03 outubro 2012

Meu voto é coisa séria

Pe. João Carlos Ribeiro

Domingo é de eleições. E aí? Está preparado? Está preparada? Já sabe em quem vai votar? Esse seu voto está em sintonia com sua vida de fé? Perguntas importantes para quem se sente responsável pela comunidade onde vive, pelo Município onde mora. E para quem caminha nessa vida iluminado pela fé.

Em muitas Dioceses e Paróquias, as lideranças da Igreja evidenciaram alguns princípios para ajudar o povo de Deus a votar com maior responsabilidade e espírito cidadão. Várias dioceses católicas publicaram cartilhas com dicas interessantes e boas chamadas de atenção. A CNBB também emitiu um comunicado na mesma linha. Todos insistem em alguns pontos: votar é exercer o sagrado direito de participar nos destinos da vida pública; voto nulo ou em branco é sinal de omissão e falta de responsabilidade frente a um compromisso tão fundamental; votar sem consciência ou vender o voto são faltas graves contra a fraternidade; eleger candidatos pensando em vantagens pessoais é coisa criminosa e reprovável.

A educação para a cidadania não é tarefa fácil, sobretudo pelo descrédito em que se encontra a atividade política. E as razões para isso não é difícil enumerá-las: o histórico recorrente da corrupção em todos os níveis, o troca-troca partidário pós-eleições, o enriquecimento ilícito de muitos mandatários. É claro que isso não é a regra geral e não se aplica a todos os políticos. É também preciso dizer que se se chegou a isso em parte se deve também ao próprio eleitorado, por sua atitude pouco crítica e nenhum acompanhamento do mandato dos eleitos. Por isso, as recomendações dos setores de formação das comunidades cristãs são: levar a sério a lei da ficha limpa, discernir bem em quem vai dar seu voto e assumir a responsabilidade pelo acompanhamento do mandato dos seus candidatos eleitos.

Como se trata de uma eleição municipal, é preciso entender bem o papel do legislativo e do executivo nessa área. Ao vereador cabe a formulação de leis, a apresentação de propostas, a fiscalização da gestão do prefeito, a aprovação de projetos e orçamento da Prefeitura, a representação das comunidades e segmentos em assuntos de seus interesses. O Prefeito administra o Município, com planejamento, participação e transparência. Não dá pra se ter um bom prefeito ou um bom vereador com um eleitorado com pouca consciência do bem comum, fazendo dos seus representantes quebra-galhos dos seus problemas particulares ou oferecendo seu voto em troca de favores. Merecemos os políticos que temos. Somos nós que os elegemos e os mantemos no poder.

A Arquidiocese da Paraíba, em sua cartilha, foi clara: A Igreja recomenda aos eleitores a escolha de candidatos que defendem a vida e a família. A vida desenvolve-se desde a concepção até seu êxito final; Defendemos as políticas que promovam a vida saudável para todos os seres humanos, principalmente da gestante, do nascituro e da pessoa idosa; Seja honesto consigo e com os outros, vestindo a camisa da cidadania democrática. O que você espera dos candidatos, espere de você mesmo; Jamais troque ou venda o seu voto por "favores". Não se corrompa; Pense não apenas no seu bem-estar particular, mas no bem da coletividade, tendo em vista o desenvolvimento da população, sobretudo dos mais humildes precisados de oportunidades.

Faço votos que esse domingo de eleições seja de festa da cidadania e da consciência, um passo a mais na direção de cidades com mais mobilidade, menos violência e mais respeito à dignidade humana.