04 julho 2013

Uma outra Escola Católica

A Igreja tem a missão de levar a boa nova de Jesus a todas as criaturas. É a evangelização. E evangelização é mais do que anúncio da fé em Cristo, é também testemunho de comunhão, diálogo com outros grupos religiosos e serviço de caridade aos mais necessitados. É o que diz a CNBB: Evangelização é tudo isso. Como a missão é muito complexa, a Igreja atua em várias frentes com suas comunidades e instituições. Atua, por exemplo, na saúde, na ação social, na comunicação, na liturgia, na catequese... só para enumerar algumas dessas frentes. Entre essas,  eu queria lembrar uma área de atuação muito importante: a educação. Através da educação católica, em escolas, centros de formação profissional, faculdades, universidades a Igreja pretende contribuir com a formação de cidadãos e cidadãs inspirados e alicerçados no Evangelho de Cristo.

 A escola católica tem sido historicamente uma presença marcante da Igreja na sociedade brasileira. Mas, o mundo está mudando muito rapidamente. A cultura tornou-se fortemente urbana, as condições de trabalho alteraram-se muito nesses anos, como também a família, o casamento, a educação dos filhos. Até mesmo o cenário religioso está mudado. Por isso, para manter a qualidade e a significância, as escolas católicas têm que se preparar para grandes mudanças também. Assim, vale a pergunta: “Uma outra escola católica é possível?”. Para tentar uma resposta a essa pergunta, 1.300 educadores reuniram-se, neste início de julho, na cidade de Goiânia, no Estado de Goiás, no II Congresso Nacional de Educação Católica.

A conclusão a que chegaram os educadores é que se tem mesmo que mudar a escola, como que quase reinventá-la. O cenário atual do mundo globalizado pede uma nova escola, cobrando-nos mais qualidade, participação dos alunos, professores e famílias, novos métodos de aprendizagem... O próprio Documento de Aparecida nos pede uma escola transformadora e missionária. Crianças e jovens de hoje já aprendem de outra forma e precisam de uma escola que vá além da matéria de sala de aula. Em meio a essa sociedade da informação, acessível imediatamente pelos celulares, ipads, computadores, a nova geração precisa de orientação e sentido para a vida. E é isso que a escola católica pode fazer de melhor: ajudar os jovens a crescerem com sentido, responsabilidade, solidariedade, compromisso com o futuro e abertura para a ação de Deus.

Para ser uma boa escola católica, a escola precisa, antes de tudo, ser uma boa escola. E boa escola é a que ensina bem, estimula o protagonismo dos estudantes, ajuda a abrir a cabeça e o coração para os excluídos e prepara seus estudantes para a vida. Para ser uma boa escola católica, a escola precisa ser, antes de tudo, uma boa escola. Mas, a identidade católica leva a ação educativa mais longe: procura formar cidadãos e profissionais com espírito cristão, animados pela ética, pela justiça e pelos valores do Evangelho.

Mudar a escola não é tarefa fácil e nem pode ser feita de uma hora para outra. Mas o nosso II Congresso de Educação Católica deixou pistas muito interessantes: manter o foco nas pessoas, não no mercado; investir na formação e na valorização dos professores; escrever um projeto educativo evangelizador com ampla participação; valer-se dos novos meios de informação e comunicação para ensinar e aprender melhor; trabalhar em rede de cooperação com outras escolas; e, sobretudo, não esquecer para quê a escola católica existe: para a evangelização. E evangelização é anúncio, diálogo, testemunho e serviço.


 Pe. João Carlos Ribeiro – 04 de julho de 2013

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