Meditação da Palavra

12 abril 2012

Emaús, o recomeço

Tudo parecia sem sentido. Tudo acabado. Fracasso total. Desânimo e decepção. É a volta de dois discípulos de Jerusalém para Emaús.  Retornam pra casa. Nada mais a fazer. Ele tinha sido um profeta poderoso. Todo mundo esperava que fosse libertar o povo de Israel. Os chefes dos sacerdotes o perseguiram. As lideranças políticas o condenaram. Entregeram-no para ser condenado à morte. Crucificaram-no. A esperança do povo morreu.


E eles estão descendo de Jerusalém para Emaús, como quem desce ao túmulo. Quando o Mestre Galileu morreu na cruz, morreu com ele suas esperanças. No seu sepulcro talhado na pedra, também eles foram enterrados. Até o sábado da Páscoa Judaica atropelou o sepultamento do Mestre. Nem os perfumes e aromas o seu corpo pode receber. Agora, já eram três dias. Estava mais do que confirmado o fracasso, o fim. Até o seu corpo desaparecera. Não sobrou mais que lençóis pelo chão. E muita tristeza.

A experiência de fracasso, de sofrimento, de impotência leva muita gente a desistir, a retornar, a se aniquilar. Diante de tanta dor, tanta decepção, tanto fracasso na vida, muita gente morre antes do tempo, enterra-se viva, confina-se como num sepulcro. Sem mais esperanças, sem mais alegria de viver, só esperando o desfecho do seu completo anulamento. Quanta gente enterrada dentro de casa, confinada nas quatro paredes de uma cozinha, sepultada na lavanderia...não espera mais nada da vida. Quanta gente entregando os pontos na bebida, nas drogas, no desespero... não sente mais forças para lutar, pessoas que se sentem definitivamente derrotadas.  Ou mesmo no leito de enfermidade. Depois de tanto fracasso, de tantas decepções, frustrações, não esperam mais nada da vida, enterram-se antes do tempo.

Um peregrino começou a caminhar com aqueles dois que desciam para Emaús como quem desce para um túmulo. O peregrino fez tantas perguntas. Os dois desabafaram. O peregrino começou a explicar o sentido da luta e do sofrimento. As Escrituras falavam de um Messias sofredor, carregado das dores de todo mundo, do pecado de todos nós. E esse era o caminho da vitória. Tomar a cruz cada dia. Não perder a confiança no triunfo de Deus. Atravessar com fidelidade o vale da rejeição, da traição, da ingratidão. Sofrer com perseverança o aparente silêncio de Deus. O peregrino foi acolhido por eles em casa. Comeu com eles, repetiu os gestos da Ceia de Jerusalém. De repente, eles o descobriram vivo, ressuscitado. Acendeu-se a alegria, renovou-se a vida. A morte foi vencida. O crucificado estava ressuscitado. Os discípulos de Emaús então voltaram para Jerusalém, para recomeçar tudo de novo. 

Pe. João Carlos Ribeiro, sdb