23 abril 2012

Altos e gordos

A Revista VEJA dessa semana dedica uma longa matéria à chamada "evolução tecnofísica". A constatação é que estamos mais altos, mais fortes – e cada vez mais gordos – do que nossos antepassados. E isso se deve ao nosso atual estágio de civilização, que oferece uma dieta alimentar mais rica e um maior controle das doenças.  

O brasileiro cresceu 07 centímetros nos últimos 30 anos. O Exército constatou, entre os jovens que se alistaram nos últimos trinta anos, que a média de altura que era de 1,67 metros passou para 1,74 metros. 07 centímetros a mais. A nova geração está chegando mais alta. E todos estamos ficando mais fortes e mais gordos.

E esse é o lado ruim: a fartura e a facilidade de acesso à comida estão produzindo uma população de gordos mórbidos. Em apenas dois anos, o Brasil se tornará um país de gordos, diz a VEJA. Não é à toa que o Governo está lançando uma série de projetos para a educação alimentar, normas para as cantinas escolares e campanhas pelos meios de comunicação social. Pesquisa recente revelou que 49% dos brasileiros estão acima do peso. Pegando carona no ano da Campanha da Fraternidade sobre Saúde Pública, vale aqui registrar a afirmação do endocrinologista Antônio Carlos do Nascimento: "As doenças associadas ao sobrepeso e à obesidade estão a um passo de se tornar o maior problema brasileiro de saúde pública". 

O artigo assinado por muitos especialistas põe a culpa do sobrepeso em fatores comportamentais, especialmente no mau hábito alimentar - o aumento de consumo calórico, a disseminação do uso do açúcar - e nas facilidades tecnológicas que diminuem o esforço físico ou a queima de calorias pelo organismo. O açúcar é uma das maiores ameaças à saúde humana, mais prejudicial do que a gordura, diz o artigo. A absorção é rápida e logo se está de novo com fome. No Brasil, a ingestão de açúcar hoje representa 16% das calorias totais, quando o indicado é 10%. Os alimentos supercalóricos são baratos e se encontram em toda parte, como biscoitos recheados e salgadinhos de pacote. O conforto do mundo moderno e digital contribui muito para o sedentarismo. Com o celular, ninguém quer mais se levantar para ligar no fixo. Com o controle remoto, não se levanta mais para se trocar de canal. E por aí vão: os elevadores, as batedeiras, o computador...  A comodidade engorda. 

O excesso de peso é um dos principais fatores de risco para doenças graves. Entre os homens com Índice de Massa Corporal (IMC) alto, os riscos são as doenças cardiovasculares, como infarto e derrame. O índice de massa corporal é o resultado da divisão do peso pela altura ao quadrado.  A gordura visceral está associada ao aumento do risco de morte por diabetes. As mulheres têm mais sorte: a gordura se distribui mais pelo corpo, com menos riscos que os homens. 

A nossa fé nos compromete com a construção do bem para nós e para os outros. Essa problemática da saúde pública, que hoje envolve esse sério problema da obesidade não pode estar ausente de nossa pauta de reflexão e compromisso. A isso nos anima o evangelho do amor ao próximo e a campanha da Fraternidade desse ano.

Pe. João Carlos Ribeiro – 22.04.2012

Postar um comentário