19 novembro 2015

O grupo garante a Jornada

A Jornada Mundial da Juventude foi um sucesso, um grande sucesso. A juventude acorreu numerosa, em número superior a três milhões, superando todas as expectativas. O Papa Francisco conquistou a todos pela simpatia, pela humildade e pelas propostas de uma Igreja mãe e servidora. Agora, é hora de cuidar da herança deixada pela JMJ, isto é, trabalhar para que o que foi plantado dê frutos. Um fruto esperado é com certeza o fortalecimento da articulação e da ação dos jovens na pastoral de juventude, em todas as comunidades e dioceses.


A Jornada recolocou os jovens no centro da cena. A  Jornada foi dos jovens. A imprensa focou muito no Papa, com muita razão, mas não se tratava de uma simples visita sua ao Brasil. Ele veio como peregrino à Jornada Mundial da Juventude, veio presidi-la. Aproveitou, é claro, para contatos com o Santuário Nacional de Aparecida, com os bispos e padres, com as lideranças da sociedade civil. Mas, mesmo nesses compromissos manteve sempre o foco. Em todos os discursos ele pôs os jovens no centro da conversa. Em Aparecida, convocou os pais a serem testemunhas da fé para os filhos. Aos padres e bispos, lembrou que lhes toca o acompanhamento do seu crescimento cristão. Aos políticos, falou de sensibilidade para com as manifestações, ouvindo os jovens e assegurando-lhes serviços de qualidade na educação, na saúde, na segurança. Falando aos jovens na cerimônia de boas vindas, na via-sacra, na vigília e na Missa de envio não discursou apenas sobre algum assunto, referiu-se diretamente aos jovens, fazendo-lhe perguntas, propondo-lhes compromissos, encorajando-os a confiarem e amarem a Cristo. Refletindo o sentimento geral de simpatia pelo Papa Francisco, os meios de comunicação deixaram em segundo plano o protagonismo dos jovens.


Não podemos esquecer que por trás daquela massa humana formidável estão os próprios jovens, com suas organizações e lideranças: grupos jovens, pastorais de juventude, movimentos, serviços que articulam e mobilizam os jovens em suas comunidades e dioceses.  Não se trata de uma massa mobilizada pela mídia, embora com certeza a adesão à Jornada tenha recebido um grande incentivo dos meios de comunicação. Trata-se de uma juventude mobilizada pelas pastorais de juventude e seus assessores. Em todas as movimentações do evento, viam-se grupos de mãos dadas para não se perderem na massa, grupos com liderança jovem e também assessoria de adultos e religiosos. Longe de uma massa de curiosos, via-se ali grupos que foram articulados lá na base a partir da pastoral de juventude, acostumados à reflexão conjunta e apoiados por suas comunidades no penoso trabalho de levantamento de fundos para a viagem. Lá onde a pastoral de juventude ou o setor de juventude das Paróquias, Dioceses ou Regionais estavam já vivos e animados, o trabalho fluiu facilmente, na preparação e envolvimento dos jovens. Lá onde a coisa andava meio parada, a proposta da Jornada estimulou  um crescimento de organização. Paróquias e Dioceses, aproveitando o momento, melhoraram sua organização de pastoral de juventude ou criaram seus setores de juventude.

A pastoral de juventude é a via de participação dos jovens na Igreja. Ali, os jovens formam e dirigem democraticamente seus grupos, contando com o apoio de assessores adultos ou jovens mais experientes. Os grupos se articulam entre si, em torno de uma organização paroquial ou diocesana, mas sempre a liderança dos próprios jovens. Os adultos, pais de família, educadores, religiosas, seminaristas, padres têm um papel importante na pastoral de juventude: apoiar os grupos em nome da comunidade, acompanhá-los no seu desenvolvimento espiritual. Estar à frente da pastoral de juventude é tarefa dos próprios jovens. A pastoral de juventude é o seu espaço de organização na Igreja, sua área de protagonismo. Falando aos bispos, o Papa criticou o clericalismo. Pelo clericalismo, as coisas ficam centralizadas e os leigos são podados em sua liberdade de ação. Isso explica a “falta de maturidade adulta e de liberdade cristã em boa parte do laicato da América Latina”, disse o Papa. E isso pode acontecer em relação aos jovens, se não forem os próprios jovens os protagonistas de sua pastoral.

Em geral, na Jornada, o estímulo foi à resposta pessoal, ao engajamento de cada peregrino, e esse, de fato, é o passo inicial. Mas, o grupo é a garantia de continuidade e de aprofundamento. O jovem não está sozinho, não foi sozinho à jornada, não sobreviverá em ação missionária isoladamente em sua cidade. A verdade é que a Jornada, em sua preparação foi movida pelas organizações jovens e pelos setores que articulam a juventude na base, nas comunidades, paróquias e dioceses. Se o pós-jornada não continuar favorecendo a organização dos próprios jovens na Igreja, corre-se o risco de a JMJ se perder num grande entusiasmo passageiro.

Pe. João Carlos Ribeiro - 29 de julho de 2013
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