no nascimento do novo cristão. Aos sacerdotes cabem também uma autoridade especial. No caso de nossa Igreja, eles são até chamados de pais – padres -, pois realizam também a seu modo a paternidade de Deus que abençoa, alimenta, consola, conforta, reconcilia na sua grande família.

Então, devemos continuar esse costume de pedir a bênção? Sem dúvida. Mas, já que estamos crescendo no conhecimento da fé, convém que a bênção seja pedida e dada de maneira mais consciente e respeitosa. É preciso entender melhor o que estamos fazendo. Pedir a bênção não é só um ato de respeito às pessoas que têm autoridade sobre nós, é um ato de confiança em Deus que nos abençoa por meio dessas pessoas. E abençoar um filho, um sobrinho, um afilhado é mais do que desejar-lhe felicidades. É implorar de Deus, com confiança e humildade, a sua graça e a sua proteção sobre ele. Isso quer dizer que nos cabe sempre a responsabilidade de rezar por aquela pessoa, de recomendá-la ao Senhor, permanentemente.  

E coisa igualmente importante, como filhos de Deus, seguidores de Jesus, podemos e devemos invocar a bênção de Deus sobre qualquer pessoa. É assim que termina o salmo 129: “Nós abençoamos vocês em nome do Senhor” (Sl 129, 8).


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb – 27.02.2014

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