21 outubro 2012

O “Sim à Vida”

Pe. João Carlos Ribeiro

Só a caminhada dos discípulos com Jesus pode barrar o cortejo da morte.

A 6ª Caminhada do "Sim à Vida" em Boa Viagem, no Recife, chamou a atenção da sociedade pernambucana. Já era tempo de a Igreja Católica, em Recife, manifestar-se assim com mais vigor e mais peso em assunto tão urgente e delicado: a defesa da vida humana desde a concepção até o seu fim natural. A legislação no país está em franca abertura para a adoção do aborto. Por enquanto, o aborto ainda é crime na legislação brasileira, exceto em casos de estrupo e de risco de vida da mãe. O anteprojeto do novo Código Penal prevê também a eliminação do feto por anencefalia ou quando este for portador de anomalias graves. O anteprojeto, que já foi entregue ao Senado, não considera crime o aborto realizado por vontade da gestante se, até a 12ª semana de gestação, médico ou psicólogo atestarem que a mulher não tem condições de arcar com a maternidade.

 É vergonhoso esse dispositivo do anteprojeto do novo Código Penal Brasileiro que prevê a eliminação legal do feto de até três meses, no caso de a mãe não ter condições de criar o filho. Isso é triste e revoltante. E exige uma posição de todas as pessoas de boa vontade, de consciência reta e, particularmente, dos cristãos que reconhecem que a vida é dom de Deus e que lhes cabe defendê-la e promove-la. Será muito doloroso para nossa consciência de nação fundada sobre a moral cristã se isso vier a ser aprovado. E a aprovação não depende só dos parlamentares. Depende particularmente da insistente manifestação dos cidadãos a esse respeito, da opinião pública que se formar sobre o assunto ou pelo contrário, da omissão e do silêncio de quem devia cerrar fileiras pela vida.

A consciência cristã, orientada pela ética e pelo ensinamento da Palavra de Deus, defende a vida desde a sua concepção, desde a fecundação do óvulo. Ali há já uma vida humana em gestação, uma vida inocente em desenvolvimento que precisa ser cuidada e defendida contra qualquer violência. Só Deus pode tirar a vida. O inocente que está sendo gerado não tem culpa se a liberdade sexual foi violada de alguma maneira e nem pode ser eliminado se houver risco de vida para a mãe. A medicina, com tanto avanço da ciência, pode encontrar soluções que não seja sacrificar a criança. E o Estado deve proteger a vida, que é um direito sagrado inclusive reconhecido na Constituição Federal.

A Igreja Católica em Pernambuco tem ido às ruas para manifestar seu repúdio a toda forma de violação do direito de viver e de viver decentemente: o aborto, as drogas, a violência doméstica, o extermínio de jovens, a violência urbana, a miséria. Nessa 6ª caminhada, as dez Dioceses de Pernambuco, com seus bispos, suas lideranças e suas comunidades e movimentos, manifestaram publicamente sua posição, conclamando a todos pelo "Sim" à Vida. Essa é uma atitude responsável, educativa e profética.  Responsável em sua tarefa de iluminar a vida pública com a sabedoria de Deus. Educativa porque vai acordando na consciência dos cidadãos o respeito pela vida humana e instruindo as novas gerações na defesa apaixonada do direito de viver. Profética porque anuncia a Vida que se torna plena em Cristo numa sociedade que vai marchando em grande relaxamento de costumes para a descriminalização do aborto e das drogas.

Só a caminhada dos discípulos com Jesus pode barrar o cortejo da morte, como na história do enterro do filho da viúva de Naim (Lucas 7, 11-17).