Meditação da Palavra

14 junho 2016

Os Santos de Deus

O povo católico brasileiro herdou do povo português a forma de honrar os santos de sua devoção. Cada localidade tem o seu padroeiro, festejado anualmente com novenas e festas religiosas e sociais. Os portugueses, especialmente os pobres, durante o período colonial, trouxeram para cá um catolicismo de muitas devoções e festas. Cada família tinha seu Oratório, com suas imagens, diante do qual a família se reunia para suas devoções. Havia confrarias e irmandades que construíam suas igrejas e organizavam as festas dos seus santos protetores.

Nesse período em que o Brasil estava se iniciando com engenhos, vilas e algumas poucas cidades, o catolicismo na Europa estava se reformando com o Concílio de Trento. Foi uma grande reforma que a Igreja fez, após a reforma protestante. O Concílio reforçou a vida da Igreja em torno da Paróquia, da Missa, dos Sacramentos. Mas aqui o Concílio só chegou pra valer quase três séculos depois. No Brasil Colonial, não somente a população estava dispersa em engenhos ou vilas, como também havia pouquíssimos padres. Assim, o jeito português e quase medieval de cada família e cada vila organizar sua vida religiosa em torno dos santos foi a forma natural de ser católico.

O catolicismo popular expressa uma cultura tradicional de nossa gente. Os santos introduzem no mundo da fé, no mundo de Deus. O santo é um testemunho da presença de Deus no mundo. É também um modelo, um exemplo de como se pode viver em comunhão com Deus. O santo também manifesta o cuidado de Deus com seus filhos, acompanhando os seus devotos na solução dos problemas da existência. Aí nascem as promessas e o pagamento delas nas festas dos santos.

O catolicismo popular é uma maneira legítima de viver a fé católica. É uma maneira tradicional de exprimir o amor a Deus e viver obedientemente aos preceitos dele. Os santos são pessoas santificadas pela graça de Deus, que viveram com fidelidade o Evangelho. O culto aos santos também é legítimo. É um culto de veneração. Os santos não tomam o lugar de Deus. Eles apontam para Deus, eles nos introduzem no sagrado que é Deus. O culto de adoração é dirigido somente a Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. A devoção aos santos é uma maneira de se viver iluminado pela fé, na comunhão com Deus.

É claro, o Brasil mudou. Passou em pouco tempo de rural para prevalentemente urbano. Os meios de comunicação social semearam uma nova cultura, com novos padrões de comportamento a partir do sudeste. A cultura urbana já está em nova fase, com a integração mundial da rede de computadores. Chegamos ao mundo globalizado digital. A Igreja também vem mudando muito, desde o Concílio Vaticano II de 50 anos atrás. Outras igrejas cristãs, valendo-se do livro impresso e dos meios de comunicação, vêm crescendo com a adesão de pessoas batizadas que nunca estiveram filiados a uma comunidade.

Mesmo no meio de tantas mudanças, continuamos a crer na comunhão dos santos, dizemos no credo apostólico. Cremos que todos os santificados, vivos ou falecidos, podemos nos ajudar mutuamente. Estamos certos que os irmãos que estão na glória podem interceder por nós junto a Deus. Procuramos imitá-los em sua vida de amor a Deus e ao próximo. E pedimos a sua intercessão em alguns momentos. É isso que é o Santo, na igreja católica.

Pe. João Carlos Ribeiro - 18.06.2012