04 dezembro 2015

Veio, vem, virá


A primeira vinda de Jesus foi o maior acontecimento de todos os tempos. Quem poderia imaginar que o Deus vivo e verdadeiro viesse morar com as pessoas dessa terra? Foi isso que aconteceu no primeiro natal. Deus veio e armou sua tenda entre nós. A Segunda pessoa da Trindade Santa, o Filho, assumiu nossa condição humana no seio de Maria Virgem. Nasceu e viveu entre nós. Como diz o Evangelho de João: "veio para o que era seu. Mas, os seus não o receberam" (Jo 1,11).


Ao lado da alegria que experimentamos no Natal – a vinda do Senhor – reconhecemos com pesar que ele foi rejeitado. Não foi bem recebido. Nem pelos seus conterrâneos, nem pelas autoridades de seu país, nem pelo povo judeu, em geral. No nascimento, Herodes o perseguiu para exterminar pela raiz qualquer possibilidade de oposição política. Na sua comunidade, em Nazaré, foi expulso da Sinagoga  pelos seus próprios conterrâneos. Na cruz, foram as autoridades do Templo e os representantes do Império Romano que o baniram como um malfazejo. Excluíram-no como um indesejado. Poucos o receberam. Mas, estamos com o evangelho de João: "A todos os que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus".

Jesus então já veio. Mas,  continua vindo, continua nos encontrando nas estradas desse mundo. É claro, ele hoje está à direita do Pai, governando a história, como Senhor do céu e da terra. Nisto cremos. Mas, sua promessa foi de ficar conosco, seu povo, sua Igreja, todos os dias até à consumação dos séculos. Assim é que ele continua presente anunciando o Reino, nos interpelando, nos guiando no caminho de volta para a casa do Pai. Ele continua vindo: fazendo-se presente na palavra das Escrituras, no sacramento da refeição eucarística, no conselho e na sabedoria dos irmãos, no sofrimento dos pobres, no clamor dos injustiçados. Ele continua vindo. Oxalá, saibamos reconhecê-lo e recebê-lo.

È certo, Jesus já veio uma primeira vez. E permanentemente, vem a nós, hoje. Mas, definitivamente, no fim dos tempos, virá para julgar vivos e mortos. Quando, não sabemos. Mas, precisamos tomar o seu conselho, estejamos vigilantes, preparados. Disto, tem-nos falado muito nesses dias nas Escrituras. "O dono da casa pode voltar a qualquer momento. Felizes os que estiverem acordados e vigilantes". Como voltará, não sabemos. Apenas temos as imagens da pregação dos profetas do Antigo Testamento. Um modo de falar apocalíptico que Jesus utilizou também. Mas, apenas um modo de falar. O "como' o "quando" voltará são realidades tão surpreendentes e fortes que dela podemos ter apenas uma vaga ideia. A verdade fundamental comunicada nesses textos é que Jesus, o filho de Deus, consumará sua obra fechando com chave de ouro a história, e entregando ao Pai, como um presente, o que de bom colher por aqui.

A Igreja – o povo de Jesus – vai voltando seus olhos, nesses dias do advento, para o presépio de Belém. Foi lá a sua primeira vinda. Mas, não pode deixar de abrir os olhos para o momento atual da história: é nele que o Senhor nos interpela, nos educa, abre o caminho da casa do Pai à nossa frente. Hoje ele continua vindo. Olhando ainda mais longe, apurando bem a vista, nos damos conta também que ele ainda virá. Será a sua segunda vinda. Virá para coroar sua obra iniciada e deixada aos nossos cuidados. E a Igreja, o povo santo, se enche de respeito profundo e sentimentos de penitência frente ao seu Senhor que veio, que vem e que virá. É o advento.

Pe. João Carlos Ribeiro