04 julho 2013

Divino Pai Eterno

E o Brasil todo conhece a devoção ao Divino Pai Eterno, graças ao trabalho dos missionários redentoristas e também ao brilho da figura carismática do Pe. Robson de Oliveira e sua presença forte na Rede Vida de Televisão. Como estou em Goiania, participando de um Congresso Nacional de Educação Católica, reservei uma manhã para visitar o Santuário do Divino Pai Eterno, na vizinha cidade de Trindade. Antes mesmo de chegar lá, já fiquei impressionado com os peregrinos que vão a pé os 18 km que separam a capital de Trindade. A Rodovia estadual que liga as duas cidades possui uma pista exclusiva para pedestres, como também uma exclusiva para ciclistas, além de vias duplicadas para os veículos de passeio e ônibus. Em todo o percurso vi serviços de alimentação, banheiros e abrigos ao lado das estações da via-sacra. E mesmo com o sol alto, encontrei centenas de pessoas se dirigindo para lá. Vejam que mimo a Providência me fez: possibilitou-me ir ao Santuário Basílica do Divino Pai Eterno bem no período da romaria!

Trindade há muitos anos atrás se chamava Barro Preto e era um arraial muito tranquilo, perdido no centro de Goiás.  Seu Constantino e dona Ana Rosa eram casados e trabalhavam na roça, como todo mundo no arraial. Um dia, preparando a terra para a plantação, encontraram uma medalha de terracota de meio palmo de tamanho.  A medalha tinha a representação das Três Pessoas da Santíssima Trindade coroando Nossa Senhora. Levaram a medalha para casa e o povo começou se reunir para rezar o terço. Era o ano de 1843. A devoção à Trindade coroando a Virgem, como aparecia na medalha, foi crescendo, crescendo e começou a atrair gente de longe que vinha a pé, de carro de boi, de cavalo, os meios de transporte de então. Surgiu então uma capelinha. E um padre começou a ir lá rezar a Missa uma vez por ano, no primeiro domingo de julho.  Foi assim que a festa começou a ser celebrada sempre no primeiro domingo do mês de julho. Hoje, cerca de dois milhões e meio de peregrinos passam por Trindade durante os 10 dias da festa.
Uma segunda coisa que me encantou nessa visita à Trindade foi a boa acolhida que eu vi as pessoas recebendo por parte de voluntários. Eles acolhem as pessoas, dão informações, limpam o Santuário, organizam as celebrações, acompanham o estacionamento, a sala dos milagres, os pontos de inscrição de novos colaboradores. Ouvi dizer que dois mil voluntários estão trabalhando durante o período da festa, como bons irmãos que recebem os visitantes e peregrinos com cordialidade e espírito de serviço.

A terceira coisa que me chamou a atenção em Trindade foi a liderança pastoral dos missionários redentoristas. Eles atuam também em outros Santuários, como Bom Jesus da Lapa e Aparecida. Em Barro Preto, que depois veio a se chamar Trindade, eles chegaram em 1894. O Bispo estava muito preocupado com a assistência do povo romeiro e foi na Europa e conseguiu a vinda dos redentoristas. Foi uma bênção. Os devotos do Divino Pai Eterno contam com o pastoreio e a liderança de religiosos de muita visão e de grande espírito missionário.


Neste ano, em sintonia com o ano da fé, a romaria leva o tema “Pai eterno, eu creio em vós”. É a proclamação da fé cristã que cada romeiro é chamado a renovar em sua visita à Casa do Pai. Por falar em Casa do Pai, está em construção um novo e definitivo Santuário em outro ponto fora da cidade. O atual já não comporta o movimento. O novo templo vai sendo construído com a ajuda de gente de todo o Brasil, com o dinheirinho dos devotos. Mas, com certeza, como nos ensinou o apóstolo Pedro, cada peregrino, cada romeiro, cada devoto é que é de verdade o verdadeiro tijolo na construção da Casa do Pai, que é a Igreja de Jesus.

Pe. João Carlos Ribeiro - 03 de julho de 2013
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