04 fevereiro 2012

Dom Hélder, parabéns pra você!

Se estivesse vivo, Dom Helder Câmara completaria neste dia 07 de fevereiro, 103 anos de idade.  Dom Hélder marcou a região metropolitana do Recife, nos anos em que foi nosso arcebispo. Esteve à frente do rebanho em momentos sociais muito tensos e difíceis, como foi o tempo da ditadura militar. O Brasil e o mundo conheceram um Dom Hélder porta-voz dos injustiçados e dos empobrecidos. Um homem lúcido, profeta segundo o evangelho, dono de palavras fortes e contundentes. Mas nós conhecemos mais do que esse profeta respeitado no exterior e temido, em seu país, por suas posições em favor de um mundo fraterno e solidário e de uma igreja pobre e servidora. Conhecemos um Dom Hélder respeitoso das pessoas e cheio de amor para com os sofredores. Um homem simples e ao alcance das pessoas de qualquer classe social.

Com toda certeza, uma das obras mais significativas de Dom Hélder foi o Encontro de Irmãos. O Movimento de Evangelização Encontro de Irmãos nasceu da confiança do Dom no povo pobre da periferia. Ele acreditou no povo sofredor dos bairros populares e o convocou para a grande tarefa da evangelização. Começou no rádio, dando dicas sobre o trabalho com a Bíblia. Passou a reunir as lideranças que foram surgindo. O povo pegou a Bíblia nas mãos e foi à luta. Formaram-se grupos que passaram a ler e estudar a Bíblia semanalmente. A meditação dos textos sagrados animou a participação das pessoas nas lutas dos bairros, reforçou a presença dos cristãos nas associações de moradores, formou gerações de cristãos de fé e de compromisso. E continua formando, porque o Encontro de Irmãos continua vivo e atuante, graças a Deus.

É o Dom Hélder do qual hoje nos lembramos. Um homem do povo. Um homem de Deus. Como ele falava de Deus... havia tanto amor nas suas palavras, quando se referia ao Criador e Pai.... havia tanta emoção nas palavras da consagração que o vimos muitas vezes chorando ao celebrar a Missa. E sempre repetia com toda convicção que o verdadeiro celebrante da Missa é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não há quem não se lembre com afeto da figura de Dom Hélder: a simplicidade de vida que ele abraçou, morando na sacristia da Igreja das Fronteiras; como ia a pé para a Cúria na rua do Giriquiti, mesmo sob ameaça de forças paramilitares ligados ao regime militar; como abraçava os bêbados, os bêbados que teimavam em pedir-lhe a bênção na rua ou na porta de sua casa. Como esse homem era respeitoso com as pessoas: a qualquer um recebia e abraçava, independentemente de quem fosse, com a mesma alegria e sinceridade.

A passagem de mais um aniversário do nascimento de Dom Helder nos oferece uma oportunidade para reavirmos em nossa mente e em nosso coração a imagem desse vulto abençoado e santo. Uma oportunidade a mais para aprendermos, com ele, o respeito pelos humildes, a confiança nos sofredores, o amor incondicional ao Pai e Criador.
                
Pe. João Carlos Ribeiro.     

2 comentários:

  1. Dom Helder nasceu há 103 anos

    A vida do Dom Helder é como uma mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada, com um dom maravilhoso de Deus. Vida de uma beleza, que podemos dizer, diferenciada, nos seus gestos raríssimos em favor da vida dos empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”. Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife em abril de 1964, disse: “Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar no coração do bispo”.

    Dom Helder, pequeno na estatura, mas grande nos sonhos, nos ideais e na santidade, colocou sua vida nas mãos do Pai, com a firme convicção e com confiança inabalável, que a pessoa humana é o que existe mais sagrado na face da terra porque é imagem e semelhança de Deus, tomando para si as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudos dos que mais sofrem (cf. GS 200).

    O sonho carregado ao longo da vida e acalentado no seu coração foi o de colocar a criatura humana em um lugar de destaque, também num lugar bem elevado. Marcou profundamente uma época e nos deixou um grande legado e lição. A lição de que o deserto da nossa vida tem que ser fertilizado pela Palavra de Deus e que a vida está acima de tudo, que ela é mais forte do que tudo, mais forte do que a morte.

    Dom Helder, com sua inteligência privilegiada, sempre demonstrou firmeza nas atitudes e coerência nas ideias, que podemos perceber através dos seus pensamentos: “Quando houver contraste entre a tua alegria e um céu cinzento, ou entre a tua tristeza e um céu em festa, bendiz o desencontro, que é um aviso divino de que o mundo não começa nem acaba em ti”. “Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra”.

    A vida de Dom Helder, com aquele corpo franzino, que se agigantava na pregação da fé e da justiça e daquela voz inconfundível e extraordinária, que se transmutava em possantes amplificadores na defesa da vida fraterna e da paz, ficou o exemplo de dignidade e marcou em profundidade a história da humanidade. Ele queria ser lembrado com esta frase: “A imagem que gostaria que ficasse de mim é a imagem de um irmão”.
    É maravilhoso saber que Deus se revelou e se manifestou, em toda sua plenitude em Dom Helder Câmara, que viveu não só para si, mas para a humanidade. Para celebrar os seus 103 anos nascimento, haverá missa em ação graças:

    Dia 07 de fevereiro de 2012
    Local: Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda)
    Av. Jovita Feitosa, 2733 – Parquelândia - Fortaleza - CE
    Horário: 18 horas

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  2. Missa por Irmã Dorothy Stang, no 7º ano do seu mart.


    Já se passaram sete anos do assassinato da Irmã Dorothy Stang. Temos consciência de que o testemunho e a mística dessa fiel e corajosa discípula de Jesus de Nazaré, com seu sangue derramado na floresta amazônica, ainda irá produzir frutos, muitos frutos.

    Irmã Dorothy afirmou, no momento em que foi imolada: “Eis a minha alma” e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que logo em seguida iria assassiná-la. Morta com sete tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

    Diante do contexto da morte brutal da irmã Dorothy, fica a frase de Tertuliano, dita no século terceiro: “Sangue de mártires é sementes de cristãos”. “Evangelizar constitui, com efeito, o destino e a vocação própria da Igreja, sua identidade mais profunda. Ela existe para Evangelizar” (Evangelli Nuntiandi, 14), não fugindo do martírio.
    O modelo capitalista no Brasil, marcado pela desigualdade social e estrutural entrou com toda força também na Amazônia. Para a floresta amazônica, foi por opção de vida, a inesquecível Irmã Dorothy. Lá ela abraçou a proposta do Evangelho, vivido na simplicidade, mas com grande e profunda coerência. Uma mulher forte e determinada, no seu estilo de vida e com uma mística a causar medo e contrariar os que desejavam outro projeto para floresta, longe e distante do projeto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo tramaram: Vamos matá-la.
    Irmã Dorothy está viva e presente da vida do seu povo, com sua vida oferecida em sacrifício, num verdadeiro hino de louvor a Deus, com sua coragem profética, continua mais amada e admirada, tornando-se referência, símbolo e patrimônio do povo brasileiro, que sonhos com uma nova realidade, aos olhos da fé.
    Para celebrar o 7º aniversário da sua partida para o Pai, convidamos os amigos que alimentam no íntimo do coração os mesmos sonhos da querida Religiosa Dotohhy Stang.

    Local: Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda).
    Av. Jovita Feitosa, 2733 – Parquelândia – Fortaleza – CE.
    Data: 12 de fevereiro de 2012
    Horário: 18 horas


    http://WWW.paroquiasantoafonso.org.br
    http://blogsantoafonsoce.blogspot.com/

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