27 abril 2012

Profetas

Ser profeta é assumir claramente a identidade de cristão, de cristã. Israel teve seus profetas: gente animada pela fé, recordando ao povo a Aliança com Deus. Nos dias de hoje, o cristão precisa fazer a diferença, mostrar com suas atitudes, suas opções, suas palavras o seu referencial que é a vida nova em Cristo. 

Na vivência do Evangelho, o seguidor de Jesus é uma denúncia permanente a um modo de vida que não contemple a honestidade, o respeito ao outro, a solidariedade, a igualdade de oportunidades, a transcendência. Os critérios de escolha de um cristão, seus compromissos cidadãos revelam o seu desacordo com um modelo de sociedade em que a economia está acima da pessoa humana e o direito pleno à vida não é respeitado.

 O cristão, pautando sua vida pelo Evangelho, torna-se um sinal de contradição, uma denúncia permanente. Assim, como verdadeiro profeta, pode sofrer incompreensões e até mesmo perseguições (no âmbito do trabalho, da política, da vida social...). Com Jesus também aconteceu assim. Ele não agradou a todo mundo. Aliás, a reação contra ele foi tão forte que o levou à pena de morte como um malfeitor de marca maior. O seu seguidor lembra bem o que ele disse: "se fizeram isso com a lenha verde, o que não farão com a lenha seca!".

A música é também uma expressão da profecia. Ou também de apatia, depende do seu conteúdo e do seu uso. Torna-se um instrumento de profecia no momento em que veicula a visão cristã do homem, da sociedade, da família, dos valores da fé. Pode ajudar as pessoas a pensar melhor e expressar sua fé com mais qualidade. Ou pode também estimular apenas um espiritualismo sem compromisso com um mundo melhor. 

Vivemos, nesse momento histórico, um período de grande busca espiritual, uma quase inclinação natural a uma vida interior mais fervorosa. E isso é um bem. É preciso, no entanto, aliar essa espiritualidade empolgante com o compromisso histórico de estarmos nesse mundo com maior consciência crítica e cidadã. Não se trata de instrumentalizar a fé para questões sociais. Trata-se de exprimir a caridade do Evangelho também na construção da democracia, na defesa da vida e da família, na preservação da vida no planeta. 

É, o mundo necessita de profetas. E nós podemos e devemos fazer a diferença, para que muitos tenham a chance de conhecer e abraçar a verdade que está revelada em Cristo sobre o homem, a igreja e o mundo. Se formos apenas pessoas religiosas, o mundo pode até nos aplaudir. Mas, precisamos ser pessoas de Deus, apaixonadas por Cristo e seriamente comprometidas com a fraternidade. Talvez assim nem todos nos apoiem. Ainda assim "eu não  posso mais ficar calado, eu sou profeta, eu cristão".  


Pe. João Carlos Ribeiro, sdb
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