Meditação da Palavra

04 junho 2014

Pentecostes, um novo povo


Pentecostes é a festa do Divino Espírito Santo. É ele quem dá continuidade à missão de Jesus.  Jesus não nos deixou sozinhos. Subiu para o Pai, não está mais fisicamente conosco. Continua conosco na sua Palavra, na sua Igreja, nos sinais sagrados da fé que são os Sacramentos. E para que a gente pudesse continuar progredindo no seu Evangelho, ele e o Pai nos enviaram o Espírito Santo. Ele é o outro defensor anunciado por Jesus. Ele veio para nos ajudar a continuar o projeto do Pai, que é a felicidade de todos os seus filhos.


Na ceia, Jesus insistiu com os apóstolos: “o melhor para vocês é que eu vá embora, porque, se eu não for, o outro defensor não virá para vocês. Mas se eu for, eu o enviarei.”  Há uma continuidade entre a missão de Jesus e a missão do Espírito. O segundo defensor vem dar prosseguimento à obra do primeiro. Ele vai desmascarar o mundo. Vai mostrar quem é pecador e quem é justo. Ele encaminhará os discípulos para toda a Verdade. Jesus explicou: “ele tomará do que é meu e explicará tudo a vocês”. É toda uma catequese sobre a atuação do Espírito Santo na Igreja e na história. Ele vem em continuidade com a obra redentora de Jesus. “Quando ele vier, dará testemunho de mim”, explicou Jesus.


Os judeus aguardavam a festa da lei, 50 dias após a Páscoa. Era a Festa de Pentecostes. Celebravam-na em Jerusalém. Era uma festa de gratidão e compromisso. Gratidão a Javé pela Aliança, que ele fez com o povo, pela lei que lhe foi dada. Compromisso com tudo que representava a aliança: um povo reservado para  glória de Javé, um povo que aceitou caminhar na justiça e na liberdade. Deus e o povo caminhando juntos na história, regidos por uma lei escrita em tábuas de pedra e guardadas na arca da Aliança, no Templo.

Para os discípulos de Jesus, Pentecostes adquiriu um significado ainda mais profundo. Na caminhada do antigo povo, Deus lhe escreveu uma legislação em tábuas de pedra. Na caminhada do novo povo, o Pai escreveu a nova aliança no coração de cada um. Realizou a antiga promessa de trocar o coração de pedra daquela gente por coração de carne. A lei não é mais uma imposição externa. É uma moção interna, atuação do Espírito Santo em cada um. Com a festa de Pentecostes, Israel celebrava na sua capital a constituição da nação. O povo começou a ter cidadania quando teve a lei que Javé lhe deu, por meio de Moisés. Com a festa de Pentecostes, a Igreja, o novo Israel, passa a celebrar o dia de seu próprio nascimento. O Espírito é o seu estatuto de povo de profetas, sacerdotes e pastores.

A Igreja se preparou para Pentecostes com a novena e a semana de oração pela unidade dos cristãos A Novena de Pentecostes lembra a primeira comunidade de Jerusalém se reunindo todos os dias e esperando a realização da promessa de Jesus, promessa cumprida no dia de Pentecostes, quando veio o Espírito sobre a comunidade. E foi assim, que aquele primeiro grupo lançou-se à missão com entusiasmo e destemor. Com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, procuramos sintonizar com o coração de Cristo que rezou na última ceia: “Pai, que todos sejam um, como tu estás em mim e eu estou em ti, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Hoje, ainda, há muita coisa ainda puxando para o passado. Nossas leis, nossas regras representam sempre a tentação do povo da antiga lei. Mas, não são estas normas que fazem a Igreja. Elas ajudam na organização. Mas, a verdadeira realidade que nos faz Igreja é o Espírito Santo que atualiza em nós e entre nós a graça e a missão de Cristo Jesus. Celebrar Pentecostes é voltar à fonte batismal, ao derramamento do Espírito, onde a Igreja nasceu livre, destemida e missionária.

Pe. João Carlos Ribeiro