05 junho 2014

Jogar lixo no chão. Oh, que coisa feia!

Jogar lixo no chão devia ser coisa do passado. Do passado remoto de uma civilização sem a consciência do cidadão do século XXI. Este, informado sobre a deterioração da vida no planeta pela poluição, pelo lixo do mundo industrial, pelo desmatamento teria que um ser um sujeito cuidadoso e limpo. Ele sabe que estamos à beira do abismo, convivendo com catástrofes naturais ampliadas pelas agressões ao meio ambiente.  Gente desse início de milênio não pode não ser militante da coleta seletiva, da reciclagem, da energia limpa, avessa ao desperdício e à sujeira. Mas, infelizmente, não é o que vemos. Ainda somos um povo que joga lixo no chão, descarta coisas pelas calçadas e atira latinhas e cascas de laranja pela janela do carro e dos coletivos. É de não se acreditar

Por que essa condição de involução de um ser inteligente vivendo num mundo industrializado,  em contato com tecnologias avançadas e ainda assim deixando um rastro de sujeira por onde passa, como um animal irracional marcando seu território? Será uma herança dos pré-históricos de nossa raça? Perdão, eu não sei os humanos pré-históricos merecem mesmo essa pecha de sujadores, pelo menos não tinham tanta coisa industrializadas pra descartar. Coisas como sacolas e copos de plástico, latinhas de bebidas, embalagens de salgadinhos , garrafas pet, revistas, jornais, tocos de cigarro, baterias , pilhas, material eletrônico tudo que pode contaminar o solo, entupir os esgotos e, no mínimo, poluir  o meio ambiente. Mas não estou nem falando no lixo que a gente acondiciona e o caminhão da Prefeitura recolhe, ao menos de vez em quando. Estou falando de gente que joga lixo no chão de graça, nos pátios das escolas, dentro das igrejas, no meio da rua. E não tem idade, nem classe social pra andar sujando tudo... tem criança, adolescente, classe média emergente...  Será que isso tem a ver com essa emergência  social de um grupo nos últimos anos? Sei lá, acho que não. Sujeira não tem a ver com dinheiro, limpeza é que tem a ver com educação, cidadania, bons costumes.

Aliás, é de bons costumes que se trata. E eles vêm de casa, em primeiro lugar. Os filhos reproduzem os hábitos da família na escola, no campo de futebol,  na rua. Costume de casa vai à praça, já rezava um velho ditado. E olha que jogar o lixo no lixo é ainda um primeiro passo em matéria de cuidado do meio ambiente. O começo do começo. Um segundo passo seria a coleta seletiva. Mas, só é possível separar papel, plástico, vidro, metal, orgânicos se a criatura já tiver adquirido o saudável hábito de não jogar o lixo no chão. Aliás, em uma nova mentalidade, essa palavrinha "lixo" já foi abolida. Trata-se de "resíduos" que precisam ter uma destinação adequada. Mas eu ainda estou insistindo no primeiro passo: não jogue lixo no chão, é feio!  É desrespeitoso para você mesmo, para os outros, e para o meio ambiente. 

Você está achando que esse não é um assunto para um comentário de um religioso. Isso pode parecer uma coisa muito leiga, muito diferente de religião, mas eu vou dizer uma coisa a você: não existe nada fora da religião, ao menos da religião de Cristo. A nossa vida prática, as nossas atitudes materializam, exprimem a vida nova que temos em Cristo. Como disse o apóstolo Paulo "quem está em Cristo é uma nova criatura". Como podemos viver na fé, professar o amor a Deus e aos irmãos, e não ter um comportamento cuidadoso, respeitoso com relação à vida, a nossa e a dos outros? E isso nos questiona quanto às queimadas, à destruição das matas, o desperdício de água, a poluição dos rios. E, claro, nos pede o primeiro passinho dessa estrada de consciência e cidadania: não jogue lixo no chão. 

Pe. João Carlos Ribeiro