28 janeiro 2014

A tragédia dos jovens

O incêndio na boate Kiss, que matou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos na cidade de Santa Maria (RS), completa um ano neste 27 de janeiro. 

Sinceramente, eu até estava achando a campanha da Pastoral de Juventude do ano passado um tanto exagerada. E os jovens continuam martelando o tema do extermínio de jovens no país. Eles andam preocupados porque vem morrendo muita gente nova e de muitas formas. No trânsito, o maior número de vítimas é de jovens, especialmente em acidentes de moto. Nas cenas de violência urbana – assaltos, roubos, arrastões, depredações – a grande maioria das vítimas e também dos agressores é de jovens. E a quase totalidade dos dependentes químicos, quem são? Pois é, as comunidades terapêuticas estão lotadas de jovens. E as cracolândias, mais ainda.


No geral, os jovens são os mais atirados e mais expostos ao trabalho escravo, ao tráfico de pessoas para o estrangeiro, ao turismo sexual, à prostituição, às drogas. Os mais expostos e os menos experientes. De fato, o quadro é de extermínio. Morrem mais jovens, no país, de acidentes, violência, consumo e tráfico de drogas do que numa guerra convencional. A pastoral de juventude tem razão, há um quadro de extermínio de jovens em nosso país. A tragédia em Santa Maria, com o incêndio de uma boate e a morte de mais de 230 jovens confirma tudo isso.

O país está crescendo e os nossos níveis de segurança são acanhados. E aqui não é só o Governo de qualquer esfera, as leis e os órgãos de controle que devem agir com maior rigor nas questões de trânsito, na regulamentação das casas noturnas, no policiamento ostensivo, no combate ao tráfico. Também. É uma mudança em que toda a sociedade civil precisa se sentir responsabilizada. O Brasil é um grande país, com cacife para sediar Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol, Jornada Mundial da Juventude, Olimpíadas Globais. Então, tem que contar com uma população que saiba exigir e praticar níveis de segurança adequados nas ruas, nas casas de festa, no carnaval, nas estradas. Uma população que usa cinto de segurança, que não bebe ao dirigir, que usa capacete nas motos, que sabe acionar os telefones de emergência da polícia, do corpo de bombeiros, do SAMU. Famílias que não permitem que seus filhos estejam fora da sala de aula, que acompanham os passos dos seus adolescentes na night. Nesse Brasil tomando ares de país desenvolvido, precisamos contar com níveis de segurança mais sérios, controlados pelos órgãos de governo e por uma sociedade civil responsável.

O fato é que certo liberalismo moderno, sob os olhares complacentes de cidadãos omissos, está impondo um desregramento total na vida da nova geração com a crescente promoção da maconha, do aborto, do sexo fácil, do comercio da fé, do consumismo compulsivo. E em nome desses "novos tempos" de liberdade sem limites, de curtição sem consequências, do império do sentimento e do achismo, a nova geração vai enfrentando desarmada um exército poderoso que tem por trás interesses sem rosto no mundo do tráfico, na sociedade de consumo, na indústria do sexo, nos que se beneficiam da consciência alienada das massas.

Reconhecemos então um quadro grave de extermínio de jovens no país. E precisamos garantir um maior nível de segurança, como também devemos oferecer uma educação para a liberdade e a responsabilidade. Nesse momento, precisamos de lideranças políticas que nos ajudem a elevar o nível de segurança em nossa vida moderna no trabalho, no trânsito, na moradia, no lazer; como igualmente necessitamos ser de uma sociedade civil mais exigente consigo mesma, com o cumprimento das leis e dos níveis básicos de segurança; e de cidadãos comprometidos com a educação da nova geração com diálogo e limites. Porque educar é iniciar à vida adulta com responsabilidade, respeito e compromisso. Compromisso com a vida, com a dignidade, com Deus.

Pe. João Carlos Ribeiro