12 dezembro 2012

Santa Luzia, os olhos que vêem

Santa Luzia é invocada como padroeira da visão, patrona dos olhos. Isso talvez se deva ao significado do seu nome – Luzia, de lux, luz em latim. Sua imagem é a apresentada com uma bandeja com dois olhos. Com certeza, é uma referência ao seu nome ou também poderia ser uma referência a um dos itens de crueldade do seu martírio. Ela pertence ao grupo de cristãos perseguidos dos primeiros séculos. Foi martirizada no ano 304. Morreu decapitada, depois de muito sofrimento. Sempre se disse com razão que ela preferiu perder os olhos a macular a sua amizade com Cristo, a verdadeira luz.

Uma vez Jesus disse aos discípulos: "Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo". E o que é que eles estavam vendo? Eles estavam sendo testemunhas da presença de Jesus e de sua ação salvadora. Viam-no e ouviam-no. Ele, o prometido de séculos, estava ali. O aguardado das nações estava na sua frente, falando e agindo. Isaías tinha falado dele: o rebento de Jessé, nascido do tronco decepado do povo eleito. Malaquias tinha predito a sua ação como a do fogo do fundidor, purificando o seu povo dos seus pecados. Zacarias, pai de João Batista, falara dele como a luz do sol nascente que nos veio visitar. O rebento de Jessé, cheio do Espírito de Deus, estava ali marcando um novo começo para o povo sofredor. O mensageiro de Malaquias, revelando a maldade do coração humano, estava ali restaurando os excluídos. A luz do sol nascente estava brilhando.  "Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo".

Nem todo mundo podia enxergá-lo. Viam, mas não o compreendiam. Ouviam-no, mas não o entendiam. Nem o aceitavam. Numa bela oração, Jesus atribuiu ao Pai esta façanha: escondeu essas coisas aos sábios e inteligentes. E as revelou aos pobres e pequeninos. Sim, aqueles corações humildes podiam entendê-lo. Os humilhados o reconheceram. Por isto a sua oração: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque revelastes essas coisas aos pequeninos. Sim, Pai, porque foi do teu agrado". Os discípulos o reconheceram, porque eram gente de coração de pobre e mereciam a primeira bem-aventurança: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino de Deus".

Jesus está presente em nossas vidas, em nossa história, construindo o Reino de Deus. Ele veio. Ele virá. E ele está agindo hoje, construindo o Reino de Deus. Foi isso que os pequeninos enxergaram: o Reino está acontecendo pela presença de Jesus. O pobre está tendo vez. O cego, o coxo, o paralítico estão recuperando a saúde. O oprimido, a liberdade. A vida está ganhando da morte. O perdão está superando o ódio. O Reino de Deus está acontecendo. É Jesus quem o está comunicando. Ele comunica a vida de Deus. O Reino é a vida de Deus derramada lá onde impera a morte. O que é preciso agora é reconhecer e acolher Jesus presente fazendo o Reino. Mas, isso é antes de tudo obra do Pai: é ele quem dá a conhecer o filho. "Felizes os olhos que vêem o que vocês estão vendo". 

Celebrando Santa Luzia, neste tempo de advento, imitemos o seu amor e a sua fidelidade: ver com os olhos da fé a obra de Deus se realizando entre nós.  

P João Carlos Ribeiro