Meditação da Palavra

31 janeiro 2012

Os três amores de Dom Bosco

Um empreendedor se explica pela paixão que o move. Um líder se impõe pela paixão que o inflama. E Dom Bosco era movido por uma forte paixão. Três amores ardiam em seu coração de educador cristão. Três amore s o moviam, o inflamavam, enchendo de sentido a sua vida. É esse o segredo de Dom Bosco.


Seu primeiro amor era Jesus. Nele via o pastor que guia o rebanho e cuida de cada ovelha. O bom pastor que deixa as 99 em segurança e não sossega enquanto não encontra e traz de volta, sobre os ombros, a ovelha desgarrada. O amigo que dá a sua vida pelos seus amigos. Aquele que é o próprio verbo de Deus feito carne, a palavra vivente entre nós. O pão da vida que nos alimenta para a eternidade. O filho do Homem que confere o perdão de Deus aos pecadores arrependidos. O primeiro amor de Dom Bosco era Jesus, o filho do Pai Eterno, profeta dos humildes, humilhado na morte da cruz e glorificado na ressurreição. Presente agora no céu, ao lado do Pai, e na terra ao lado de quem nele crê. Jesus era o primeiro grande amor de Dom Bosco, a sua primeira paixão.

Seu segundo amor era a Igreja. E olha que Dom Bosco viveu em um tempo de grande polêmica contra o Papa, o problema dos Estados Pontifícios na unificação da Itália, as restrições do Estado às ordens religiosas. Mas, enxergando mais do que os seus olhos humanos podiam ver, encantava-se com o grande mistério que é a Igreja, a um tempo habitada pelo divino e pela fragilidade do homem no caminho da história. Igreja santa e pecadora. Santa pela presença de Cristo, sua cabeça, e pela graça do Espírito Santo que a habita. Pecadora por seu componente humano, sempre frágil, dado à infidelidade e à vaidade. Dom Bosco aprendeu com São Paulo a amar a Igreja, pela qual Cristo se entregou, para purifica-la e renová-la. Igreja que continua a proclamar a Palavra de Deus, que alimenta seu povo com o pão do céu, que confere a graça de Cristo nos sacramentos. Na Igreja, Dom Bosco percebia em primeiro plano a Virgem Maria, o ícone do discípulo fiel e já glorificado, e o Papa e os Bispos, os líderes do rebanho, agindo em nome do próprio Senhor. A Igreja era o segundo grande amor de Dom Bosco, a sua segunda paixão.

 Seu terceiro amor era os Jovens. A juventude era mesmo a razão de sua vida. Dedicar-se totalmente a seu serviço era, para ele, um exercício de amor à Igreja, e de louvor a Deus e ao seu Cristo. Nos jovens, servia ao próprio Jesus sem casa, sem pão, sem escola, sem orientação. Juventude que ele encontrou nas prisões, nas ruas, nos lares desfeitos, à beira da marginalidade. E ele amava os seus adolescentes como um pai. E lhes dizia: "Basta que vocês sejam jovens para que eu os ame muito". E ainda: "Aqui entre vocês me sinto bem". E aos seus educadores recomendava: "Não basta que sejam amados, é preciso que saibam que são amados". A dedicação por sua educação cristã se fez total quando se recuperou de uma estafa muito grave. "Até o meu derradeiro suspiro será em favor desses amigos meus", foi a promessa que fez e cumpriu. A juventude era o terceiro grande amor de Dom Bosco, a sua terceira paixão.

O grande amor a Jesus, à Igreja e aos Jovens é o segredo de Dom Bosco. Só alguém movido a paixões pode ir tão longe. Quais são as paixões que movem a sua vida?



Pe. João Carlos Ribeiro